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Greve dos caminhoneiros

Sem gás e insumos, restaurantes de Curitiba cogitam fechar as portas

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná, estoque deve durar mais quatro dias

por Katia Michelle Publicado em 26/05/2018 às 11h
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Com dificuldade para reabastecer os estoques de alimentos e de gás para a cozinha, bares e restaurantes associados a Abrasel-PR podem fechar as portas em quatro dias. O diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná Luciano Bartolomeu informou que a principal preocupação é o gás. “Os restaurantes não têm mais como cozinhar. Se em quatro dias a situação não normalizar, o jeito será suspender as atividades”, disse.

Além disso, outra questão preocupa a Abrasel-PR. Com a greve, o aumento de preço dos produtos alimentícios foi considerável e pesou para os estabelecimentos. Um custo que deve ser repassado para os clientes mesmo com o fim da paralisação. “Como os restaurantes vão conseguir manter os preços do cardápio se tudo subiu? ”, questiona Bartolomeu. Ele acredita que, caso os fornecedores não recuem em relação aos preços abusivos, o consumidor certamente vai sentir os efeitos no bolso.

Neste sábado (26), no entanto, os restaurantes associados à Abrasel operavam normalmente. “Até agora não faltou nada, mas a próxima semana preocupa. Os fornecedores de carne bovina, suína e de peixes não garantiram a entrega. A Ambev entregou só metade do pedido feito hoje e a companhia de gás também não garantiu o abastecimento. Se não acabar a greve, o começo da próxima semana preocupa”, admitiu o chef Marcelo Toshio, do Jabuti Bar.

Na hamburgueria  Whatafuck, a carne e as batatas já acabaram em uma das lojas. O sócio Daniel Mocellin diz que, por enquanto, vai manter as lojas abertas, mas na unidade Hauer, por enquanto, só poderá vender cerveja. Mesmo porque o gás de cilindro da casa já acabou. “Estamos cogitando fazer o hambúrguer na loja da Vicente Machado, porque o gás vem da rua, e levar de bicicleta para a loja do Hauer”, revela.

Funcionários

Francisco Urban, do Grupo Victor, revela uma outra preocupação: o transporte dos funcionários. Juntos, os restaurantes do grupo empregam 128 pessoas. “Eles ainda estão conta de trabalhar, mas já falam da dificuldade de abastecer os carros para o deslocamento”, revela. Na questão dos insumos, Urban revela que o estoque do grupo ainda é grande. “Semana que vem vai ser difícil, mas não estamos pensando em parar”, diz.

Já no Pata Negra, restaurante espanhol na Praça da Espanha, o fim de semana ter funcionamento normal, mas caso a situação não altere, segunda-feira alguns ingredientes devem começar a faltar. O proprietário da casa, Carlos Aichingel, diz que não tem como substituir os ingredientes, mas acredita que os clientes vão compreender caso o restaurante não possa oferecer algum prato do cardápio.

Desde que a greve começou, há seis dias, ele notou uma queda gradativa no movimento, mas está fazendo algumas ações para reverter a situação. Vai transmitir hoje à tarde, o jogo Real Madrid e Liverpool, com paella e sangria a R$ 89,00 para duas pessoas.

 

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