Jards Macalé fez o show de encerramento: muita coisa para contar. | Gilson Camargo/Divulgação
Jards Macalé fez o show de encerramento: muita coisa para contar.| Foto: Gilson Camargo/Divulgação

Se ainda não é o maior festival literário do país, o Litercultura, cuja a terceira edição terminou na noite de domingo (30), é o mais elegante. Começa pela escolha do Palacete Garibaldi, o “Galo das Trevas” em meio às casas históricas do bairro São Francisco.

Como aconteceu na primeira edição, em 2013, foi no amplo e iluminado salão do palácio – adornado por dezenas de lustres de cristal do século 19 – que durante três dias se falou de literatura, livros, leitura e arte, sob vários pontos de vista e com sotaques diversos.

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Em relação à duas edições anteriores, a novidade de 2015 foi a curadoria de Manoel da Costa Pinto. Nos anos anteriores, a função coube a Mário Hélio Gomes, um dos idealizadores do evento ao lado de Manoela Leão, diretora do festival.

Com experiência em curadorias de eventos literários e trânsito no meio editorial, Pinto criou uma programação memorável, sem mudar a proposta inicial do Litercultura.

Na sexta-feira (28), com uma impressionante lua cheia a invadir as janelas do salão, Alan Pauls falou de sua obra sobre um viés cinematográfico, na conversa muito bem conduzida por Christian Schwartz.

Depois, num dos pontos altos de todo o evento, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz e a historiadora Heloisa Starling falaram de forma descontraída e inteligente do livro “Brasil: uma Biografia”, uma das obras mais importantes publicadas no Brasil neste ano ao demonstrar como a violência é um traço histórico inescapável do país.

No segundo dia, um “sábado de verão” neste excêntrico inverno, ao menos 200 pessoas acompanharam o debate sobre duas figuras centrais da literatura curitibana: Jamil Snege e Manoel Carlos Karam (leia relato de Cristiano Castilho).

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O momento

Meu candidato a grande momento de toda a programação foi a aula-show de José Miguel Wisnik sobre a relação entre as palavras escritas e as cantadas no país. A profundidade e a delicadeza com que Wisnik organiza seu entendimento sobre a arte popular deveriam ser o o olhar ideal sobre o legado cultural do país nesses dias estranhos.

Ao falar sobre as estruturas harmônicas e melódicas da canção popular, Wisnik escandiu as notas fazendo a alma nacional rimar com um lirismo e alegria perdidos. Uma apresentação emocionante.

Fim

De calça e camisa negras e tênis all-Star vermelho (combinando com os óculos), Jards Macalé fez, sozinho ao violão, o show de encerramento com as mesmas características do evento como um todo: elegante, divertido e com muita coisa para contar.

Ter um evento desse porte na cidade, dividido em “capítulos” que se espalham pelo ano todo, é uma grande sorte. Não é mais possível pensar no calendário cultural de Curitiba sem o Litercultura.

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