Em 100 anos tudo mudou no jornalismo e na bola. Tudo!

Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo

Na segunda década do século passado, um dos maiores times do Paraná era o Britânia Sport Club, que em 1971 se fundiria a Ferroviário e Palestra Itália, gerando o Colorado. Não ficou nisso, posteriormente o mesmo se uniria ao Pinheiros para criação do Paraná Clube. Um grande rival nas canchas curitibanas era o International Foot-Ball Club, que em 1924 se juntou ao América, fazendo nascer o Athletico.

Britânia e International eram, há um século, respectivamente campeão e vice do Estado. Mas apesar da importância dos clubes naqueles tempos, você tinha apenas três opções para saber o resultado de um cotejo do qual tivessem participado: indo ao estádio para ver a peleja, encontrando alguém que esteve na cancha ou, por alguma razão, soube qual o placar; e, finalmente, lendo o jornal.

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Há 100 anos, apenas por intermédio deles as notícias eram veiculadas. Não havia o rádio e suas vibrantes transmissões ludopédicas, TV nem pensar e internet, sequer em ficção científica. O jornal dominava, era a opção, e diariamente folheando suas páginas as pessoas sabiam o que acontecera em campo e acessavam as demais notícias sobre tudo, inclusive times e jogadores. Não por acaso meninos saiam às ruas, nos dias de importantes acontecimentos, oferecendo edições “extras”, algo há anos totalmente descartado.

O jornal mudou, se adaptou aos novos tempos e a Gazeta do Povo migrou para a web. Foi acrescida a agilidade da internet à tradição com credibilidade de quem há décadas (agora há um século) informa e analisa. A relação com aquele que torce por times de futebol também fez tal movimento. Hoje o apaixonado pelo esporte ou por seu time tem a possibilidade de penetrar bem mais em tal universo, tal a massa de informações disponíveis, infinitamente maior.

 

 

Obviamente nem sempre quantidade e qualidade andam de mãos dadas e parte desse volume é formado por fake news, boatos, rumores, notícias plantadas que jamais se confirmam. Cabe a quem consome tudo aquilo que lhe é transmitido peneirar, a partir da escolha de veículos e profissionais que merecem confiança por terem construído a própria imagem e fazem por merecer serem acreditados.

Nesse contexto, pesa também a necessidade de uma maior profundidade na análise. Ela  obrigatoriamente precisa ser calçada em fatos e, sempre que possível, trazendo conteúdo de bastidores que o leitor/internauta não tenha como alcançar sem a imprensa especializada. Se no passado os relatos sobre um gol eram escassos e tinham como emissários as poucas testemunhas oculares, hoje vídeos mostram a qualquer um, quantas vezes a pessoa quiser, aquela jogada por inúmeros ângulos.

Não há como um colunista afirmar em seu espaço no jornal que o goleiro foi espetacular se ele não fez por merecer tal elogio. Ou criticar o artilheiro por perder gol feito se a chance nem foi tão cristalina. Quem lê também viu as jogadas, e as verá novamente se necessário. Elas estão na palma de suas mãos, em smartphones que trarão, de maneira cada vez mais veloz, o que reforçará a tese do autor do texto ou a destruirá, ampliando ou minando pouco a pouco seu crédito com o leitor.

Da mesma forma, as notícias sobre clubes, jogadores e dirigentes fluem com rapidez infinitamente superior. Os atletas têm suas próprias redes sociais e, por meio delas, veículos de comunicação e jornalistas mantêm contato com o público, que interage, pergunta, também dá opinião. E crítica, elogia, pede, reclama, sugere… Quem no passado mandava uma carta para a redação e esperava vê-la publicada na seção de leitores, hoje se dirige diretamente a cada profissional da mídia e até debate em tempo real.

Há até os canais próprios dos clubes, mas esses jamais substituirão a imprensa independente. Exceto para quem prefere não conhecer a realidade. Alguém imagina o site de uma agremiação revelando que a dívida aumentou e os salários estão atrasados? Ou o canal do time no YouTube trazendo o vídeo da briga entre dois jogadores no meio do treinamento às vésperas de um clássico? Haverá críticas nesses espaços “oficiais”? Obviamente não.

Neles o torcedor será iludido pelo mundo azul vendido por cartolas, com a circulação de informações convenientes. É a tentativa de manipulação do cérebro de quem torce, invariavelmente apoiada na falácia do “nós contra eles”, como se a imprensa livre fosse inimiga por buscar a verdade. E tentando fazer parecer que as ações de dirigentes estão sempre em sintonia com o que é melhor para aquele clube.

Se o torcedor quiser ver um videozinho do treino, uma entrevistinha sem grandes revelações, amenidades, os canais oficiais o atenderão. Neles também acessará versões e notas oficiais, obviamente. Mas se estiver à procura da fatos, de opinião independente e informação sem rabo preso, continuará bebendo na fonte de sempre, a boa imprensa. Continuaremos a contar com a sua companhia por aqui. Por mais 100 anos. Saudações!

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