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Clarice (à dir.) e Liana: paixão e reverência à música clássica | Henry Milléo/Gazeta do Povo
Clarice (à dir.) e Liana: paixão e reverência à música clássica| Foto: Henry Milléo/Gazeta do Povo

Comportamento

A primeira lição para se aproximar da música clássica é prestar atenção a algumas regras básicas de comportamento durante os concertos. Relembre algumas:

Saiba quando aplaudir.

Na música clássica, os aplausos só acontecem ao fim da obra, que pode ter quatro ou cinco movimentos. Aplaudir na hora errada pode atrapalhar a concentração dos músicos.

Não se atrase.

É regra na maioria dos teatros fechar as portas quando o concerto começa.

Não converse durante o concerto.

Um bom concerto deve dar o que falar, mas só ao final. Mesmo os cochichos são audíveis no ambiente de acústica sofisticada em que os concertos acontecem.

Se levar filhos pequenos, escolha as últimas poltronas do teatro.

É importante iniciar os filhos no mundo da música clássica, mas um concerto inteiro pode ser demais. Considere assistir apenas a um trecho do programa com os pequenos e sair durante o intervalo.

Cênicas

No Brasil, escola de espectadores só existe em Porto Alegre

Uma experiência de Porto Alegre serve de incentivo à criação de mecanismos permanentes de formação de plateia por aqui também na área das artes cênicas. A Escola de Espectadores de Porto Alegre (Eepa), criada há um ano, propõe a seus alunos assistir a uma peça quinzenalmente e depois debatê-la em encontros com a presença de artistas envolvidos na montagem.

O projeto partiu de associação semelhante criada pelo argentino Jorge Dubatti, com o qual o jornalista e escritor Renato Mendonça teve contato. "A ideia foi amadurecendo até que a Coordenação de Artes Cênicas [de Porto Alegre] me convidou para coordenar a escola", contou Mendonça à Gazeta do Povo. O grupo reuniu cerca de 70 alunos, com foco em pessoas sem iniciação no teatro. Para que algo assim surgisse em Curitiba, ele sugere a definição de um local e horário fixos para as aulas e a negociação de valores reduzidos de ingresso para os participantes.

Helena Carnieri

Serviço

Curso de Formação de Plateia em Música

Solar do Rosário (R. Duque de Caxias, 4, Centro), (41) 3225-6232. Segundas-feiras, às 14h30 e às 19h30.

Centro Paranaense Feminino de Cultura (R. Visc. do Rio Branco, 1.717), (41) 3232-8123. Terças-feiras, às 14h30. O custo é de R$ 195 por mês ou de R$ 60 por aula.

Com o início de mais uma edição no Solar do Rosário, na semana passada, o curso Formação de Plateia em Música, das educadoras musicais Clarice Miranda e Liana Justus, chegou ao seu 20.º ano consecutivo.

Pelos cálculos das professoras, 40 mil pessoas passaram por suas aulas neste período, do Solar do Rosário e do Centro Paranaense Feminino de Cultura – onde acontecem este ano – até em escolas públicas em regiões periféricas, passando por temporadas por mais de 30 cidades a convite do Circuito Cultural do Banco do Brasil em 2000 e 2001.

Acompanhando de perto desde o primeiro contato de jovens com a música clássica até o desenvolvimento de carreiras prodigiosas como a do pianista Pablo Rossi, Clarice e Liana dizem ter visto o cenário musical se transformar ao longo do período em que se lançaram ao projeto, a convite do Solar do Rosário.

Uma delas é a implantação de aulas de música no ensino regular – um processo árduo, para o qual esperam contribuir com kits didáticos à venda no site do projeto (www.formacaodeplateia.com.br).

"É a nossa grande meta no momento", conta Clarice, prontamente complementada pela colega. "Somos contatadas por professores de todo o país e lembramos muito da nossa experiência quando começamos o curso. Há uma grande dificuldade de se conseguir material. Fizemos o que queríamos que existisse no começo do projeto", conta Liana.

Os kits e outras várias publicações em que as educadoras vêm trabalhando trazem a abordagem no ensino da música em que se baseia o projeto, que ensina desde orientações básicas de comportamento durante os espetáculos até os detalhes mais sutis das principais peças do universo erudito. O próximo lançamento deve se chamar Perguntas e Respostas sobre Orquestra, em que as autoras respondem a questionamentos corriqueiros nestes 20 anos.

"O curso começou sem pretensões. Íamos a concertos e ouvíamos dúvidas das pessoas, por isso resolvemos elaborar um curso para preencher essas lacunas", explica Clarice. "A tônica é a linguagem, que é a mais simples possível", diz Liana.

As educadoras falam das experiências nestes 20 anos em tom apaixonado e reverente em relação à música clássica. Contam histórias como a de uma aluna idosa que chegou trêmula às aulas, tomando antidepressivos e "achando que a vida era um horror", e que concluiu o curso de namorado, cabelo pintado e até sem bengala. "Continuamos cada vez mais apaixonadas pelo que fazemos", diz Clarice. Liana completa.

"A lição mais evidente que tivemos é que, independentemente da classe social e das oportunidades, os interesses podem ser os mesmos, as dúvidas são as mesmas. E que, à medida em que as pessoas entram em contato com a música de qualidade, a aceitação é natural", diz. "Nunca tivemos um caso de rejeição."

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