A legendária Nathalia Timberg encarna uma das três fases da adaptação beckettiana | Rafael Avancini/ Divulgação
A legendária Nathalia Timberg encarna uma das três fases da adaptação beckettiana| Foto: Rafael Avancini/ Divulgação

Teatro

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Prepare-se. Amanhã e domingo, Curitiba receberá um dos encontros teatrais mais instigantes e provocativos da dramaturgia contemporânea: o universo fragmentário do diretor e dramaturgo carioca Roberto Alvim se entrelaça com a perplexidade e o vazio existencialista de Samuel Beckett em Tríptico Samuel Beckett.

Integrante do Projeto Sesi Teatro, a peça é a adaptação livre da trilogia-testamento do dramaturgo irlandês, vencedor do Nobel de Literatura de 1969, formada por Para o Pior Avante, Companhia e Mal Visto Mal Dito. Em comum, além de ser um material nunca encenado no Brasil, um certo espírito de resposta ao tempo do autor.

"Sempre quis trabalhar com Beckett e trazer o seu olhar de espanto e indecisão diante do mundo para os palcos. Mas não queria trabalhar com os lugares comuns, com aquilo que todo mundo já realizou. Queria trazer uma contribuição, abrir um novo caminho e uma nova discussão. E nesta trilogia ele apresenta propostas narrativas muito ousadas", afirma Roberto Alvim.

De modo geral – já que é quase petulância dizer objetivamente sobre o que tratam as obras de Beckett –, a peça aborda a vida de uma mulher em três idades de sua existência– infância, maturidade e velhice. A partir de questionamentos sobre a vida, a morte, o presente e, claro, as noções básicas de história, a montagem constrói uma espécie de olhar sobre a tragédia humana – nos textos originais, não há definição de gênero.

"Buscamos encenar os jogos mentais da narrativa, mas através da minha percepção sobre os textos. Quando monto uma peça, busco não considerar que Beckett era isso, era aquilo, o grande escritor do pós-guerra: nada disso me interessa. Quis trazer uma sensação de espanto e uma certa frescura inaugural", confessa Alvim.

Fracasso?

O elenco de Tríptico não é nada modesto. Para representar os processos psicológicos, Alvim trouxe a icônica Nathalia Timberg. Ela divide o palco com Juliana Galdino e Paula Spinelli. "Sempre quis trabalhar com ela. Quando li Mal Visto Mal Dito, logo pensei nela para a composição cênica", relembra. O diretor comenta que, durante os ensaios, Nathalia chegou a questionar o potencial comunicativo de sua adaptação. "Ela dizia que ninguém iria sair de casa para ver três mulheres personificando a tragédia humana a partir de Beckett. Eu discordava. Quando começamos a carreira do espetáculo, percebemos o que tínhamos em mão. Por onde a peça passou, lotou", revela. "Beckett sabia das coisas nessa sua trilogia-testamento: nós somos linguagem. E isso o público compreende e significa."

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