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Capa da última edição: letra Z. | Reprodução
Capa da última edição: letra Z.| Foto: Reprodução

No combalido mercado editorial brasileiro, conseguir viabilizar uma publicação totalmente voltada à produção literária já é uma conquista. Quem dirá manter essa publicação durante sete anos, dando espaço tanto a autores consagrados quanto a jovens talentos. Essa foi a missão da revista “Arte & Letra: Estórias”, que chegou ao fim. Neste mês de dezembro foi publicada a última edição do periódico, que desde 2008 se dedicava exclusivamente à divulgação de contos inéditos ou esquecidos.

“Encerrar as atividades” é uma expressão usada frequentemente em tom de lamentação, mas não no caso da “Estórias”. Quando iniciou o projeto, em 2008, o escritor Thiago Tizzot, um dos proprietários da Editora Arte & Letra, tinha como proposta dedicar cada edição a uma letra do alfabeto. Em março daquele ano, foi lançada a edição A. “Não imaginava que chegaria ao Z”, afirma Tizzot, reconhecendo que o resultado final foi além do esperado.

Revista cumpriu seu papel, afirma idealizador

Sempre que algum produto cultural anuncia seu fim, há aqueles apreciadores que ficam na expectativa de uma mudança de rumo, de que haja uma sobrevida.

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276

foi o total de textos publicados pela Revista Arte & Letra: Estórias” em sua trajetória de sete anos – entre eles o escritor português Valter Hugo Mãe

Saideira

Revista Arte e Letra: Estórias – edição Z

Editora Arte & Letra, 84 pp. R$ 22,50

A ideia surgiu quando um grupo de pessoas ligadas à literatura tinha em mãos um vasto material de ficção, que ainda não havia sido publicado ou tinha ganhado as páginas há muito tempo. Como não havia condições de transformar isso em livro, a solução foi criar uma revista. A primeira edição trazia textos de autores como Stephen King, Cristóvão Tezza e David Foster Wallace.

“A intenção era promover essa mistura para que tivéssemos um alcance grande e pelo menos um autor mais conhecido para puxar os demais”, conta Tizzot. Além dos textos, cada edição também trazia uma ilustração, que não precisava estar relacionada com qualquer um dos contos publicados.

Essa miscelânea era justamente o trunfo da “Estórias”. Autores clássicos como Miguel de Cervantes e Edgar Allan Poe dividiram as páginas com contemporâneos do porte de Paul Auster e Valter Hugo Mãe, assim como escritores locais, como Márcio Renato dos Santos e Paulo Venturelli.

Em mais sete anos, o saldo final foi de 26 edições, contendo 276 textos de 269 autores diferentes.

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