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Kurt Russell e Samuel L. Jackson em “Os Oito Odiados”, filme inspirado na série de TV “Bonanza”. | Divulgação
Kurt Russell e Samuel L. Jackson em “Os Oito Odiados”, filme inspirado na série de TV “Bonanza”.| Foto: Divulgação

Se não há uma boa história para contar, não conte história nenhuma.

Talvez tenha faltado um amigo para aconselhar o diretor Quentin Tarantino antes de rodar seu oitavo filme, “Os Oito Odiados”.

Longo demais, com o roteiro capenga e autorreferente, personagens mal construídos e atuações protocolares, o novo faroeste de Tarantino frustra até espectadores que, como eu, são fãs do diretor e também de faroestes.

O roteiro junta as duas pontas da carreira de Tarantino. De seu primeiro filme, “Cães de Aluguel”, temos a arregimentação e reunião de várias personalidades violentas em um mesmo espaço. Fica aquela impressão que uma hora a violência vai explodir (e, claro, vai mesmo).

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O argumento de seu último filme, “Django Livre”, as tensões raciais entre o sul escravista e o norte abolicionistas depois da Guerra Civil americana, se repete neste com o embate entre o personagem de Samuel L. Jackson, um caçador de recompensa que se diz amigo pessoal do presidente Abraham Lincoln, e um general sulista vivido por Bruce Dern.

Mas também há citações de todos os outros trabalhos de Tarantino e, como de costume, de vários outros filmes célebres (“Carrie, a Estranha”, “Em Busca do Ouro”, “No Tempo das Diligências”, “Sete Homens e Um Destino”, “Era uma Vez no Oeste”, etc...).

Isso, a propósito, é o que mais incomoda no filme. São quase três horas de uma repetição exagerada de todos os elementos do cinema do diretor.

Tarantino copia de si mesmo. E o resultado é exagerado e até aborrecido.

Não que seja o pior filme do ano. De longe não é. Mas parece que hoje – e eu nunca imaginei que fosse escrever isso do sujeito que revolucionou o cinema para a minha geração – Tarantino anda preguiçoso, sem ideias e sem ímpeto. Quase esgotado.

Ainda que um ou outro diálogo seja espirituoso, em especial os que tratam de racismo, a verborragia desatada típica dos filmes de Tarantino extrapola os limites e se torna cansativa, desta vez no cenário estático da estalagem que recebe os personagens durante uma nevasca.

Até a trilha sonora do italiano Ennio Morricone, um dos compositores mais importantes do cinema, passa meio despercebida.

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