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Literatura

Amor e tragédia na nova obra de Marcelo Mirisola

  • Sandro Moser
Marcelo Mirisola: iconoclasta ousado |
Marcelo Mirisola: iconoclasta ousado
 
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Amor e tragédia na nova obra de Marcelo Mirisola

O amor é a tragédia inescapável neste Hosana na Sarjeta, o novo romance do escritor paulista Marcelo Mirisola. O narrador, cujo nome e a verve irônica e verborrágica são as mesmas do autor, enfrenta as circunstâncias e rigores desta magia negra, atormentado pela maldição de uma cigana: “Você nunca vai amar ninguém”.

Entre uma São Paulo sombria e opressiva e um Rio de Janeiro ensolarado e depravado, o protagonista se dá bem e mal em duas investidas românticas: uma com Paulinha Denise, uma capitu da calçada, e Ariela, um vulcão de Guarulhos casada com um corno manso.

O homem é um escritor bêbado, irresponsável, cínico e geralmente cafajeste, capaz porém, por ação ou omissão, de grandes atos do amor mais sublime e verdadeiro.

“Os torturados, os ditadores, os assassinos e genocidas, todos sem exceção, até o Zé Dirceu, estão sujeitos ao amor. Daí se deduz que o amor não é só a cura. O amor é o maior ‘fdp’ de todos”, formula Mirisola.

O autor se mostra em grande forma, reafirmando em texto curto sua qualidade de iconoclasta ousado e devastador da literatura brasileira contemporânea. Mirisola também é um aforista de mão cheia, talvez o maior de sua geração, capaz de construir frases ferinas e precisas que ficam para sempre ecoando na cabeça de seus leitores.

Sindicato

A história perece mais autobiográfica que a maioria dos textos do autor, mesmo aqueles escritos em primeira pessoa. Para Mirisola, isto se deve ao fato de que ele, como os seus leitores, faz parte do sindicato dos amores errados.

“As histórias de amor e as dores e tragédias subsequentes são iguais para todo mundo. Daí que o narrador desse Hosana... pareça mais familiar. A autobiografia aqui é dividida parcimoniosamente com o leitor”, afirma.

No final, o amor é imprescindível e isto é tão certo como o fato de que tudo vai desandar de uma hora para outra e a dor virá. Uma consciência que o narrador tem o tempo todo, mas não o impede de arriscar a própria vida neste jogo viciado. Em um momento da trama, o protagonista percebe que antes de conhecer as mulheres fatais de sua vida, batucava os sambas do Aldir Blanc no balcão, enquanto seus amigos envelheciam e morriam vertiginosamente ao lado dele. “Disso tudo, as únicas coisas que sobram são os sambas do Aldir Blanc.”

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