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jogo da vida

Em tempos de ‘Pokémon Go’, curitibano ganha a vida criando jogos de tabuleiro

Dono de um espaço que aluga jogos de mesa, Pedro Latro comprova que os jogos analógicos também têm vez no 11º mercado de games digitais do mundo

  • PorAngela Corrêa
  • 02/08/2016 03:00
Atenção aos detalhes e regras na infância ajudaram a compor repertório do designer. | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Atenção aos detalhes e regras na infância ajudaram a compor repertório do designer.| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Nas reuniões familiares, o designer Pedro Latro, 23 anos, era o primo que memorizava as regras dos jogos de tabuleiro e questionava qualquer movimento que fugisse à proposta que vinha no manual. “Os outros brincavam que eu estava roubando quando eu dizia ‘opa, não é assim que joga!’. É que só eu tinha paciência para ler as instruções”, ri ele, que hoje tem como profissão as divertidas tarefas de criar, testar, pesquisar e indicar títulos. O curitibano é um dos game designers da empresa Idea Jogos Pedagógicos e proprietário da Fora da Caixa, espaço com cerca de 350 jogos disponíveis para aluguel.

Latro aposta suas cartas em um nicho em expansão – ele calcula que atualmente há 15 editoras distribuindo jogos de tabuleiro no Brasil – e comprova que os jogos analógicos também têm vez no 11º mercado de games digitais do mundo. “Os tabuleiros têm uma possibilidade de interação social que é infinitamente maior do que a dos jogos digitais. O olho no olho, a conversa imediata, o mindgame (veja glossário abaixo). São lugares que o videogame não consegue alcançar com tanta facilidade”, afirma ele, que costuma atender clientes entre 20 e 30 anos.

Histórico

Pedro sempre foi um jogador empenhado, mas, no início da adolescência, se conformava com a pouca oferta que encontrava por aí. Tinha contato com War, Imagem e Ação, Banco Imobiliário, um Harry Potter importado e outros indispensáveis que vencem gerações aqui no Brasil. Avançou um pouco desse lugar-comum quando descobriu a relíquia Hero Quest, jogo de tabuleiro que flerta com o RPG (role playing game) e, no fim da adolescência, foi apresentado aos jogos clássicos de eurogame Catan e Carcasonne.

O hobby, até então solitário, só deslanchou quando o curitibano trocou o curso de Direito pelo de Design e descobriu que, como ele, havia outros aficionados pelos jogos de mesa. Confirmou que aquilo não era simplesmente entretenimento, brincadeira de criança ou coisa de nerd. “Eu encaro os jogos como uma plataforma artística, a única em que o espectador tem poder de decisão”, diz ele, que também estuda teatro, dança e canto.

Protótipo de “Tao Long”, que será lançado ainda neste ano.Hugo Harada/Gazeta do Povo

Os jogos viraram então um delicioso material de pesquisa para o designer. No início de 2013, em uma viagem internacional, voltou com 15 jogos. No meio do ano, já contava com 50, graças a leilões na internet e compras esporádicas. Foi quando o pai questionou: “O que você vai fazer com tanto jogo?”. Inspirado em algumas empresas de São Paulo e Brasília, lançou a Fora da Caixa, primeiro em um endereço on-line, depois instalado na Manticore Game Store e, desde o ano passado, na loja Vila Celta. “Eu precisava ‘arejar’ os jogos e criei a loja com dois intuitos: conseguir algum dinheiro para comprar mais jogos e para que as pessoas conseguissem conhecer esses jogos de maneira acessível”, explica.

Em equipe

Glossário

Ameritrash – O termo é pejorativo e muitos já não o utilizam, mas costuma definir os jogos temáticos, com muitos personagens com habilidades individuais e grandes embates. A sorte também pode contar na decisão desse jogo.

Eurogame – Caracteriza os jogos em que o tema é feito em sincronia com a mecânica de jogo, tem conflitos menos pesados e a habilidade é a única coisa que o jogador se apoia para vencer. Aqui a sorte não tem vez.

Mecânica de jogo – O BGG (Boarding Games Geek), database do gênero, cataloga 51 mecânicas de jogo, que nada mais são que as maneiras com que se joga. Rolagem de dados, leilões, parcerias, memória, poderes variáveis são alguns exemplos.

Mindgame – É o jogo de cena que o jogador faz para esconder se estão bem ou mal no jogo. O famoso blefe, mas que não precisa de cartas para acontecer.

Esse networking dos jogos de tabuleiro acabou rendendo ao designer a realização de um desejo que andava meio escondido. O designer Dox Lucchin, atualmente seu colega na Idea, fez o convite para colaborações eventuais, que acabaram se transformando em algo frequente. “Eu imaginava muito mais que eu seria um cara que apresentaria os jogos para as pessoas, com vídeos, com a locadora, não com a criação propriamente dita”, conta ele, que trabalha ainda com o amigo Guilherme Landgraf.

“A equipe se complementa entre os três. Mas uma das características fortes do Pedro é conhecer mecânica de jogos e a criação de regras para esses jogos”, diz Claudio Czekster, um dos proprietários da Idea.

A empresa, especializada em jogos educativos, tem aberto o leque para jogos de entretenimento. Cada detalhe é discutido por semanas e, dependendo do fluxo de trabalho, até por meses. A pesquisa é ampla e procura aproximar o tema da mecânica de jogo, um detalhe importantíssimo para os amantes dos tabuleiros. Até o fim do ano, a empresa lança os jogos “Atenção Siga!” (sobre movimentação de trânsito), “Orbitas” e “Tao Long”.Os dois últimos devem compor as prateleiras da Fora da Caixa.

Apesar de apresentar jogos para a família e amigos, Latro não se considera mais um jogador tão eufórico como antigamente. “Fiquei mais chato com o que eu jogo. Eu não gosto de coisas repetitivas ou repetidas. Tem alguns poucos que me instigam a jogar mais de uma vez”. Apesar disso, todas as tardes de quinta-feira são dias de jogatina na Idea.

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