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O 3D pode ser uma distração num filme de ficção, mas parece perfeito para documentários. O cineasta alemão Wim Wenders, que fez Buena Vista Social Club (1999) e finaliza um filme sobre a coreógrafa Pina Bausch (1940-2009), disse que o 3D é uma "ferramenta ideal" para documentaristas, durante o Festival Internacional de Cinema da Transilvânia, de acordo com informações da agência France Presse.

Outro alemão, Werner Herzog, radicado nos EUA, diretor de O Homem-urso (2005) e Fitzcarraldo (1982), está rodando em 3D um documentário sobre pinturas pré-históricas em cavernas da França.

Para entender o entusiasmo dos documentaristas, veja uma sessão de Um Mar de Aventuras (2009), no Dom Bosco IMAX Theatre. O filme é bastante simples e despretensioso ao registrar a vida marítima em regiões como Papua Nova Guiné e Austrália.

O narrador apresenta uma espécie de peixe, fala um pouco sobre como ele se reproduz e se alimenta, enquanto isso o peixe nada tranquilamente e você tem tempo de se impressionar com suas cores e movimentos, ao mesmo tempo que curte o efeito 3D. Não há história, enredo ou personagens. Só imagens e informação.

O ritmo do documentário é um pouco lento e a edição de imagens evita cortes rápidos e movimentos de câmera. Lembra um aquário gigante.

Talvez isso explique a simplicidade do roteiro de Avatar. James Cameron precisava criar uma história trivial para deixar o público se preocupar só com os efeitos tridimensionais e as dores de cabeça que pudesse causar. Afinal, o 3D pode mesmo ser uma distração.

Essa não é a primeira vez que o cinema se sente ameaçado e, toda vez que isso acontece, ele tenta oferecer alguma novidade, algo que faça as pessoas saírem de casa. Nesse raciocínio, o 3D também não deve durar muito, pois as televisões 3D já começam a ser vendidas (a indústria pornô aguarda ansiosa pela possibilidade de explorar a novidade).

Para o crítico Roger Ebert, o 3D deveria ser tratado como mais uma opção e não a resposta para todos os problemas, ou, para usar palavras suas, um "modo de vida". Exatamente o que Holly­­wood está fazendo. (IBN)

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