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Vinho Reserva ou Reservado: qual é o melhor?

Tempo de barril ou graduação alcoólica determinam a leitura destas qualificações para países produtores

por Patricia Favorito Dorfman, especial para o Bom Gourmet Publicado em 21/05/2019 às 14h
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Termos emprestados nem sempre traduzem exatamente o sentido que se espera. Este é o caso, por exemplo, de Reservado e Reserva que se lê nos rótulos de vinhos no Brasil. Vindos de culturas mais acostumadas com o consumo da bebida ou usados como estratégia de mercado, estes termos podem confundir e fazer acreditar numa proposta que não é a mais correta.

vinho tinto

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É na Espanha que os termos Reserva, Gran Reserva e Crianza têm uma configuração jurídica, amparada por legislação que determina como devem ser usados. Já em Portugal e países da América do Sul, como o Chile, estas determinações são difusas e não são sustentadas por leis. No Brasil, ao se ler estas qualificações nos rótulos é importante verificar qual a procedência do vinho, isto porque, elas também podem variar de uma região para outra, dentro do mesmo país produtor.

Para o sommelier Wagner Gabardo, da escola de difusão da cultura do vinho Alta Gama, em Curitiba, os termos têm diferenças importantes. “Reservado é uma invenção de mercado dos produtores chilenos para o Brasil. Uma estratégia. São os vinhos de entrada das vinícolas chilenas.”

Entenda as diferenças:

Reservado: denominação utilizada para os vinhos tintos de entrada das vinícolas chilenas para o Brasil.

Crianza: na Espanha, este vinho tinto passa dois anos em descanso, entre barril e garrafa. Sendo um mínimo de seis meses em barril de carvalho.

Reserva:

  • Chile: o termo é vinculado a graduação alcoólica. São vinhos com uma graduação mínima de 12% de álcool ou 12,5% de álcool que passaram qualquer tempo em um barril de carvalho. Mas, existe variação entre as vinícolas.
  • Portugal: o uso deste termo está vinculado a avaliação feita por especialistas, que determinam qual vinho está acima da média em vários quesitos e passa a usar a denominação.
  • Espanha: o país possui legislação que orienta o uso da classificação. Um vinho tinto reserva terá, no mínimo, passado 12 meses em barril de carvalho e 18 meses em garrafa, do total de três anos em descanso.

Gran Reserva: são 60 meses em descanso, dos quais um mínimo de 12 meses em barril de carvalho e 12 meses em garrafa. A composição do mínimo com o máximo é definido por cada produtor.

Importante compreender, por exemplo, que um vinho tinto gran reserva espanhol tem sua venda liberada a partir de outubro de cada ano. “Ou seja, um vinho gran reserva de 2013 só poderá ser colocado no mercado para venda a partir de outubro de 2018”, explica o sommelier.

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Foto: Alexandre Mazzo/ Gazeta do Povo

Avaliando opções

Segundo Camila Podolak, sommelier e gerente de marketing da importadora curitibana Porto a Porto, vinho riserva, na Itália, significa aquele que é envelhecido (barril ou garrafa) antes de ser distribuído e que possui maior grau alcoólico.

“Sobre os vinhos chilenos, não quer dizer que um reserva seja melhor que um reservado. Mas, o reservado pode ser mais facilmente degustado no dia a dia”. Sobre os vinhos argentinos, não há uma legislação naquele país que determine as denominações. Elas podem seguir a mesma lógica chilena em termos de mercado.

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Tags: reserva vinho
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