Muitas das obras fotografadas pela historiadora já não existem mais, foram apagadas ou sobrepostas por propagandas | Elisabeth Prosser/Divulgação
Muitas das obras fotografadas pela historiadora já não existem mais, foram apagadas ou sobrepostas por propagandas| Foto: Elisabeth Prosser/Divulgação

Pode parecer apenas um rabisco em um muro, mas é arte, tem significado e razão para estar lá. Mudar a percepção de pessoas que não têm familiaridade com o universo da arte de rua é um dos objetivos de Grafitti Curitiba, livro que a historiadora social Elisabeth Prosser lança hoje, às 19h30, no Teatro da Caixa.

Resultado de uma tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR, o livro é fruto de uma pesquisa que durou seis anos, em que a historiadora percorreu todos os cantos da cidade registrando e analisando a arte que encontrava pelas ruas. "Sou professora de História da Arte e um dos meus alunos escreveu uma monografia sobre arte de rua. A partir daí, comecei a prestar mais atenção no que via e descobri um universo sensacional, expressivo e muito significativo", conta Elisabeth.

Composto por cerca de 400 fotografias – muitas das obras registradas já não existem mais, foram destruídas, apagadas ou sobrepostas por propagandas –, o livro é dividido em capítulos que abordam os mais diversos aspectos da arte de rua: conflitos no meio urbano, diferenças entre arte e vandalismo, técnicas utilizadas pelos artistas (grafite, pichação, lambe-lambe, estêncil e sticker), territorialidade, representação da mulher, assinaturas, codinomes ou o anonimato dos autores, entre outros assuntos.

"Os artistas que conheci são pessoas maravilhosas, de fácil diálogo. Em Curitiba, esse tipo de arte é feita por gente de todas as idades e não se restringe a uma camada social específica", explica a pesquisadora, que também faz uma reflexão sobre as representações, preocupações sociais e significados das obras. "Estes vão do inconformismo com o estabelecido à chamada ação, da irreverência insolente à revolta dolorosa, da ternura lírica à violência desmedida, do humor ácido à crítica feroz, da denúncia política à tomada de consciência, do comprometimento social à brincadeira e ao jogo", aponta.

Todos esses aspectos serão retomados em uma mesa-redonda que acontece logo mais, durante o evento de lançamento do livro, que terá distribuição gratuita. Com as presenças dos artistas Valdecim­­ple's e Paulo Auma, mais o professor e sociólogo Ângelo Silva, o debate deve também contar com a participação do público, formado especialmente por artistas de rua curitibanos, que vêm aguardando ansiosamente pelo lançamento do livro.

Além

Cerca de um mês antes do lançamento de Grafitti Curitiba começaram a ser realizadas oficinas e debates sobre arte urbana. Ao todo, são seis oficinas de grafite e outras técnicas que compõem o universo da arte de rua, em bairros como Capão da Imbuia, Pinheirinho, CIC, Bairro Novo e Santa Felicidade, ministradas por grafiteiros/arte-educadores como Auma, Heal e Café. No úl­­timo sábado (20), dezenas de artistas pintaram um painel na Regional de Santa Felicidade.

"Muitos adolescentes que começaram pixando muros depois foram parar nas universidades e hoje utilizam a arte de rua como ferramenta de trabalho – são arquitetos, arte-educadores e publicitários. É um talento que acaba virando profissão", ressalta.

Serviço:

Lançamento do livro Grafitti Curitiba, de Elisabeth Seraphim Prosser. Teatro da Caixa (R. Cons. Laurindo, 280), (41) 2118-5111. Hoje, às 19h30. Entrada franca. Haverá distribuição gratuita de livros. Para mais informações sobre o trabalho da pesquisadora, acesse o site www.elisabethprosser.pro.br

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