
O encontro que acontece hoje e amanhã na Capela Santa Maria figura-se quase como um "ufanismo paranaense". Sob as batutas do maestro Rogério Krieger, a Orquestra Solistas de Londrina apresentará composições de vários músicos do estado de Brasílio Itiberê a uma fantasia musical baseada na poesia de Helena Kolody. Vencedora do prêmio TIM de Música Brasileira nas categorias melhor CD erudito e melhor projeto visual com o disco Imagens Brasileiras (2002), esta será a primeira vez que a Orquestra se apresenta em Curitiba em seus 11 anos de existência.
"Esse é um projeto histórico. A orquestra tem hoje um nível internacional e é motivo de alegria para todos nós paranaenses", diz Krieger, violinista e cofundador da Orquestra Sinfônica do Paraná.
Idealizado pelo produtor Álvaro Collaço, os concertos marcam o primeiro encontro entre o maestro e a orquestra, dirigida pelo violonista búlgaro Evgueny Ratchev.
No programa, sete obras e duas partes distintas. Os primeiros acordes remetem ao século 19. São do parnanguara Brasílio Itiberê (1846 1913), um dos precursores da música dita nacionalista. "Ele não era músico profissional, era uma espécie de embaixador da música e divulgou nossa cultura na Europa", explica Krieger.
Outro homenageado será Bento Mossurunga (1879-1970). Nascido em Castro, o maestro foi fundador da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) e da Orquestra Juvenil de Concertos, atual Orquestra Juvenil da UFPR. "Na primeira metade do século 20, ele foi muito importante em Curitiba, já que tínhamos muitos espaços para a música feita ao vivo. Havia saraus, festas, encontros sociais e os café-concertos. O Mossurunga também criou muita música para o teatro", diz o maestro, nostálgico. "Naquela época havia um maior romantismo em relação a nossa profissão."
Composições de um outro músico que se confundiu com a história recente do Paraná também serão executadas.
Henrique Morozowicz (1934-2008) era mais conhecido como Henrique de Curitiba. Pianista, compositor e maestro, destacou-se em bienais de música contemporânea e deixou uma obra vasta, em que se destacam peças para conjuntos de câmara e para piano. Também é o predileto de Krieger. "Ele é o maior compositor erudito do Paraná e ajudou a divulgar e a fomentar o estilo em todo o estado", explica. Vencedor do Edital da Memória, da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), um projeto pretende relançar ainda este ano suas obras para voz.
A segunda parte do concerto é voltada a obras inéditas do próprio regente. A peça A Lua de Helena foi escrita para orquestra de cordas e piano-solo, inspirada na obra da poetisa paranaense Helena Kolody (1912-1904). Ao piano, haverá a participação especial da búlgara Irina Ratchava.
Outra obra com sotaque paranaense é Capoeira e Fandango, que imita, em cordas de cellos, violinos, viola e contrabaixo, os timbres característicos dessas manifestações folclóricas nacionais. Já Segundo Ponteio obra para cordas escrita em 2005 , é inspirada em um movimento de viola comum no extremo sul do Brasil. O ponteio consiste em premir rapidamente com os dedos as cordas do instrumento.
Rogério Krieger também está em processo de edição de seu primeiro livro de partituras. Sinfonia Triunfal "sobre o poder que a música tem sobre as pessoas" foi vencedora do Edital de Partituras da FCC em 2008 e deverá ser lançado neste ano.
Serviço
Orquestra Solista de Londrina sob regência de Rogério Krieger. Capela Santa Maria - Espaço Cultural (R. Conselheiro Laurindo, 273), (41) 3321-2840. Hoje e amanhã às 20h30. R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada).








