Ivens Machado esteve em bienais como a de São  Paulo e de Paris. | Rodrigo Trevisan/Divulgação
Ivens Machado esteve em bienais como a de São Paulo e de Paris.| Foto: Rodrigo Trevisan/Divulgação

Morreu aos 72, na noite de terça-feira (12), no Rio de Janeiro, o artista Ivens Machado. Ele caiu da escada em sua casa, bateu a cabeça e não resistiu a uma hemorragia interna. Um dos pioneiros da videoarte no país, o artista se firmou ao longo da carreira como escultor.

Suas obras, como um mapa do Brasil feito de concreto e cacos de vidro, sempre usou materiais precários da construção civil em alusão à falência do Estado e desmandos do poder, em especial durante o regime militar.

Nascido em Florianópolis, Machado se radicou no Rio, onde teve aulas com a artista Anna Bella Geiger e despontou na cena carioca nos anos 1970 com desenhos e gravuras.

Mais adiante, seu trabalho ganhou escala mais avantajada e sempre fez uso de materiais brutos, como cimento, cacos de vidro e azulejo e chapas de aço e madeira. São peças que seduzem o olhar, mas repelem o toque.

Ele participou quatro vezes da Bienal de São Paulo -em 1981, 1987, 1998 e 2004-, e também esteve na Bienal de Paris e na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Sua última grande mostra foi uma retrospectiva de sua obra realizada no Paço Imperial, no Rio, há sete anos.

Nos últimos anos, Machado foi se isolando da cena artística depois de passar por uma cirurgia ao se tratar de um câncer. Vivia sozinho -não se casou nem teve filhos- e pouco saía de casa. Também não tinha computador e mal usava o telefone, segundo seus amigos mais próximos.

Pessoas próximas ao artista ainda tentam liberar seu corpo, que foi levado para perícia no Instituto Médico Legal. Ele deverá ser cremado após um velório no cemitério do Caju, no Rio.

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