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O ator e diretor José Wilker | Estevam Avellar / TV GLOBO
O ator e diretor José Wilker| Foto: Estevam Avellar / TV GLOBO
  • José Wilker como Zeca Diabo, em telenovela
  • Ao lado de Heitor Martinez, José Wilker atua em novela
  • Cenas da gravação de
  • Cena de casamento do personagem Jesuíno com Iracema (Amanda Richter) no remake de
  • Giovanni, personagem de José Wilker em
  • Ator José Wilker ao lado de Susana Vieira em cena da novela
  • Herbert, personagem de
  • Bianca Ramoneda durante entrevista com o ator José Wilker
  • Personagem Herbert troca olhares com Edith (Bárbara Paz) em novela Amor À Vida
  • Ator, crítico e diretor de cinema José Wilker, que faleceu na manhã deste sábado (5), no Rio de Janeiro

O ator, crítico e diretor de cinema José Wilker, de 67 anos, morreu na manhã deste sábado (05/4) no Rio de Janeiro, vítima de um infarto. Ele estava na casa da namorada, a jornalista Claudia Montenegro, em Ipanema, zona sul do Rio, quando se sentiu mal e não teve tempo de ser hospitalizado. Cearense radicado no Rio desde a juventude, Wilker teve três filhas, Isabel, com a atriz Mônica Torres, Mariana, com a atriz Renée de Vielmond e Madá, com Claudia Montenegro.

FOTOS: Veja imagens de José Wilker

Isabel, filha do ator com a atriz Mônica Torres, confirmou a morte, mas preferiu não comentar.

Entre os papéis mais marcantes estão Vadinho, de "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976) e Lorde Cigano, de "Bye Bye Brasil" (1980) no cinema, e Luís Roque Duarte (1985), em "Roque Santeiro, na televisão. Participou de quase 30 novelas na Globo.

Como diretor de TV, comandou o humorístico "Sai de Baixo" (1996) e as novelas "Louco Amor" (1983), de Gilberto Braga, e "Transas e Caretas" (1984), de Lauro César Muniz, na Globo.

Na TV Manchete, dirigiu e atuou em duas novelas: "Carmem" (1987), de Gloria Perez, e "Corpo Santo" (1987), de José Louzeiro.

Nascido em Juazeiro do Norte, no Ceará, em 1947, Wilker era filho de uma dona de casa e de um caixeiro viajante. Mudou-se ainda criança com a família para o Recife.

Sua primeira experiência em dramaturgia foi aos 13, como figurante de teleteatro da TV Rádio Clube, do Recife.

A carreira começou no Movimento Popular de Cultura (MPC) do Partido Comunista, onde estudou teatro, dirigiu espetáculos e fez documentários sobre cultura popular.

Em 1964, com o golpe militar, o filme em que trabalhava com o cineasta Eduardo Coutinho foi interrompido. Todo o acervo do MPC foi queimado, restando apenas "Cabra Marcado Para Morrer", que foi escondido.

Chegou a cursar sociologia na PUC do Rio, mas depois mudou de ideia para dedicar-se ao teatro. Levou o Molière de melhor ator, em 1970, pela peça "O Arquiteto e o Imperador da Assíria", de Fernando Arrabal.

Foi convidado por Dias Gomes para fazer sua primeira novela, "Bandeira 2" (1971). "Eu fazia teatro há dez anos, não tinha nada. Uma semana depois de estar no ar, eu era um cara com uma conta no banco, identidade, residência fixa e reconhecimento na rua. A resposta era muito imediata, intensa. Acabei gostando", disse, em depoimento ao site Memória Globo, da emissora.

O primeiro protagonista veio quatro anos depois, em 1975, na novela "Gabriela".

Foi diretor-presidente da Riofilme entre 2003 e 2008 e apresentou programas na TV sobre cinema, como o Oscar.

Entrevista

Em maio de 2013, José Wilker concedeu entrevista à Gazeta do Povo durante período de lançamento do filme "Giovanni Improtta", em que trabalhou como protagonista e diretor.

Confira os principais momentos da entrevista:

Você é tido como um dos maiores especialistas em cinema da TV Globo – tanto que é o comentarista oficial das transmissões da entrega do Oscar. Como é deixar de ser pedra para virar vidraça?

É muito bom, me sinto muito confortável. Não acredito naquela história do analista freudiano, que encontra o paciente no elevador e finge que não vê. A crítica é parte do processo de criação, eu só tenho a ganhar lendo críticas. Nós devemos à crítica a existência de um Van Gogh, de um Michelângelo... mas eu faço uma distinção entre crítica e desaforo. Se eu percebo uma crítica com a devida consistência, isso só me enriquece. Já o desaforo eu relevo, passo batido. Afinal, estou há 50 anos nesse negócio.

Saiu em algum lugar que o Cacá Diegues [produtor do filme] sonhava em ganhar um Oscar com Giovanni Improtta. Você acha que dá?

Não sei se o Cacá disse isso. Acho que o grande prêmio que o nosso cinema precisa ganhar é a adesão do público. Um Oscar não vai mudar o nosso cinema, mas uma adesão maior do público vai. E isso já está acontecendo: saímos de zero por cento de participação nas bilheterias há 20 anos para 10 a 12% hoje. Quando chegarmos aos 25%, podemos estourar o champanhe.

Foi difícil "ressuscitar" o Giovanni Improtta quase dez anos depois de Senhora do Destino (exibida em 2004)?

No filme eu não queria necessariamente o Giovanni da novela. A história é muito mais sobre o Rio de Janeiro de hoje. A geografia física, econômica, social e sexual da cidade mudou totalmente. O Rio é uma cidade nova, diferente, e o Giovanni poderia espelhar isso. O filme faz um comentário sobre a criminalidade, a corrupção e a ascensão social com ironia, sem ser carrancudo. Quis associar humor e pensamento.

Agora foi o Giovanni Improtta, em breve deve sair o filme do Crô [o mordomo afetado vivido por Marcelo Serrado em Fina Estampa]... o seu longa é o pioneiro a explorar este filão, de retomar um personagem de novela?

Beto Rockfeller [adaptação lançada em 1970 da novela homônima, exibida dois anos antes] foi o primeiro. Estamos retomando este filão, que não foi devidamente explorado desde então. O que está acontecendo agora é que a gente de fato começou a estabelecer uma relação do cinema com a televisão, e vice-versa. E, se formos ver, os países onde a tevê e o cinema deram certo, como os Estados Unidos, são aqueles em que os dois veículos trabalharam associados. Lá, há grandes atores e diretores de cinema atuando na tevê e vice-versa. No nosso caso, muitos personagens de novela podem ter uma sobrevida, porque a novela, pelo próprio formato, quase sempre só toca a superfície – e no cinema você pode fazer algo mais vertical. É uma pena que só a TV Globo esteja fazendo isso. Acho que todos os canais abertos deveriam ter essa inteligência.

Como foi a sua estreia na direção cinematográfica? Pretende repetir a experiência?

Eu adorei, claro que quero repetir! Quero filmar um roteiro meu no segundo semestre do ano que vem... é uma história bem brasileira, de um time de futebol que viaja pelo país, e também envolve uma orquestra e um puteiro. Mas neste eu não vou atuar... aliás, vou demorar muito para atuar e dirigir, é muito cansativo. E não mentalmente, fisicamente mesmo.

Como foi dirigir e atuar ao lado de amigos seus que também são monstros sagrados da nossa dramaturgia, como Milton Gonçalves, Hugo Carvana, Othon Bastos, Andréa Beltrão, Paulo Goulart e Jô Soares?

O filme só foi possível porque esse pessoal fez uma coisa carinhosérrima comigo. É uma turma que só me proporcionou alegrias. Eu sou meio rigoroso como diretor, mas todo mundo chegava na hora, não tivemos nenhum problema. Também porque durante dois meses ensaiávamos todo dia, cinco a seis horas por dia, para que na hora de rodar pudéssemos nos divertir no set, improvisar, e era uma seleção tão boa, eu tinha que botar esses caras pra jogar!

O que mais você vai aprontar este ano?

Estou meio ameaçado de fazer uma novela agora... mas de confirmado mesmo, em junho eu começo a ensaiar como ator Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, que estreia no Rio em setembro.

A sua atuação como o coronel Jesuíno Mendonça, no remake de Gabriela, o transformou em ícone pop. Montagens com o bordão "se prepara que hoje eu vou lhe usar" invadiram as redes sociais. O que você achou desta repercussão?

Eu adorei! É um autoelogio, eu nem devia falar isso, mas o coronel Jesuíno foi um dos meus melhores trabalhos na televisão. Essa repercussão toda na internet é a prova disso. Todo dia mandavam uma montagem nova para mim.Relembre alguns momentos da carreira do ator

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