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Livro 1

O Rei da Vodca – A Saga da Família Smirnov e a Construção de um Império (foto à direita)

Linda Himelstein. Tradução de Ana Beatriz Duarte. Zahar, 364 págs., R$ 39. Biografia.

Você sabia que a palavra vodca é derivada de voda, que em russo significa "água"? Ou então que a bebida destilada era fabricada por monges, por volta do ano 1500, e utilizada como um produto medicinal? Essas e muitas outras curiosidades sobre a "água da vida", como também é conhecida na Rússia, são os pontos de altos de O Rei da Vodca, biografia de Piotr Smirnov, dono de um dos maiores impérios da bebida e criador da bilionária marca Smirnoff.

Por que ler: Escrito pela jornalista Linda Himelstein e indicado ao James Beard Award (mais importante prêmio da gastronomia norte-americana), o livro recria a incrível saga da família Smirnov, que combina política, negócios, tragédias pessoais e espírito de superação. Dono de um excelente tino comercial e criador de estratégias de marketing originais, Piotr Smirnov aproveitou uma época de ouro na política russa para tornar seu produto popular e disseminou a marca internacionalmente. Quando morreu, aos 67 anos, de parada cardíaca, Smirnov era o maior produtor de vodca do país e dono de uma empresa avaliada em US$ 265 milhões. Não é para menos: alguns anos antes da morte do empresário, a bebida era oferecida até para mulheres em trabalho de parto e bebês recém-nascidos, para acalmá-los.(JG)

DVD

Tempo das Palavras/Na Trilha de Francis (foto 1)

Francis Hime. Biscoito Fino. Preço médio R$ 45. Musical/documentário

Tempo das Palavras registra o mais recente espetáculo do cantor e compositor carioca Francis Hime, apresentado no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O repertório: canções instrumentais que criou para vários filmes, além de músicas inéditas e alguns clássicos de sua carreira.

O DVD também inclui o especial Na Trilha do Francis, dirigido por Zelito Vianna. O documentário reúne o compositor a cineastas para os quais compôs trilhas sonoras: Bruno Barreto (Dona Flor e Seus dois Maridos), Luiz Fernando Goulart (Marília e Marina), Eduardo Escorel (Lição de Amor), Maria do Rosário Nascimento Silva (Marcados para Viver) e Miguel Faria (República dos Assassinos). Gravado no estúdio da Biscoito Fino em maio de 2010, o filme, numa abordagem inédita, provocada por uma suíte pianística que o maestro compôs e apresenta aos diretores. Desenvolve-se então, um papo bem interessante sobre música e cinema.

Preste atenção: Na Trilha do Francis elucida, por meio de uma conversa descontraída entre amigos, o processo criativo do qual deriva uma trilha e de que forma, numa relação totalmente simbiótica, as "imagens musicais" criadas pelo compositor influenciam o roteiro e, em última instância, o próprio filme. (PC)

Livro 2

Fé em Deus e Pé na Tábua (foto 2)

Roberto DaMatta Rocco. 192 págs. R$ 25. Ensaio.

A partir de uma pesquisa que realizou para o governo do Espírito Santo, o professor universitário Roberto DaMatta elaborou um ensaio, de abrangência nacional, a respeito de como o trânsito, caótico, reflete a personalidade do brasileiro. O automóvel é definido pelo autor como um instrumento de poder, dominação e divisão social. Sendo assim, as ruas do Brasil têm donos, que não são aqueles que caminham, correm ou pedalam bicicletas.

Por que ler: Roberto DaMatta mostra como algumas expressões do jeitinho brasileiro estão presentes no dia-a-dia motorizado de todos nós. "Fechar" ou "furar" o sinal têm simbologias: o motorista, que tende a se sentir superior aos não motorizados, faz no asfalto tudo o que pensa ter direito. A agressividade sobre quatro rodas, sugere DaMatta, não é aleatória. Os bate-bocas, que se tornam comuns, em meio aos congestionamentos, sinalizam apenas mais uma face da violência, para não dizer faroeste, que é a vida nas metrópoles brasileiras no presente. (MRS)

CD

Anatema (foto 3)

Labirinto. Dissenso Records. Preço médio: R$25. Pós-rock.

O projeto ambicioso contabiliza sete anos de estrada, dois de gravações e mixagens e mais de uma hora de música em apenas seis faixas que, na melhor das definições, são circulares, infinitas em si mesmo. Anatema é o nome da obra, lançada agora pela banda paulistana Labirinto.

O pós-rock – gênero de música instrumental caracterizado por músicas longas e que brinca com clímax e anticlímax inesperados –, ganha um disco para figurar entre os melhores do subgênero no Brasil.

Mixado em Chicago por Greg Norman (sócio do produtor de Nirvana e Pixies), o disco revela o trabalho minucioso que teve o grupo para criar as faixas, verdadeiras viagens musicais que remetem tanto a Mogwai – referência no gênero –, e This Will Destroy You quanto ao Pink Floyd dos anos 1970.

"Reverso", por exemplo é de um minimalismo que incomoda. Guitarras altas e cortantes surgem para que coloquemos os pés no chão. "Incendiários" começa com violinos apaziguadores, mas logo avança para um crescente instrumental ininterrupto.

Ouça: Valorizando as características do pós-rock em que bebem, o sexteto cria um som inspirador e contrastante. As músicas dialogam entre si, e o álbum conceitual acaba por não ter começo nem fim. É um labirinto aconchegante, mas de difícil saída. (CC)

Livro 3

É um Livro (foto 4)

Lane Smith. Tradução de Júlia Schwarcz. Companhia das Letras, 32 págs., R$ 28,50. Infantojuvenil.

A autora resolveu contar uma pequena piada para a geração de crianças que, agora, aprende a lidar com computador antes mesmo de ser capaz de formar uma frase. As ilustrações são simples e simpáticas, com traços e cores que dão uma aparência um tanto retrô (e isso é bom!).

Sobre a tal piada. O macaquinho está sentado tranquilo lendo quando o burrinho chega e pergunta: "O que você tem aí?". "É um livro", diz o macaquinho. O burrinho pega o volume, mas não sabe o que é nem o que se pode fazer com ele. Então começa o questionário: "Dá para mandar mensagem?", "Acessar a internet?", "Postar um tuíte?", "Deslizar o texto?". A que o macaquinho, uma a uma e pacientemente, responde: "Não".

Um tanto confuso, o burrinho abre o livro. Neste ponto, a narrativa salta para as páginas que o personagem está olhando e elas mostram uma aventura sensacional, daquelas de um navio no mar com piratas e heróis. Sem perceber, o burrinho fica ali, lendo as páginas. Acha tudo aquilo incrível. Tanto que não se convence e precisa perguntar de novo o que é aquilo que tem nas mãos.

Por que ler: Numa época em que as notícias não param de enaltecer as proezas do livro eletrônico e das parafernálias usadas para acessá-los, é curioso que um título infantil sobre a força do livro de papel tenha se tornado um best seller nos EUA. Lane Smith defende que o livro é um objeto perfeito e fascinante. Para ele funcionar, é necessário apenas um leitor (de carne e osso). (IBN)

Internet

Ivan Lessa na BBC (foto 5)

BBC Brasil – www.bbc.co.uk/portuguese

Ivan Lessa é um gênio do bom texto. Por isso pode falar de qualquer coisa, pegar qualquer assunto, e fazer a leitura valer a pena. Há quase 10 anos suas crônicas são publicadas no site do serviço brasileiro da BBC. O humor, a ironia, estão em todos. Ironia que ele sempre aplica a si próprio. Em uma das últimas crônicas, o assunto é apresentado assim: "Um pouco tarde para mim, vem aí, em inglês, uma nova edição do Kama Sutra". E sobre as ilustrações do livro: "Por que tanta roupa, meu Shiva dos céus! Isso só vai atrapalhar o bom andamento do processo." Mas trechinhos de Ivan Lessa não fazem jus ao autor. Suas crônicas são primorosas, parágrafo por parágrafo.

Por que ler: Por estar vivendo há quatro décadas em Londres e fazer suas crônicas exclusivamente para a BBC (houve um curto período em que ele publicou também no Estadão), Ivan Lessa não é tão lido no Brasil quando merece, levando em conta a qualidade de seu texto e de seu humor. Ele é um bom observador do mundo moderno e seus modismos e faz um relato pitoresco do que se passa na Inglaterra. (MS)

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