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VAR e grama sintética: o futebol não viverá mais sem eles

As idas e vindas nas decisões de arbitragem em função do auxílio de vídeos chegaram para ficar. E atormentar o torcedor que vai da euforia à decepção, ou tranquilizá-lo quando for do desgosto ao alívio, dependendo de qual lado agradecerá o “Santo VAR” (sigla em inglês para Video Assistant Referee, ou seja, árbitro assistente de vídeo). O mesmo vale para gramados artificiais, cada vez mais parecidos com o piso natural, ante a necessidade de novos estádios, que chamam de “arenas”, receberem shows e outros espetáculos para que possam ser autossustentáveis.

São equipamentos caríssimos, de manutenção custosa, que não geram receita compatível com as despesas porque no futebol brasileiro clube algum trabalha com taxa de ocupação próxima aos 100%, como é comum na Europa. Com isso, as rendas não são grandes o bastante e as atrações diversas se impõem naturalmente como necessárias. E há casos como o do Palmeiras, cuja casa foi erguida por um parceiro com o intuito de ali faturar com espetáculos musicais, eventos corporativos, etc. É inevitável e consequentemente o gramado sofre as consequências disso.

Nos últimos anos vimos o campo de jogo “ferido” no Maracanã, Allianz Parque, Mineirão, Fonte Nova, Arena do Grêmio, Beira Rio… Isso não ocorrerá no novo estádio do Tottenham, cujo campo de futebol que sairá quando necessário, deslizando sobre roldanas, como o do Schalke 04, em Gelsenkirchen. Nesta arena alemã, em oito horas a cancha sai e volta, permitindo que um show aconteça sábado à noite e a bola role no domingo à tarde, por exemplo. E a Veltins-Arena já tem 17 anos! Incrível que nenhuma das construções brasileiras tenham seguido tal modelo.

A diferença entre o estádio do time da Bundesliga e o que em breve será inaugurado em Londres é que a nova obra inglesa incluirá um campo de futebol americano por baixo, pois o clube inglês tem parceria com a NFL para eventos da modalidade. E nada impede que esse piso artificial receba shows e eventos vários. Com isso, os Spurs terão possibilidades de grandes arrecadações sem prejudicar seus jogos pela Premier League, onde a grama artificial não é aceita. Mesmo com certeza de casa cheia quando o time for a campo, obviamente não abrirão mão de tal faturamento.

No Brasil só o Atlético aderiu, convicto, à grama sintética. Com sucesso. O argumento de que a equipe se torna imbatível por causa do piso não se justifica. Tanto que a derrota sofrida para o Bahia, quarta-feira, pela Copa Sul-americana, foi a quinta na Arena da Baixada em 2018. Claro que a adaptação ao piso ajuda os rubro-negros, mas se outros clubes seguirem o mesmo caminho, os demais se habituarão normalmente. E há o contraponto: o Furacão joga naquele campo em casa e em grama natural quando é visitante. Fato é que um grande problema foi solucionado.

“Desde que construímos a Arena, em 1999, pelas condições climáticas, posicionamento do sol, umidade do solo, nunca conseguimos ter um gramado que proporcionasse a mesma qualidade que o estádio oferece como um todo. Após a Copa do Mundo, definimos que era fundamental colocarmos um gramado que oferecesse uma boa condição técnica. Buscamos todas as tecnologias, aquela que oferecesse o melhor serviço, e em 2016 fizemos a implantação, que proporcionou uma economia mensal na ordem de R$ 200 a 250 mil mensais”, explica o vice-Presidente atleticano, Márcio Lara

Hoje o clube consegue potencializar a utilização da Arena para outros eventos com o gramado que chamam de “misto”, já que não é totalmente artificial, em função dos produtos orgânicos nele colocados, como a fibra de coco.  “Não há buracos. Em três anos nunca tivemos lesão grave. Acredito que, hoje, além da Arena da Baixada, temos somente dois gramados em alto nível, o do Corinthians, em função do investimento que foi feito lá, e do Internacional, que também tem uma condição climática muito boa, uma arena com uma cobertura que não permite sombras”, compara.

O piso do Atlético tem uma vida útil estimada de 10 anos, ou mais. Mas a bem-sucedida ação rubro-negra não significa que a grama “de verdade” sairá de cena. Não são poucos os que ainda consideram incomparável a melhor sintética em relação a um excelente campo natural, tanto que a liga inglesa, a mais rica do mundo, mantém conservadora postura em tal quesito, mesmo com as condições climáticas desfavoráveis por lá na maior parte do ano, com pouco sol, frio, chuva e até neve. A tendência é que ambos convivam por muito tempo, enquanto a tecnologia avança.

Tecnologia que invadiu o futebol com o VAR. É um caminho sem volta. Isso não significa que eliminará as polêmicas do futebol, tampouco que toda as dúvidas serão eliminadas, como as polêmicas envolvendo as semifinais da Copa Libertadores deixaram claro na última semana. A Fifa se apressou ao colocar tal recurso em prática, inclusive na Copa da Rússia, sem uma padronização, antes de testes mais exaustivos, mas agora é tarde demais. O mundo do futebol terá que se adaptar à arbitragem de vídeo, suas idas e vindas, os picos de euforia à depressão, ou vice-versa.

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O time reserva foi bem diante do Internacional, com o Atlético despreocupado quanto ao risco de rebaixamento que o ameaçava na parada da Copa do Mundo. Foco total no jogo de quarta-feira, na Arena da Baixada, contra o Fluminense pela semifinal da Copa Sul-americana. Uma vitrine especial para os dois clubes, já que será a única partida da noite nobre do futebol, sem a concorrência até da final argentina de Libertadores, transferida para sábado. O segundo semestre tem sido excelente para o Furacão, que deve começar 2019 em ótima situação, com elenco, técnico e estilo de jogo definidos. Apesar de certa insistência em seus conceitos, Fernando Diniz deixou um legado que Tiago Nunes aprimorou. E como!

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Argel Fucks admitiu que a volta à primeira divisão não acontecerá em 2019, já fala na próxima temporada e demonstra desejo de permanecer no Coritiba. Torcedores manifestaram sua insatisfação nos muros do Couto Pereira, que recebeu apenas 2.451 esperançosos na derrota para o Guarani. Endividado e rebaixado, o Coxa começou mal e termina pior 2018. O ano que se aproxima não será fácil, com receitas menores e pelo segundo ano seguido sem conviver com os grandes clubes do país. Não será a primeira vez que o clube viverá dois anos seguidos na Série B, foi assim em 2006 e 2007. E a experiência não foi das melhores, claro.

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O Paraná chegou ao seu 18º ponto ao empatar com o Vitória e não terá mais a pior campanha dos pontos corridos com 20 clubes na Série A, superando o América de Natal de 2007 que parou em 17. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

 

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