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Rivais se fortalecem: Boca e River mandam na América, mas Palmeiras e Corinthians, Flamengo e Vasco, Atlético e Coritiba se afastam

O superclássico argentino tem a marca da maior rivalidade das Américas. Que está mais forte após a final da Copa Libertadores neste domingo, quando o River Plate bateu o Boca Juniors no histórico duelo em Madri após tanta confusão, idas e vindas. E com a televisão mostrando a decisão para cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em Buenos Aires, eram 28 países representados no estádio por enviados especiais. Para a Argentina foram jornalistas europeus da Alemanha, Inglaterra, Itália, Rússia, Turquia e Suécia, da África e da Oceania, onde, apesar do fuso horário, a TV exibiria o cotejo que não houve, ao vivo, para Austrália e Nova Zelândia.

Antes da partida na cancha do Real Madrid, as estimativas eram de que a final da Copa Libertadores no Santiago Bernabeu tivesse um impacto econômico de aproximadamente € 25 milhões (perto de R$ 111 milhões) no capital da Espanha. Nada mal, nas circunstâncias e em meio a tanta confusão e improviso.

Apenas para efeito de comparação, a previamente programada e super organizada decisão da Champions League 2017 deixou em Cardiff € 51 milhões. E naturalmente foi disputada por times europeus, cujos torcedores não têm um oceano a separa-los do local da disputa. Além de seu maior poder aquisitivo, claro.

Dos € 25 milhões gerados pela final sul-americana em solo europeu, metade devem ficar nos hotéis, 20% em restaurantes e 10% no comércio. Sem falar nos impostos, claro. Espanhóis veem como um bom negócio, pois se o Estado tem despesas com força policial para manter a ordem no evento, ele fatura com os tributos deixados pelo jogo.

Bom também para os dois rivais. Independentemente de tudo o de ruim que aconteceu em Buenos Aires, inviabilizando a disputa da segunda e decisiva partida em Nuñez, a exposição global das camisas mais poderosas da Argentina não tem paralelo no continente. E há seis anos, o River amargava a segunda divisão, após inédito rebaixamento.

Felipe, filho de Benedetto, goleador do Boca: fantasia do “Fantasma de la B”

As gozações persistem. Na peleja de ida, Felipe, filho de Benedetto, goleador do Boca, surgiu na Bombonera ao lado da irmã, Elena, fantasiado como “Fantasma de la B”, personagem que torcedores utilizam para ironizar que cai para a segundona. A zoeira nunca termina. Só que más fases acabam, há a reviravolta. E a dos Millonarios é evidente, nítida.

O time subiu após uma temporada e já em 2014 ganhou campeonato argentino e a Sul-americana. No ano seguinte ergueu o troféu da Libertadores, depois faturou a Copa Argentina, além de, em 2018, ficar com a Supercopa ao bater justamente o maior rival. Os dois estão muito fortes mais uma vez.

O Boca Juniors tem Tévez no banco e é o atual campeão nacional. Já o River, além dos muitos troféus recentes, como o oponente exibe a musculatura financeira que lhe permite contratações pesadas, como Lucas Pratto, jogador mais caro da história do clube. E o arqueiro Franco Armani, da seleção albiceleste.

Ter o rival forte fortalece. No Brasil as campanhas de Grêmio e Internacional não deixam dúvidas quanto a isso. Como em Minas Gerais o Cruzeiro ganhou duas Copas do Brasil e dois Brasileiros nos seis últimos anos, enquanto o Atlético ergueu o troféu do mata-mata nacional e uma Libertadores, sua primeira.

Já no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná ocorre o inverso. Se o Flamengo está reestruturado e saudável financeiramente, o Vasco sofre para evitar o quarto rebaixamento e se vê imerso em dívidas e em longa guerrilha política. Enquanto o Atlético pavimenta sua caminhada na final da Sul-americana, o Coritiba permanecerá na Série B em 2019.

Em São Paulo, o Palmeiras comemora mais um brasileiro e dá sequência ao revezamento com o Corinthians. Os dois times se alternam na agradável tarefa de levantar o título nacional há quatro temporadas, mas os corintianos se afastam rapidamente em meio à falta de dinheiro e perspectivas. Cenário radicalmente oposto ao vivido pelo rival verde.

Rivalidades são formadas por grandes duelos, e as gozações nas crises do oponente fazem parte, são importantes e jamais deverão desaparecer. Contudo, quando um vai bem e o outro mal, os dois perdem força. Quanto mais elevada e exigente a referência próxima, melhor. River Plate e Boca Juniors acabam de nos mostrar. E já estão lucrando com isso.

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O jogo será em Curitiba, mas não há vantagem. O Junior poderia ter vencido em Barranquilla, onde perdeu a chance do triunfo na cobrança de pênalti executada por Rafael Pérez, que explodiu no travessão. O tiro de Pablo, nas redes, representou a única finalização certa do Atlético na Colômbia. Seu oponente somou sete.

Claro, a tendência é por papéis invertidos na Arena da Baixada, mas a final está aberta, indefinida, o adversário do Furacão tem predicados e está habituado aos certames internacionais, que vem frequentando. Além disso, o técnico do Junior, o uruguaio Julio Comesaña, terá o retorno do temperamental e perigoso artilheiro Téo Gutiérrez.

Não há garantia de festa atleticana, e se ela acontecer, tudo indica que o adversário a venderá caro. É um time que passou pela Libertadores 2018 e está acostumado às competições continentais. Tanto que a final da Sul-americana será o vigésimo compromisso da equipe colombiana em certames da Conmebol neste ano, e o 34º de 2017 para cá.

Todo cuidado é pouco.

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