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Opinião

Please, come back

Atemporal, o som do Fellini resiste à passagem do tempo: o show de 25 anos em Curitiba fez os fãs se emocionarem | Marcelo Stammer/ Divulgação
Atemporal, o som do Fellini resiste à passagem do tempo: o show de 25 anos em Curitiba fez os fãs se emocionarem (Foto: Marcelo Stammer/ Divulgação)

A noite do sábado passado foi, pelo menos para cinco centenas de curitibanos, um retorno à década de 1980. Faz tempo que não fazia tanto frio em Curitiba (como geladas foram as madrugadas de 1987, por exemplo). Mas o que funcionou como máquina do tempo foi o show que o Fellini realizou no palco do John Bull Music Hall, em meio ao Rock de Inverno 7.

Estava decidido a não ir. Mas o Cristiano Castilho, colega de redação, colocou um post no blog do Caderno G, na quinta-feira (23), lembrando o quanto sou, ou fui, fã da banda paulistana. No final da tarde de sexta-feira (24), encontrei, por acaso, o Marcos Gusso – um dos músicos mais talentosos que Curitiba produziu. "Você vai no Fellini. Você não pode perder", disse Gusso, antes mesmo de falar "oi".

Um, dois sinais. Não poderia deixar de ir.

Parados, com as mãos nos bolsos, ou exagerados, com todo corpo em movimento, estávamos lá, eu e muitos fãs. Antes do primeiro acorde, quando os integrantes da banda entraram no palco, abriu-se um portal. De um jeito, que não tem explicação, os anos 1980 voltavam.

O som do Fellini é tão "atual" como pouco conjuntos contemporâneos conseguem ser. A banda, independente desde sempre, não "aconteceu". Mas não soa anacrônica, e datada, como soam hoje os sucessos daquela década perdida: RPM, Barão Vermelho e Titãs.

"Please, come back", o refrão da inusitada e sedutora canção de amor "Teu Inglês", foi cantado em coro. "Você nem imagina, o que você não conheceu", trecho da letra de "Rock Europeu", também mobilizou uma plateia atenta e comovida. Emocionados, com lágrimas ou sorrisos, nós, que lá estávamos, presenciamos um show único.

O Fellini já acabou, mas eles se reuniram para comemorar os 25 anos de "vida". Foram apenas duas apresentações, uma em São Paulo e a que aconteceu aqui, em Curitiba. Eles existiram, enquanto foi possível, sem chamar atenção do "grande público".

O primeiro álbum, de 1985, O Adeus de Fellini, já sinalizava que talvez não houvesse futuro para aquela proposta libertária, com letras não-óbvias, sem virtuosismo e gravações precárias. No ano seguinte, lançaram Fellini Só Vive Duas Vezes. Tudo parecia fadado a não ter prosseguimento. O disco de vinil 3 Lugares Diferentes, de 1987, foi apontado pela crítica como destaque daquele ano, à frente de Legião Urbana e outros conjuntos endossados por gravadoras multinacionais.

Haveria dois outros álbuns, mas a banda se desmancharia.

O vocalista Cadão Volpato, os (excelentes) guitarristas Thomas Pappon e Jayr Marcos, e o baixista Ricardo Salvagni fizeram a vida com outras atividades, sem "depender" da banda para sobreviver. "Envelheceram" bem. Mostraram, no palco curitibano, acompanhados do baterista Cleyton Martin (Cidadão Instigado), que gostam mesmo de tocar.

O show acabou, obviamente não era a década de 1980 que soava, mas 2009. O Fellini não teve músicas na programação de rádio e televisão, mas tocou, e ainda toca, muita gente – como eu, que saí do John Bull Music Hall com a impressão de ter presenciado uma das experiências mais incríveis dessa vida.

(Isso não teria sido um sonho?)

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