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Análise de qualidade

Teste identifica irregularidades em seis marcas de água de coco

PROTESTE apontou diferenças entre a quantidade de sódio real e a informada, presença de conservantes e ausência de dados sobre conservação do produto

por Júlia Ledur Publicado em 01/08/2017 às 12h
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Um teste da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE) divulgado nesta segunda-feira (31) analisou seis marcas de água de coco brasileiras e identificou algumas irregularidades. Os rótulos analisados foram Do Bem, KeroCoco, Obrigado, Coco do Vale, Sococo e Ducoco. Os quesitos avaliados foram rotulagem, acidez, presença de açúcar e micro-organismos e análise sensorial.

Irregularidades foram identificadas em todas as marcas, com exceção da KeroCoco. De acordo com a avaliação final da PROTESTE, que considera a média entre os fatores analisados, as marcas maior nota são Do Bem, KeroCoco e Obrigado.

Em testes laboratoriais, a Associação descobriu diferenças entre as quantidades de sódio e potássio reais e as informadas nos rótulos e presença de conservantes. Além disso, também foi constatada a falta de dados sobre conservação e data de fabricação produto.

Análise

Com relação às informações presentes nos rótulos, a análise identificou uma variação de dados na rotulagem superior aos 20% permitidos. A Coco do Vale e DuCoco mostraram diferenças de mais de 30% para sódio e potássio. Já a Sococo chega a ter 64% a menos de sódio do que o informado no rótulo.

Segundo a Associação, “esse tipo de conduta configura oferta enganosa e de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. A oferta e apresentação de produtos deve assegurar informações corretas sobre suas características, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde dos consumidores”, declara a PROTESTE.

Outras informações irregulares presentes nos rótulos foram “100% coco praiano”, “sem conservadores” e “sem adição de açúcar”, afirmações que podem “induzir o consumidor a uma interpretação errada”. É o caso da Sococo, vendida como um produto natural, mas que traz entre os seus ingredientes sacarose e metabissulfito de sódio, substância que, segundo a PROTESTE, pode desencadear crises de asma em pessoas que sofrem da doença.

O teste aponta ainda que a marca DuCoco faz marketing utilizando uma característica natural do coco, ao afirmar que o produto é “0% gordura e colesterol”. Abaixo, em letras pequenas, a marca informa “como toda água de coco”.

A PROTESTE constatou que a marca Obrigado cumpre à risca as alegações de “sem adição de açúcar” e “sem adição de conservadores”. No entanto, assim como a marca Do Bem, deixa a desejar com relação a orientações sobre o armazenamento do produto. Segundo a Associação, as marcas “não alertam sobre o perigo à saúde quando essas indicações não são seguidas, como prevê a lei”.

Por fim, o teste verificou que das seis marcas testadas, quatro (Coco do Vale, DuCoco, KeroCoco e Obrigada) não apresentam a data de fabricação na embalagem. A informação permite que o consumidor opte por bebidas que tenham sido produzidas há menos tempo, no entanto não é prevista na legislação.

A PROTESTE enviou os resultados do teste à Anvisa e solicitou fiscalização ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, pedindo que sejam determinadas as adequações das embalagens.

Posicionamento

O Bom Gourmet entrou em contato com as empresas de água de coco. A Sococo afirmou que as informações do teste foram direcionadas ao setor de controle de qualidade da empresa e após análise e a marca terá um posicionamento. A DuCoco não se posicionou até a publicação dessa matéria. A Do Bem, a Obrigado e a Coco do Vale não atenderam às ligações do Bom Gourmet. 

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