Greg Stafford, líder de várias bandas e defensor do chamado “jazz tradicional”. | Divulgação
Greg Stafford, líder de várias bandas e defensor do chamado “jazz tradicional”.| Foto: Divulgação

O samba e o jazz são irmãos. Descendem de um ancestral comum: os trabalhadores escravizados no continente africano, trazidos à força para construir o “novo mundo”.

Num ponto do Oceano Atlântico houve uma separação: muitos vieram para as lavouras de cana no Brasil. Outra parte foi forçada a trabalhar nas plantações de algodão do sul dos Estados Unidos.

Tanto cá, no Rio de Janeiro, como acolá, em Nova Orleans (as cidades que mais receberam escravos), surgiu quase simultaneamente uma poderosa cultura em torno da música criada por essas pessoas. Com o tempo, essa música se tornou a manifestação cultural símbolo de cada país.

As semelhanças entre os elementos enraizados que aproximam os sons do Rio e de Nova Orleans são o argumento central do documentário “Samba & Jazz”.

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Em sua estreia como cineasta, o fotógrafo Jefferson Mello faz os tambores daqui e de lá baterem no mesmo compasso. A edição ágil e a fotografia que mistura colorido e preto e branco criam uma saborosa experiência audiovisual que ressalta os inúmeros traços comuns dos dois ritmos.

Semelhanças

Ainda que alguns estudiosos brasileiros vejam mais relação entre o samba e o blues (e entre o jazz e o choro), fica evidente no filme que as influências africanas sãs as mesmas – desde os cortejos públicos com fantasias, estandartes e instrumentos até o zelo e a estima pela tradição.

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Vemos também que a Pedra do Sal onde os malandros iam sambar no Rio tem seu equivalente na Congo Square em Nova Orleans. Que as escolas de samba são as organizações de jazz de lá; que o bairro de Madureira na Zona Norte carioca é o equivalente ao lendário French Quarter; que, quando morre um sambista, ou um jazzista, a despedida é feita com música.

O documentário usa dois personagens principais para narrar essa história. No Brasil, Pretinho da Serrinha, instrumentista completo que aos dez anos de idade já dirigia a bateria do Império Serrano. Em Nova Orleans, o entrevistado principal é o trompetista Greg Stafford, líder de várias bandas e defensor do chamado “jazz tradicional”. Mas também há depoimentos de outras figuras importantes desses ritmos irmãos, como Alcione, Arlindo Cruz, o clã Marsalis e outros.

Para quem aprecia a música maravilhosa cultivada da mesma raiz no Brasil e nos Estados Unidos, o filme é uma celebração imperdível.

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