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Um celeiro de atores

Depois de anos inativo, o curso de teatro do Colégio Estadual do Paraná, que revelou grandes profissionais dos palcos e da tevê, volta à ativa e forma a primeira turma

  • Luciana Romagnolli
Alunos do ensino médio, orientados pela professora Raquel Mastey (de jaleco), fazem curso de teatro profissionalizante |
Alunos do ensino médio, orientados pela professora Raquel Mastey (de jaleco), fazem curso de teatro profissionalizante
 
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Um celeiro de atores

Um tanto da história do teatro paranaense passou pelas salas do Colégio Estadual do Paraná. Não só teatral, é verdade. Do curso de formação de atores que a instituição manteve por meio século, saíram profissionais dos palcos como o iluminador Beto Bruel, a atriz Odelair Rodrigues (1935-2003), Luís Melo e Ranieri González, e também aqueles que se consagraram na tevê, desde Ary Fontoura a Marjorie Estiano.

Fechado em 2000, quando a turma de Marjorie e do ator Leonardo Miggiorin (que estreou na minissérie Presença de Anita) se formou, o curso ficou quase uma década parado. Até que no ano passado, enfim, foi retomado. A primeira turma dessa nova geração assistiu à última aula na noite de quarta-feira e, agora, está pronta para entrar em cena.

Naldo Rodrigues é um dos mais destacados desse grupo. Ele interrompe uma gravação como locutor para conversar com a reportagem da Gazeta do Povo. Desde quando iniciou o curso de ator, em fevereiro de 2009, tem cumprido uma trajetória crescente. Fez figuração em um episódio do Casos e Causos, da RPCTV, dirigido por Fernando Severo. Agradou e foi promovido a um papel maior, com direito a nome na tela, em outro episódio. Até interpretar um fantasma de José Maria Santos num terceiro, “Um Carnaval do Outro Mundo”. Sem falar nos comerciais para redes bancárias e de fast-food.

Aos 38 anos, funcionário público, administrador e especialista em gestão de pessoas, Naldo voltou a investir no sonho antigo de ser ator. Com a primeira turma de adultos dessa nova fase do curso de artes dramáticas do CEP, atuou no espetáculo Quanto Mais Millôr, assumindo vários papéis. E, na peça de formatura, foi o Jasão de Medeia Plural, falando espanhol em uma montagem que recorria a várias línguas para dar a ideia de universalidade do mito. Com ele, terminaram o curso mais 11 atores.

Outras duas turmas de adultos estão estudando um pouco de tudo sobre teatro, em aulas à noite, a semana toda. Teoria e prática, expressão corporal, atuação e caracterização. São eles quem fazem a maquiagem, os croquis dos figurinos, modelam, costuram e montam. Também aprendem iluminação e planejam os cenários. Para Medeia Plural, usaram a própria fachada do salão nobre do CEP e algumas cadeiras.

Para ingressar no curso, é preciso ter en­­sino médio completo e boas notas nas provas de português e matemática. A renda também conta: quanto menor, mais chances. Por enquanto, o teste vocacional fica de fora.

Garotos

Há ainda uma turma de garotos e garotas do ensino médio. Eles aprendem teatro junto das matérias do currículo normal, num sistema integrado. Maianna Debur, aluna do primeiro ano, passa o dia todo no colégio e acha “bem mais divertido” assim. “Não é amador”, ela diz. “O curso ensina muita coisa, como Stanislavski e outros”, completa citando o mestre russo que propôs um dos métodos mais famosos de interpretação, na virada do século 19 para o 20.

A garota de 15 anos fez vários personagens na peça Computa.Com, apresentada no festival Fera Com Ciência. Entre eles, o vírus H1N1. Agora, está ensaiando uma peça de Bertolt Brecht, Aqueles Que Dizem Sim e Aqueles Que Dizem Não. Os papeis ainda não foram distribuídos.

Quem resgatou o curso foi a ex-diretora do CEP Madselva Feiges e a professora Raquel Mastey. Esta, parou o mestrado em teatro na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), para assumir a coordenação. Desde 2000 não eram abertas novas turmas e, em 2003, a última havia se formado. A paralisação teve uma primeira causa jurídica: a sanção de uma lei que acabava com o ensino médio profissionalizante no país. Mas a lei foi revista e nada mudou. “A gente não conseguia resgatar o curso de ator. Demorou”, diz Raquel.

Orgulhosa, ela conta de seus pupilos adultos que hoje atuam em longas-metragens, como o recém-gravado Circular, e comerciais de veiculação nacional. E diz que na turma de ensino médio não houve nenhuma desistência. “Uns chegam pensando que vão entrar na Malhação, mas veem que teatro é trabalho e mudam a mentalidade”, relata a professora.

Nunca foi o caso de Naldo Ro­­drigues. Mas mesmo ele passou a acreditar mais na carreira depois de passar pelo curso. “Quero correr atrás desse sonho que deixei dormindo por 15 anos, para chegar a viver de teatro”, planeja.

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