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Wilson Martins

Paraná vivo (II)

  • 17/04/2009 21:10

Com Wilheim Fugmann e Temístocles Linhares, e de Temístocles Linhares a Aroldo Murá G. Haygert (Vozes do Paraná: Retratos de Paranaenses. Curitiba: Travessa dos Editores, 2008), podemos acompanhar e compreender a dialética das transculturações cuja síntese é o Paraná contemporâneo, homens e mulheres, profissionais e artesãos, jornalistas e escritores, clérigos e políticos, cujo nomes ancestrais não raro se revelam em pessoas que agora têm apenas um passado mítico contracenando com o seu próprio passado real e, claro está, com o seu presente atual.

Assim, entre outros, Ennio Marques Ferreira, "testemunha e parceiro das mudanças em artes plásticas": "Um tímido incurável, avesso a exibicionismos e a todo sucesso prêt-à-porter, é a melhor testemunha da evolução da Arte Paranaense, que o teve, de 1955 para cá, em posições-chave em sua administração cultural e em curadorias de mostras significativas. [...] Do curador-protetor cultural há agora um resumo de vida, o livro 40 Anos de Amistoso Envolvimento com a Arte, lançado [...] em 2006, inventário de vida [...] é resumo daquilo que foi importante na vida cultural do Paraná. É obra de referência que mostra gestos de reconhecimento à obra de Ennio, como a Medalha Estrela da Solidariedade, que lhe foi dada pelo governo da Itália e a Ordem do Pinheiro, conferida pelo Governo do Estado", e outras muitas distinções, parecem até embaraçar esse "tímido incurável, avesso a exibicionismos", traços de caráter em que muitos vêem o retrato psicológico do paranaense.

Estamos vendo que, jornalista paradigmático e mestre de jornalistas, Aroldo Murá, homem de sólida formação moral, é também um mestre do retrato, além da pessoa visível, material e histórica dos seus personagens, a figura íntima e, por assim dizer, secreta, das personalidades. Será, talvez, significativo que, "destinado" pela profissão a traçar o perfil de um político como Moisés Lerner, tenha privilegiado Fani Lerner, não só pelas obras de assistência social a que se entrega, mas, ainda, pelo que biograficamente representa como parte da história cultural da região: "Como esquecer aquela Curitiba? Fani mergulha, com intimidade, nos contornos daquela cidade", a cidade das "cadeiras na calçada", como denomina esse segmento do ensaios: "Aqui e ali, menciona nomes de famílias tipicamente curitibanas, dos anos 50, 60, 70, e endereços, paisagens, tipos folclóricos, usos e costumes de uma Capital então provinciana, mas com material humano muito especial. O inconfundível DNA curitibano, do leite quente [alusão e peculiaridade da pronúncia local que parece divertir enormemente os brasileiros de outras regiões], apfel strudel, a vina [corrupção fonética local para Wienerwurst], o cuque [que no Rio Grande do Sul chamam de cuca], o café da tarde [...]" – pormenores todos que refletem a influência imemorial da imigração oitocentista.

Figura mitológica da boemia curitibana, Jamil Snege, "criador e criatura de um itinerário nonsense", assim como o não menos mitológico João Dedeus Freitas Neto, "o revisitador de Curitiba", não poderiam faltar nesta galeria de retratos, agora tanto mais preciosa por já não se encontrarem no mundo dos vivos no Paraná vivo. Do primeiro, apelidado de Turco, figura consular no mundo da publicidade, "se podia esperar quase tudo, ele não surpreendia. Só não conseguíamos entender bem [...] onde e quando ele achava tempo para estudar. Estudava para valer [...] era um atualizado em muitos saberes, com acompanhamento especial do que acontecia na literatura, a ficção importante do mundo todo. Tinha um PC na cuca [...] não foi aluno brilhante [...] não foi brilhante no ginásio e no científico... nem foi aluno de colégios notáveis [...]". Na álgebra intelectual de Jamil Snege a soma de todos esses negativos dava resultados positivos e estimulantes, embora (intervém o crítico que há em mim) tenha sido claramente maior que a sua obra escrita.

De João Dedeus Freitas Neto, morto aos 82 anos em 2004, diz Aroldo Murá que "poderia ter encerrado um ciclo de grandes testemunhas da cidade. Mas, há muitos outros, como Carneiro Neto, Belmiro Valverde... enumeração que as restrições de espaço não permitem alongar. Como nota de atualidade, há Sergiu Erdelyi, "artista, inventor, filantropo, semeador de araucárias, tipo incomum, raro, Protetor da Ecologia, inventor, administrador, artista visual, educado e filantropo, engenheiro-mecânico, poliglota", ele, como tantos outros, propondo o paradigma humano do Paraná, decantação imaginária de incontáveis elementos heterogêneos.

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