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Futebol brasileiro não deixou saudades em 2018. Há motivos para esperar mais em 2019? 

Volante Bruno Henrique, do campeão Palmeiras, desarma Nikão, do Athletico. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Volante Bruno Henrique, do campeão Palmeiras, desarma Nikão, do Athletico. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Em que lugar do mundo o time que tem menor posse de bola é líder de uma liga por oito rodadas, seis delas consecutivas? Antes de perder de vez a primeira posição na Série A 2018, o São Paulo era o último em tal quesito com pouco mais de 7,5 mil passes trocados contra mais de 12 mil do Grêmio. Era o sucesso do chamado “futebol reativo”, que seguiria rumo ao título, com êxito, mudando apenas de camisa, com o sucesso do Palmeiras campeão. 

Para erguer o troféu, o time de Luiz Felipe Scolari não poupou pragmatismo e chutões. Não existe aquele papo do tatiquês de “sair da pressão” sem rifar a bola, ou seja, a equipe, quando atacada em seu campo e com escassos espaços, sequer pensa em se livrar da armadilha tocando a pelota. Afastava a mesma da zona de perigo à base de bicudas mesmo. O campeão foi sexto em rebatidas, atrás de cinco rebaixados ou que lutaram contra a queda. 

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Jamais foi proibido jogar assim e se defender bem é fundamental, pois não existe time que, sofrendo muitos gols, consiga a cada jogo tamanha eficiência ofensiva que o leve a marcar mais. Equilíbrio entre o atacar e o defender é a chave, e o Palmeiras fechou o certame como o time que mais marcou e menos sofreu tentos. O desafio aí é ir além da frieza dos números, que, como diz o jornalista Lúcio de Castro, sob tortura “dizem” qualquer coisa. 

O futebol praticado no Brasil está sob o domínio do pragmatismo, tendência que parece mais forte novamente. Como nos tempos do Muricybol, estilo perpetuado por Muricy Ramalho no São Paulo tricampeão nacional entre 2006 e 2008, que levou o Fluminense ao mesmo título em 2010 e o Santos à conquista da Libertadores no ano seguinte. Elencos fortes e técnicos, como o do Cruzeiro, bicampeão da Copa do Brasil, reforçam a certeza de tal tendência. 

Não ter a bola por muito tempo e jogar no erro rival é estratagema comum entre times mais fracos, normal ver isso em qualquer parte do planeta. O estranho é observar elencos mais fartos, caros e técnicos apoiados basicamente na mesma forma de atuar. E isso não é comum por aí, exceto no Brasil, onde os treinadores buscam atalhos para a vitória adotando maneiras de jogar que exigem menos tempo, conhecimento e métodos de treinamento sofisticados.  

Com qualidade técnica do meio para a frente e defesa feroz, um time tem boas chances de ser competitivo no futebol por aqui praticado. O Cruzeiro de Mano Menezes e o Palmeiras de Felipão confirmam a tese. Mas não esqueçamos que ambos caíram diante do Boca Juniors no certame que mais desejavam, a Libertadores da América, claramente superados em desempenho e resultados pelo time argentino, que nem era tão bom assim.

Mano Menezes já antecipou: nada de novidades no ano que começa. “O torcedor do Cruzeiro pode ter certeza absoluta que teremos um time que jogará mais ou menos parecido que jogou nos últimos anos, de uma maneira um pouquinho sem graça, mas que ganha e conquista títulos, independentemente de quem estiver. E quem estiver certamente estará com vontade de que seja sim, porque sabe que isso traz resultado”.

Imagine se os treinadores de Real Madrid, Barcelona, Liverpool, Manchester City, Juventus, Borussia Dortmund, Bayern Munique e outros grandes clubes europeus pensassem assim. Como se apenas dessa maneira fosse possível vencer. Como se os times brasileiros que adotam tão obsoleta proposta imperassem nas competições sul-americanas. Se depender dessa filosofia paupérrima, seguiremos nas trevas.

Até que alguém consiga provar o contrário, não há motivos para esperar mais em 2019.

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As tentativas do Flamengo de contratar jogadores do Cruzeiro irritaram dirigentes mineiros. Há pouco mais de um ano, o “predador” era justamente o clube celeste, que tirou Bruno Silva do Botafogo em situação que irritou torcedores alvinegros. O volante, por sinal, não vingou em Belo Horizonte e rumou para o Fluminense. 

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O Palmeiras já foi assediado pelo mercado internacional, mas nada capaz de levar alguns dos campeões brasileiros virá. Dependendo do atleta e do que for ofertado, saídas serão registradas. Mas Dudu, principal nome na campanha do título nacional em 2018, não partirá a preço de banana, segundo quem decide. A ideia é jogar duro, especialmente se for uma nova abordagem chinesa. 

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O modus operandi dos clubes da China irrita Palmeiras e outros no Brasil. Em geral, os atletas são atraídos com propostas salariais elevadíssimas, inimagináveis até. Mas para os clubes que detêm os direitos sobre os jogadores as cifras não são tão generosas. Ou seja, o jogador fica com a cabeça virada ante a possibilidade de resolver sua vida financeira e de herdeiros por gerações. E em geral força a saída. 

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O Corinthians faz várias contratações, empolga torcedores, mas são até aqui nomes modestos, razoáveis, exceto pelo bom Ramiro, ex-Grêmio, e pelo goleador Mauro Boselli, que deixou o León, do México, para vestir a camisa do campeão paulista. Exímio cabeceador — a cada três gols um deles é feito dessa maneira —, o argentino é o segundo maior artilheiro do clube mexicano. 

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Coritiba tentou o empréstimo de Muralha. O controverso goleiro do Flamengo precisa recomeçar, após o imenso desgaste provocado pelas falhas cometidas em 2017. Isso o levou a uma temporada na segunda divisão japonesa. Seja lá quem venha a contratar o ex-Figueirense, vale procurar entender até que ponto o arqueiro aprendeu com os erros cometidos quando atuando pelo time rubro-negro. Para que não os repita, evidentemente

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Chegando ao Athletico, Marco Ruben já viveu fases melhores no Rosario Central. Vestindo a camisa do campeão da Copa Argentina, o centroavante fez 41 jogos entre 2017 e 2018, marcando apenas seis gols após 65 finalizações. Desses, dois foram de cabeça e os demais com o pé direito. Em 2015, quando voltou ao time “Canalla” após passagem pelo Tigres, do México, somou 21 gols em 30 jogos pelo campeonato argentino. Resta saber se conseguirá, aos 32 anos, voltar a ser tão bom. 

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