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Cena de “O Segredo de Seus Olhos”, filme baseado em livro do argentino Eduarco Sacheri. | Divulgação
Cena de “O Segredo de Seus Olhos”, filme baseado em livro do argentino Eduarco Sacheri.| Foto: Divulgação

Apaixonado pelo futebol, o escritor argentino Eduardo Sacheri, de 47 anos, desembarca nesta sexta-feira (11) na Bienal do Rio.

Autor do bem sucedido “O Segredo de Seus Olhos”, que chegou aos cinemas com Ricardo Darin no papel principal, Sacheri descreve em seus livros uma relação romântica entre torcedores e seus times do coração.

Um sentimento que não se abala nem mesmo com escândalos de compra de juízes e de campeonatos, como os expostos agora pela investigação na Fifa.

“Nos aproximamos do futebol com um amor tão ingênuo, tão infantil, que estamos dispostos a deixar todo o resto de lado. É um amor idealizado, no qual esquecemos o racional”, tenta explicar Sacheri à reportagem porque mantém sua fé inabalável no esporte.

O uso da primeira pessoa do plural na frase não é aleatório. Em seu mais recente livro, “As chaves do reino” (Alfaguara), lançado em junho na Argentina, o escritor revela duas histórias autobiográficas.

“Nos aproximamos do futebol com um amor tão ingênuo, tão infantil, que estamos dispostos a deixar todo o resto de lado. É um amor idealizado, no qual esquecemos o racional.”

Eduardo Sacheri escritor argentino

Na primeira, descreve quando, durante um jogo, torceu para que o time vencesse só para proteger o filho da decepção da derrota. Na outra, admite que associa a morte da avó a um empate entre River e San Lorenzo. São revelações humanas e apaixonadas, que vão muito além dos 90 minutos regulamentares de uma partida.

“Agradeço ao futebol por ser uma porta, um território conhecido, uma zona feliz da minha vida onde posso me sentir em casa”, escreve no livro.

Noutra crônica, conta uma declaração de amor de um menino pelo seu clube -uma equipe pequena, da periferia de Buenos Aires. Neste texto, tenta descrever como funciona a mágica atração que os times exercem sobre os torcedores.

“[Os clubes] São heróis que não podem te dar nada. Mas que existem, e que de vez em quando te emprestam um pouco de sua glória a troco de nada”.

Em conversa com a reportagem, antes de viajar para o Rio, Sacheri expôs um relato mais desapaixonado e cínico sobre o futebol profissional.

“Midiático e milionário, o futebol profissional se apropria desse outro esporte, o futebol amador, que todos jogamos, de equipes pobres e de atletas desconhecidos. É uma espécie de parasita, que toma energia, símbolos e carisma do outro”, diz.

“É um negócio tão próspero e, ao mesmo tempo, repleto de obscuridade e de manobras mafiosas, que não acredito que se limpe no futuro”.

Já dava para notar, em “O Segredo de Seus Olhos”, um pouco dessa obsessão pelo tema. A chave para descobrir o misterioso assassino aparece pelo futebol: “O sujeito pode mudar de tudo, mas não de paixão”, diz no filme, antes de descobrir o vilão em uma partida do Racing.

O enredo ganhou uma versão de Hollywood, com Julia Roberts e Nicole Kidman. O autor já notou algumas novidades na trama só de ver o trailer.

Há dois personagens protagonistas femininos na versão americana, e Roberts parece fundir mais de um personagem da trama original.

“Há diferenças importantes e talvez inevitáveis para ‘traduzir’ uma realidade argentina para os EUA”, afirma Sacheri, talvez antevendo uma redução do papel do futebol na versão gringa.

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