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Cinema

A última sessão do Cine Luz

Espaço da Fundação Cultural de Curitiba fechou as portas na última quinta-feira

  • PorCristiano Castilho
  • 13/11/2009 21:09
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| Foto:

Transferência

Nova sede será na Riachuelo

Luciana Romagnolli

Ainda não há previsão de por quanto tempo o Cine Luz ficará inativo. Se­­gun­­do a diretora de ação cultural da Fundação Cultural de Curitiba, Luci Daros, o governo municipal pretende iniciar a construção da nova sede, na Rua Riachuelo, no próximo ano.

Antes, falta definir de quanto será o orçamento necessário para erguer uma sala "moderna, de acor­­do com os novos padrões de audiovisual", com espaço físico e equipamentos novos.

"Tentamos manter o Luz aberto até ter outro espaço mais encaminhado, mas não foi possível", diz Luci Daros. O fechamento foi exigido pelo Ministério Público e pelo Corpo de Bom­­beiros devido à impossibilidade de adequação às leis atuais de segurança e acessibilidade, como a abertura de duas rotas de fuga e a adaptação a portadores de necessidades especiais.

A decisão de implantar a nova sede na Riachuelo foi motivada pelos esforços de revitalização que a prefeitura tem empreendido na área. Ao lado do Luz, o Cine Ritz (cuja sede no calçadão da XV foi fechada em abril de 2006) também será reaberto no local.

Era como se o mundo tivesse acabado para Wilson Linhares, e ele não tinha nada para festejar. Pontualmente às 21h50 da última quinta-feira, o projecionista do Cine Luz, em Curitiba, apertava pela última vez um botão vermelho e quadrado dentro da abafada sala de projeção, seu habitat há seis anos. Uma hora e quarenta e seis minutos antes, quando do começo do romeno Como Eu Festejei o Fim do Mundo, último filme exibido, Wilson surgia embaixo da tela de projeção. Braços para cima, lamentava.

"Fui eu que instalei essa tela aí. Lembro até hoje. Trouxe uma escadinha, vim costurando toda ela, essa tela bonita. Me orgulho disso. Agora fica a mágoa. Você vê tudo evoluir e depois cair, de uma hora para outra", diz Linhares, que há 27 anos presta serviços à Fundação Cultural de Curitiba, mantenedora do cinema que fechou suas portas no último dia 12.

Sentada em frente à roleta metálica, estava a bilheteira Luiza Rodrigues. Vinte e três são os anos passados ali, espiando o movimento da Rua XV, da Praça Santos Andrade, vendendo bilhetes, pedindo troco para a meia-entrada de R$2,50. O último dia de trabalho no Cine Luz começou às 14 horas e seguiu até o fim da derradeira sessão, às 22 horas. Agora, não se sabe.

"É sempre ruim quando fecha um espaço de trabalho. Mas ele vai abrir em outro lugar, não vai?", pergunta Luiza. O Luz, para ela, é uma segunda casa, embora tenha a consciência de que "nada é para sempre".

Nos anos em que permaneceu sentada naquela cadeira preta, fez amigos. Ela cumprimentava a maioria dos frequentadores – "são quase sempre os mesmos", diz – e se arriscava até a dar palpites sobre o que está em cartaz. "Sei que hoje é um filme romeno, mas não vi ainda." Era a última chance.

O adeus às meninas

Foram 11 as testemunhas que acompanharam Como Eu Festejei o Fim do Mundo (2006), filme de Catalin Mitulescu. A história retrata o fim da ditadura na Romênia por meio de Eva Matei (Doroteea Petre), jovem e rebelde que sonha em se livrar das amarras do autoritário Nicolae Ceausescu. E enquanto a trama se desenrolava, Wilson Linhares festejava o fim do mundo assistindo a telejornais em sua televisão em preto e branco de 14 polegadas. Seu cinema particular. A rotina, todo esse tempo, era essa: rodar o filme, sentar em frente à tevê, apertar o botão, ir embora. Sem antes trocar algumas palavras com suas meninas – os projetores. "Aqui dentro sou eu e minhas meninas, e elas nunca me decepcionaram. Mas hoje vou ter que dizer tchau", diz Linhares.

Depois das luzes acesas, já com palavras em romeno na tela, as últimas que o Cine Luz projetaria, expressões que misturavam uma antecipada nostalgia e algo de inexplicável.

"Sabia que o cinema tinha problemas, mas não sabia que iria fechar assim, tão rápido", diz o arquiteto Gerson Smal Staehler, que frequentava o espaço esporadicamente.

E a notícia do fechamento do Cine Luz foi o que levou os amigos Denise Rogenski e Edson Carvalho Junior a ocupar uma daquelas 125 cadeiras beges e já desgastadas.

"Venho de vez em quando, mas quis comparecer hoje porque fiquei sabendo que iria fechar. Acho este cinema o mais simbólico da cidade. Parece que nós vamos perder algo, que Curitiba vai perder um pouco de sua identidade. O roteiro Teatro Guaíra – Cine Luz – Café do Teatro deixou de existir", diz a advogada.

"Eu até liguei para saber se teria programação hoje. Imaginei que teria uma barricada, alguma forma de protesto aqui na frente, mas chegamos em cima da hora e estava vazio", complementa o publicitário. As portas de vidro do Cine Luz foram fechadas pela última vez às 22h13. Duas voltas na tranca. Fim.

* * * * *

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