Receitas & Pratos

Torta de infância

Quadradinhos de chocolate com bolacha: o polêmico doce chamado “preto de alma branca”

por Luiz Augusto Xavier, colunista do Bom Gourmet e blogueiro do Panela do Anacreon Publicado em 11/01/2020 às 08h
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Fica difícil começar. A questão é saber como definir. Nos meus tempos de criança – e ainda por alguns anos depois – todos chamavam de “preto de alma branca” e aqueles quadradinhos de chocolate com bolacha eram grandes atrações e objetos de desejo em todas as festas que existiam.

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Preto de alma branca – ou, com nome mais politicamente correto, torta de infância de chocolate com bolacha maisena. Foto: Letícia Akemi / Bom Gourmet

Hoje, o politicamente correto recomenda não definir mais o doce como “preto de alma branca”, assim como não se fala mais “nega maluca”, por mais que na época ninguém interpretasse a possível discriminação arraigada na denominação, ainda que existisse racismo – talvez na mesma proporção que hoje, camufladamente, existe.

E aí fica a grande questão: como denominar esse doce tão gostoso? Alguns começaram a chamar de pavê de chocolate, mas não é a mesma coisa, tem outra textura, embora os ingredientes sejam semelhantes. Há quem chame de chocolacha, mas uma fatia que provei não representava também o mesmo paladar.

Torta preta e branca? Não, né, porque não é tão preto assim o chocolate, embora na medida que se pede fique bem próximo. Bolo de bolacha, Torta de bolacha? Nada disso se enquadra, difícil explicar. Decidi chamar de Torta de infância, justamente por ter esse apelo de saudade daqueles tempos de menino à espera do tudo de bom que logo viria.

Claro que se procurar na internet vai encontrar dezenas de receitas do “Preto de alma branca”. E garanto que nenhuma tão gostosa quanto essa Torta de infância que proponho executar aqui. Pode fazer que não tem erro. E daí pode chamar da maneira que quiser e se preparar para os elogios. Bom proveito!

Dicas do preparo

  • Há inúmeras receitas que se pretendem semelhantes espalhadas por aí. Mas a verdadeira é a que tem a gordura de coco como ingrediente fundamental. Sem ela a consistência não se compara e o preparo fica mais para um pavê — pode até ser saboroso, mas não é a mesma coisa.
  • Gordura de coco não é óleo de coco, que anda tão na moda ultimamente. Tem a consistência pastosa, como se fosse banha. Pode ser encontrada em alguns supermercados ou no Mercado Municipal, na loja Puro Coco.
  • Importante molhar a bolacha no leite, para que não fique muito dura e crocante ao degustar. Mas basta encostar no líquido e retirar em seguida, para não amolecer demais.
  • Caso deseje fazer uma porção maior para guardar, esse doce pode, perfeitamente, ser congelado. Não perde sabor nem consistência.
  • Chocolate em pó não é Nescau e não tem açúcar. Aquele do Padre é o ideal.
  • Se quiser, pode misturar um pouco de rum ao leite da bolacha. Agrega sabor.
  • Use preferencialmente os ovos em temperatura ambiente.

* Luiz Augusto Xavier é jornalista, cozinheiro nas horas vagas, sempre atrás de novas experiências e sabores. Na coluna ele apresenta seus pratos e receitas e dá dicas de preparo, com base em suas experiências pessoais na cozinha.

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