Clubes brasileiros de futebol não definem suas prioridades

Os clubes brasileiros e a incapacidade ao definir prioridades

Atlético bateu o Peñarol por 4 a 1 no jogo de volta em Montevidéu, pela Sul-Americana. Foto: Enzo Santos/ Estadão Conteúdo
Atlético bateu o Peñarol por 4 a 1 no jogo de volta em Montevidéu, pela Sul-Americana. Foto: Enzo Santos/ Estadão Conteúdo

Finalista na Liga dos Campeões, o Liverpool disputou 56 partidas na última temporada europeia e o Real Madrid, campeão do certame, alcançou 62. Entre 2016 e 2017, o Manchester United avançou a duas finais, Copa da Liga Inglesa e Europa League.

Com os jogos do Campeonato Inglês e sua participação na Copa da Inglaterra, chegou a uma marca rara para os padrões europeus: 64 compromissos. Nada disso se aproxima minimamente ao que acontece no Brasil. No ano passado o Flamengo alcançou três decisões: Carioca, Copa do Brasil e Sul-americana. Com isso, disputou 84 jogos oficiais. Já o Sport foi a 81 e o Grêmio somou 79.

Isso significa que na média anual, o Liverpool fez um jogo a cada seis dias e meio no período 2017/2018, enquanto numa temporada brasileira times como o Rubro-Negro carioca pisam o gramado para um cotejo valendo três pontos a cada 4,3 dias.

A diferença é brutal, cobra caro, com desgaste dos atletas e comprometimento do desempenho. Óbvio que o inchaço do calendário brasileiro é provocado pelos campeonatos estaduais, que ocupam mais de três meses no início de cada ano. E não há perspectiva de mudanças. Por isso fazer escolhas certas e definir claras prioridades deveria ser a lição de casa dos nossos clubes.

Não costuma ser. O Atlético é um dos raros casos que fogem à regra. Disputa o certame paranaense com um time B, e foi campeão de 2018 ainda assim, e tem levado a sério sua competição internacional em andamento, a Copa Sul-americana, em que pese estar mal colocado no Brasileiro.

O Furacão sabe que há tempo e condições de afastar o risco de rebaixamento com mais de meio campeonato pela frente. E avançar na competição da Conmebol é a chance de um título além-fronteiras, fundamental para sua projeção, além de estabelecer um objetivo esportivo que certamente motivará sua torcida caso atinja as fases decisivas.

>>TABELA do Brasileirão

>> TABELA da Copa Sul-Americana

Mas, em geral os clubes não conseguem estabelecer metas. Com um dos mais caros elencos do país, o Flamengo tentou abraçar o mundo com as pernas, e em uma semana deixou a liderança da Série A, além de colocar um pé e meio fora da Libertadores ao perder em casa para o Cruzeiro por 2 a 0.

Outro com caríssimo grupo de jogadores e, em tese, capaz de pontuar entre os primeiros na maratona de 38 rodadas do Brasileirão, o Palmeiras muda suas metas a partir do perfil de seu novo velho técnico. Isso, como Luiz Felipe Scolari é considerado um treinador de mata-mata, o time prioriza naturalmente os confrontos eliminatórios.

Com um calendário maluco que exige demais dos jogadores, além de longas viagens inerentes às competições disputadas num país tão extenso, o normal seria vermos os times definindo metas de forma criteriosa.

E aí impressiona a naturalidade com a qual se opta pelos duelos de copas, nos quais uma noite infeliz pode colocar tudo a perder. O campeonato em pontos corridos é uma espécie de pão nosso de cada dia, assegurando calendário, jogos, receitas de tevê etc., até as vésperas do Natal. Mas, muitos o desprezam pelo sonho do atalho milionário até a Copa do Brasil ou uma Libertadores. Uma clara distorção que se tornou comum.

O Flamengo perdeu em casa para o Cruzeiro por 2 a 0 pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. Foto: Gilvan de Souza/ Divulgação Flamengo

Até quando a rede de televisão, que paga aos clubes mais de R$ 1,2 bilhão para transmitir a atual edição da Série A — clique aqui e leia mais — concordará silenciosamente com o desdém de tantos com a competição?

Esvaziam o campeonato, seduzidos pela premiação com a qual a CBF acena para o campeão da Copa do Brasil (R$ 50 milhões) e atraídos pelo fetiche no qual a Libertadores se transformou. Uma burra “estratégia” coletiva informal que vai se esticar até o dia no qual o mercado dirá aos dirigentes que o torneio que eles disputam e tanto maltratam não vale tanto dinheiro. Então irão reclamar.

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Três finalizações certas em 90 minutos, mesmo com 61 % de posse de bola e 332 passes certos trocados contra 152 do Sampaio Corrêa, que arrematou na direção da meta de Wilson a mesma quantidade de vezes.

Foi o resumo de (mais um) melancólico jogo do Coritiba no Couto Pereira, o derradeiro de Eduardo Baptista.

Com dois gols nos três jogos anteriores, o técnico, demitido após a peleja de sábado, tentou melhorar o desempenho ofensivo escalando outro centroavante ao lado de Jonatas Belusso. Mas a dupla só esteve reunida por 45 minutos, com Bruno Moraes não voltando para o segundo tempo.

O Coxa é o único time da Série B que não perdeu em seus domínios, mas já são quatro empates em casa (1 x 1 Figueirense; 2 x 2 São Bento; 0 x 0 Ponte Preta e 0 x 0 Sampaio Corrêa). Como agravante, o fato dessa igualdade ter sido registrada diante do penúltimo colocado, derrotado em sete de seus 10 jogos fora de São Luiz.

Começo desanimador de segundo turno, com a tabela reservando para as próximas rodadas jogos fora do Paraná contra Atlético Goianiense e Criciúma, que o Coritiba já derrotou em 2018. Detalhe: o time só esteve na zona de acesso à primeira divisão, entre os quatro primeiros, na sétima, nona e 14.ª rodadas.

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Dois empates sem gol não foram o bastante para tirar o Atlético da zona de rebaixamento, mas a salvação não está matematicamente tão distante.

E as próximas rodadas preveem quatro jogos em Curitiba (Flamengo, Grêmio, Vasco e Bahia) e um fora de casa, contra a Chapecoense, logo após o duelo com o Rubro-Negro carioca.

Se escapar da incômoda posição, o Furacão terá tranquilidade para se dedicar à Copa Sul-Americana, na qual avançou fazendo história com os 4 a 1 sobre o Peñarol, em Montevidéu. E o time de Tiago Nunes segue trocando muito menos passes do que nos tempos de Fernando Diniz (média era de 551): 291 no Uruguai e 351 em Fortaleza.

Coritiba ficou no empate sem gols com o Sampaio Corrêa, no Couto Pereira. Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo

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Foram 10 finalizações, apenas uma de dentro da área do Botafogo, óbvia dificuldade do Paraná na tentativa de chegar à área do time carioca. O gol de empate veio no tiro de longe desferido por Alex Santana, que tentou três vezes, e quando contou com o desvio na defesa alvinegra conseguiu empatar a peleja no lance final.

Uma semana antes, na derrota para o Ceará, foram 20 arremates, antes sete diante do Palmeiras e 15 na direção da meta do Atlético Mineiro.

Após três partidas sem marcar – o último tento fora assinalado no 1 a 0 sobre o América – o Tricolor paranaense voltou a acertar as redes depois de nada menos que 52 finalizações. Isso mesmo, mais de meia centena de tiros para marcar um gol, ainda assim contando com o desvio na defesa adversária.

Óbvia constatação, o Paraná precisa melhorar a pontaria. E muito. Urgentemente, ou não deixará a última colocação. A salvação na luta contra o rebaixamento está a cinco pontos restando uma rodada para chegar à metade do certame.

Paraná e Botafogo empataram por 1 a 1, na Vila Capanema. Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo

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