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Mudanças de formação e de sonoridade são comuns na carreira de qualquer banda. Mas não é um exagero afirmar que o grupo Macaco Bong, que se apresenta no Teatro do Paiol nesta quinta-feira (11), às 20 horas, volta a Curitiba em uma fase nova.

A começar pelo som: Bruno Kayapy, único integrante remanescente da formação que lançou “Artista Igual Pedreiro” – eleito o melhor disco brasileiro de 2008 pela revista especializada em música “Rolling Stone” – mudou da guitarra para o contrabaixo, compondo uma configuração atípica para o trio ao lado do também baixista Igor Jaú e do baterista Eder Uchôa.

Foi assim que o Macaco Bong gravou seu terceiro disco, “Macumba Afrocimética”, lançado em maio (baixe no site da banda). Nas mãos de Kayapy, um guitarrista habilidoso, o contrabaixo (devido a características próprias do instrumento, como o registro grave e o padrão de quatro cordas ao invés de seis, no caso da guitarra), dá forma a sons mais descarnados, embora mais pesados, além de seguir por caminhos melódicos mais minimalistas.

“O baixo trouxe para mim coisas que estou mais disposto a fazer”, conta Kayapy, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo. “Naturalmente, as ideias que vinha tendo soavam em regiões mais graves”, diz.

Com Julito segurando as pontas mais propriamente como baixista tradicional (e ajudando Kayapy a criar ruídos e texturas que permeiam o álbum) e impulsionado pela pegada mais “groovy” do baterista Daniel Fumega, o novo trabalho passa por gêneros e estilos como o funk, o “stoner rock” e o blues. A banda busca direções diferentes de álbuns anteriores, cujas músicas a atual formação nem é capaz de reproduzir fielmente.

Recomeço

As mudanças não se devem apenas à inquietude artística do Macaco Bong – atributo, aliás, essencial para um trabalho de música instrumental.

Kayapy teve, de fato, que fazer uma espécie de reinicialização do projeto depois de se desligar, em 2013, da rede de coletivos de cultura Fora do Eixo.

Serviço

Macaco Bong – Show de lançamento do álbum “Macumba Afrocimética”

Teatro do Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº), (41) 3213-1340. Dia 11, às 20 horas. R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Pontos de venda: bilheteria do Paiol (das 13h30 às 19h) e Restaurante Mezanino das Artes (Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 805, das 11h30 às 23h). Sujeito à lotação. Mais informações no Guia.

O rompimento foi público, marcado por críticas do músico ao coletivo – cuja política de não pagamento de cachês aos artistas que circulam por meio de seus festivais, por exemplo, já era assunto controverso. E automaticamente colocou Kayapy como inimigo do Fora do Eixo, fechando as portas da rede para ele. “Eu tinha mil amigos e, de uma hora para a outra, não tinha mais nenhum”, diz o músico, que conta ter passado por um período complicado, marcado pelo isolamento e pelo medo de não conseguir voltar a inserir o grupo no mercado.

Um novo trabalho, então, teria de ser um recomeço. “Quis dar uma apagada nisso tudo e deixar claro que o Macaco Bong está olhando para frente, para o futuro da banda”, explica Kayapy.

E a virada vem dando certo, de acordo com o músico. “Em todos os shows que temos feito, a casa está lotada. Antes de começar o show, as pessoas estão com as barrigas coladas no palco, vibram o show inteiro, conversam com a gente quando o show acaba e demonstram um respeito e um carinho que eu não imaginava que teria. Isso está me curando”, conta.

“Estou feliz como em 2004”, diz, referindo-se ao ano de formação da banda, em Cuiabá. “Parece que estou montando o Macaco Bong hoje.”

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