Logotipo Futebol 2019

Neymar usa redes sociais e generosidade da mídia para se manter visível

Neymar faz pose no Instagram.
Neymar faz pose no Instagram.

Neymar está lesionado, só deve reaparecer nos gramados em abril. A contusão, em 23 de janeiro, no jogo contra o Strasbourg, afetou o quinto metatarso do pé direito, aquele que o fez desfalcar o Paris Saint Germain durante o primeiro semestre de 2018. Mas a fratura, menos grave que a do ano passado, não afetou seu espaço na mídia.

Primeiro Placar fez uma capa que o trata como “o maior jogador brasileiro pós-Pelé”. Nada demais alguém ter esse pensamento, vê-lo de tal forma. Direito à opinião todos temos, ainda. O ponto é outro: uma revista com quase meio século de história (foi criada em 1970) carrega responsabilidade jornalística que justifique seu prestígio.

A capa de Placar: Neymar como o melhor jogador brasileiro depois que Pelé parou de jogar, segundo a revista

A capa de Placar: Neymar como o melhor jogador brasileiro depois que Pelé parou

Quando um cidadão afirma que A é melhor do que B, podemos encarar como mero ponto de vista individual. Concordamos, discordamos, total ou parcialmente e seguimos em frente. Mas se uma publicação afirma algo de forma categórica, é preciso o mínimo de conteúdo, de argumentos, de fatos que sustentem aquela tese. E não é o caso.

A generosidade de Placar com Neymar não é nova. Quando detinha o Bola de Prata — troféu há 49 anos dado aos melhores do Campeonato Brasileiro, que por décadas foi da revista e hoje é promovido pela ESPN, detentora da premiação —, a publicação transformou o atacante em hors concours, status anteriormente concedido apenas a Pelé.

Um óbvio exagero. Neymar tinha, então, 20 anos, duas Bolas de Prata (2010 e 2011) e uma de Ouro, dada ao melhor jogador da Série A (2011). A Copa do Brasil, o título Estadual e a Libertadores por ele conquistados até então, além de grande exibições, obviamente não bastavam para elevar o jovem craque a tal patamar. Mas o fizeram.

Neymar é midiático e a polêmica pela polêmica que a capa de Placar fez brotar valeu para que as pessoas lembrassem que a revista ainda existe. Não foi por uma grande reportagem que ela deu sinal de vida, mas por um factoide tolo, criado por intermédio de uma capa descabida. Credibilidade se constrói em anos, mas se perde rapidamente.

O sucesso efêmero da capa evidencia que, além das caronas que este ou aquele possa pegar na onda “Neymariana”, o jogador conta com boa vontade de parte significativa da mídia. Na terça-feira, o PSG venceu o Manchester United em Old Trafford. E os atletas que construíram o resultado acabaram por dividir espaço com ele logo depois.

Neymar com os “parças” comemorando gol do PSG contra o Manchester United

Não demorou a surgir nas redes sociais um vídeo do jogador comemorando os gols. Foi postado pela OTRO, plataforma digital paga por meio da qual estrelas compartilham vídeos, fotos e textos. Nela estão outros nomes, como Messi, Beckham, Zidane, James Rodríguez, Suárez, Isco, Lukaku, Dybala, Gabriel Jesus, Dele Alli e David Luiz.

Obviamente a mídia espalhou o vídeo ainda mais, numa generosa promoção para o craque, embora nem pareça registrar momento de tanta emoção entre ele e seus inseparáveis “parças”. Fato: se Neymar está machucado e não pode brilhar em campo, ajudando o PSG, isso não significa que ficará fora da festa virtual pela vitória.

Ele tem 42,4 milhões de seguidores no Twitter e 111,3 milhões no Instagram. Ao compartilhar os vídeos publicados pela OTRO, obviamente alavanca o negócio. E é inegável que o camisa 10 da seleção brasileira explora até o talo essas oportunidades. Não, isso não é proibido, obviamente, faz parte do universos dos pops stars da atualidade.

Mas pelo que já fez em campo, que é menos do que poderia ter alcançado com o talento que a natureza lhe presenciou, Neymar não é/foi excepcional a ponto de ficar fora de disputas por troféus como a Bola de Prata. Nem é indiscutivelmente o melhor pós-Pelé. Mas há algo no qual parece mesmo o maioral: marketing pessoal.

Nesse terreno, se jogasse nos atuais tempos de instagrameadores e influenciadores, provavelmente nem o “Rei do Futebol” o superaria. Taí uma boa sugestão de capa, querida Placar.

Após o gol de Mbappé, Neymar imita o francês, autor do segundo tento sobre o United

 

Final bizarra – A Taça Guanabara perdeu importância nos últimos anos, como tudo o que envolve os campeonatos estaduais. Mas ainda assim, por ser erguida pelo vencedor em meados do segundo mês do ano, tem repercussão e mantém algum apelo. Contudo, sua edição 2019 proporcionou uma das mais patéticas situações de nosso futebol, com a briga dos clubes por um setor do estádio e o vai-e-vem do clássico sem público ou com público.

Mas é importante entender o contexto. Historicamente a torcida do Vasco ocupa o lado à direita das cabines de rádio e TV. Mas desde 2013, quando firmou contrato (por 35 anos) com o consórcio administrador do Maracanã refeito para a Copa do Mundo, o Fluminense tem, registrado, o direito de ocupar justamente aquele espaço. Como os vascaínos eram os mandantes, entenderam que poderiam lá ficar. E a Maracanã S.A., integrante do grupo Odebrecht, não se opôs.

Presidentes dos dois clubes sofrem internamente com adversários que tentam derrubá-los. Não disputar o lado direito do estádio seria turbinar os opositores, lhes dar munição. No caso de Alexandre Campello, pior, desde que, na quarta-feira, o mandatário vascaíno permitiu o gesto de solidariedade ao rival, com a bandeira do Flamengo exibida na camisa do time vascaíno que derrotou o Resende por 3 a 0, algo que gerou ataques políticos a ele.

Pedro Abad, pelo lado tricolor, não poderia aceitar um acordo civilizado, sob o mesmo risco, numa atmosfera política, tensa, que envolve a política da agremiação. Em suma, a situação criada foi ridícula, mas existem fatos e óbvios desdobramentos que nos permitem entender como se chegou a tal impasse. Enquanto isso, a Maracanã S. A. negocia com o Vasco para que lá atue mais vezes. Mas para isso precisa se livrar do Fluminense. Que, segundo a empresa da Odebrecht, está inadimplente.

Nada foi por acaso e não passa de ingenuidade achar que tamanha confusão foi apenas pelo setor sul, o decantado lado direito da “arena”. Há muito mais em jogo.

LEIA MAIS:

>> Em 100 anos tudo mudou no jornalismo e na bola. Tudo!

>> “Messi chega a 400 gols só no Campeonato Espanhol. Pelé faria melhor?

8 recomendacões para você

 
 
asd