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Sean Moore, James Dean Bradfield e Nick Wire: Manic está mais leve e conformado | Divulgação
Sean Moore, James Dean Bradfield e Nick Wire: Manic está mais leve e conformado| Foto: Divulgação

Já são quase duas décadas desde o primeiro disco, Generation Terrorists (1992), responsável por dar contornos sociopolíticos ao britpop que ainda engatinhava no Reino Unido e que seria definido anos mais tarde, principalmente, com os álbuns Definitely Maybe (Oasis, 1994) e Parklife (Blur, 1994).

Mas, depois de enfrentar toda a cena britânica dos anos 1990, erguendo uma bandeira muitas vezes anacrônica, porém legítima, os galeses do Manic Street Preachers chegam a seu décimo disco de estúdio menos incisivos, mais leves e, por que não, mais pop.

O recém-lançado Postcards from a Young Man foi definido pelo baixista da banda, Nick Wire, como "o último atentado à comunicação de massa". Para um grupo que conseguiu a proeza de colocar no topo das paradas uma música que fala sobre o colapso da classe trabalhadora britânica ("A Design for Life"), e que tem, entre suas referências, intelectuais como Noam Chomsky e Albert Camus ("The Masses Against the Classes"), até soa estranho ouvir o vocalista James Dean Bradfield – também menos agressivo –, cantar "Não é guerra/ é só o fim do amor".

Para ajudar nessa guinada, o trio formado em 1986 – também faz parte dele o baterista Sean Moore –, convidou Ian McCulloch, vocalista da banda britânica Echo & the Bunnymen, para dividir os vocais da balada "Some Kind of Nothingness". O ácido timbre de James encontra oposição no tom aveludado de Ian. O duo termina a canção acompanhado por um co­­ral angelical, sustentado por violinos e violoncelos.

A orquestração caprichada, aliás, sempre fez parte da história musical dos Manics. No novo disco, esse tratamento está mais aconchegante do que nunca e as cordas aparecem na maioria das 12 faixas.

Os Manics também sempre tiveram um apreço pelo passado -- que com eles nem sempre foi agradável. Aconteceu com eles uma das histórias mais bizarras do rock.

Quarto elemento da banda, o guitarrista Richey Edwards sumiu do mapa em 1995. Seu carro foi encontrado em uma estrada, com todas as portas abertas e as luzes acesas. Ele nunca mais foi visto. Letras de Edwards ganharam música em Journal for Plague Lovers, o "cabeçudo" disco lançado pelo grupo no ano passado. E, no mais recente, outro homenageado é Duff McKagan, ex-baixista do Guns ‘N Roses, uma das maiores influências dos galeses. Presente e a postos, ele toca em uma das músicas.

Postcards from a Young Man é um ponto alto da discografia do Manic por trazer a verve "populista" distribuída uniformemente entre as faixas. O que causa menos estranheza a quem nunca os ouviu; e mais frescor para os fãs que os têm acompanhado por todo esse tempo. Destaca-se a vitalidade musical do trio, brilhante mesmo quando tenta avançar por outros caminhos.

A faixa-título é construída sobre um riff pegajoso de guitarra, que dá lugar a um piano discreto quando James canta. "Hazelton Avenue" relembra os melhores momentos do disco Send Away the Tigers, de 2007. "Auto Intoxication" é um rock reto e sem frescuras; o solo inicial de piano em "Golden Platitudes" é seguido de uma linda e "McCartneyiana" melodia; o arranjo pop-barroco de "I Think I’ve Found It", o rock de arena de "All We Make is Entertainment" e a participação do baixista Nick Wire nos vocais de "The Future Has Been Here 4 Ever" provam porque, mesmo tendo de regular alguns botões, o Manic Street Preachers resiste. Sem perder a ternura.

Serviço:

Postcards from a Young Man. Manic Street Preachers. Columbia. Importado. Preço médio: U$ 23.

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