A ONU tenta esclarecer se alguns de seus integrantes retiraram a escolta que acompanhava o ator George Clooney em uma visita a campos de refugiados no Chade. Tudo porque estaria temendo uma retaliação do governo contra o astro de Hollywood, que é um dos embaixadores pela paz das Nações Unidas.

Na terça-feira (17), Clooney criticou o governo local. "É o momento certo para vir aqui apoiar as pessoas. Esperamos o indiciamento do presidente sudanês Omar el Beshir pela Corte Penal Internacinoal", afirmou ele, lembrando que esta é sua quinta viagem a Darfur e ao Chade. Em julho de 2008, a Corte Penal Internacional (CPI) pediu uma ordem de prisão contra El-Beshir pelo suposto papel que teve no conflito de Darfur.

A porta-voz das Nações Unidas, Michelle Montás, confirmou que o ator americano se encontrava na perigosa região de fronteira entre Chade e Sudão, mas que a visita dele era de caráter pessoal e não como embaixador do órgão.

"Sabemos que ele estava ali, mas estamos tentando esclarecer os fatos", afirmou Montás, quem declinou confirmar a versão do publicada nesta quinta-feira (19) pelo jornal "The New York Times".

Segundo Nicholas Kristof, um colunista do jornal que acompanhou o ator em sua viagem ao Chade, representantes da ONU lhes disseram que deixariam de escoltá-lo "aparentemente preocupados com que Clooney criticasse Bashir duramente".

Kristof lembra na coluna que uma colaboradora francesa da ONG "Save The Children" foi assassinada nessa mesma região no ano passado e afirma que os veículos da ONU trafegam pela área com escolta de seguranças.

"Se a ONU é tão frouxa na proteção de um de seus embaixadores pela possibilidade de que fale mal de um genocídio, não surpreende que o organismo e a comunidade internacional não tenham podido proteger centenas de milhares de habitantes de Darfur que carecem de voz", afirma Kristof.

Montás disse que a visita de Clooney tinha sido organizada pela ONG "Not on Our Watch" (Não sob Nosso Olhar, em livre tradução), com a colaboração do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

A porta-voz disse também que a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana e no Chade (Minurcat) carece de polícia armada, e que, portanto, não poderia ter oferecido escolta nenhuma.

Segundo ela, a ONU encarrega dessas funções a polícia do Chade ou o contingente militar europeu (Eufor) na região.

A possibilidade de o Tribunal Penal Internacional (TPI) ordenar nos próximos dias a detenção do presidente Bashir por sua suspeita de responsabilidade nos massacres de Darfur -nos quais 300 mil pessoas morreram- mantém toda a região em alerta.

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