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Tite admite que calendário da CBF também é problema dele. E você, admitiria que seu time trocasse as cores?

Tite e o polêmico uniforme amarelo do Atlético-PR. Montagem com fotos de Lucas Figueiredo/CBF e Denis Ferreira Netto/Gazeta do Povo
Tite e o polêmico uniforme amarelo do Atlético-PR. Montagem com fotos de Lucas Figueiredo/CBF e Denis Ferreira Netto/Gazeta do Povo

Tite causou polêmica quando de sua primeira lista após a Copa do Mundo. Para amistosos sem apelo contra Estados Unidos e El Salvador, o técnico da seleção brasileira chamou jogadores de três dos quatro semifinalistas da Copa do Brasil: Cruzeiro (Dedé), Flamengo (Lucas Paquetá) e Grêmio (Éverton “Cebolinha”). Só o Palmeiras foi poupado. Os desfalques revoltaram cartolas, torcedores e geraram críticas na imprensa. Em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, da qual este colunista participou, o treinador admitiu que interferiu tecnicamente quando fez aquela convocação e que também é dele o problema do calendário. 

E é. Tite faz parte da CBF, não é um corpo-estranho que comanda o time de futebol e não tem qualquer outro vínculo com a entidade. É remunerado por ela, seus chefes são os dirigentes da Confederação e é na sede cebeefinana que tem sua sala, participa de reuniões, ali trabalha muitas vezes. Ao admitir que também deve se preocupar com o quebra-cabeças que se forma a cada Data-Fifa, ele assume, corretamente, sua parcela de responsabilidade e a necessidade de buscar a melhor solução possível para a seleção e para os clubes. Afinal, todos estão envolvidos nas confusões que o excesso de jogos provoca. 

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No curto prazo não existe perspectiva de mudança e já nesta semana a seleção estará novamente em ação. Com a proximidade da Copa América que o país sediará em 2019, a tendência é termos mais e mais times brasileiros sendo desfalcados em compromissos pesados por conta das listas de Tite. Sem contar as convocações de estrangeiros que atuam em clubes daqui. Por ser contratado pela CBF, o técnico tem obrigações que não pertencem à rotina de seus colegas treinadores de outras seleções. Ele precisa pensar no todo, na realidade na qual está inserido, consciente do porquê de ser assim. E diz que assim será. 

Nunca é demais lembrar que a existência de campeonatos estaduais que se esticam por quatro longos meses são o grande entrave do calendário. Tais certames jamais deixarão de ser assim enquanto as federações dos estados, que deles se alimentam, continuarem sendo as responsáveis pela sustentação política dos dirigentes da CBF. Tais entidades têm peso três na eleição da Confederação, ou seja, mesmo se todos os clubes da Primeira Divisão se rebelarem, elas se bastarão para seguir elegendo quem bem entenderem na entidade nacional. Diante disso, quem é capaz de imaginar uma mudança no status quo? 

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Tite é parte da CBF, consequentemente tem, sim, que se preocupar com isso toda vez que elaborar uma lista. Até porque, não faz muito tempo, era treinador de clube, vivia os mesmos problemas e sentia os mesmos calafrios que atingem seus colegas quando começa a anunciar os convocados. É um sinal positivo sua demonstração de preocupação com o problema. Que tenha bom senso toda vez que escolher os atletas que servirão a seleção brasileira, avaliando a relevância de cada chamado e seu impacto técnico nas partidas pelo Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil em 2019.

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ATLÉTICO

Mario Celso Petraglia, presidente do Deliberativo do Atlético. Foto: Albari Rosa

Mário Celso Petraglia sinalizou com a possiblidade de mudar as cores do Atlético. Após 114 anos de azul, em 2012 o Cardiff City se avermelhou. O escudo abandonou o pássaro azul (o apelido do time é Bluebirds) e ganhou um dragão. Tudo por que o vermelho, segundo o proprietário do clube galês, Vicent Tan, “dá sorte”. O bilionário malaio, dono de um patrimônio de US$ 1,3 bilhão, comprou o time em 2010. Três anos depois da polêmica, o Cardiff voltou a ser azul. Os torcedores, que tanto protestaram antes e depois da mudança, saíram vitoriosos no duelo entre tradição x dinheiro. Se levarem a ideia adiante no Atlético, como reagirão os rubro-negros. Vão amarelar? Duvido. 

CORITIBA

Imagem de Coritiba x CSA, pela Série B. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo.

Dinheiro é o que deverá faltar ao Coritiba em 2019. Sem alcançar o acesso à primeira divisão, o Coxa passará mais um ano na Série B, repetindo o que aconteceu após o rebaixamento de 2005. A quota de televisão despencará. O clube embolsou perto de R$ 50 milhões e levará algo em torno de R$ 7 milhões no próximo ano. Cenário preocupante, com a necessidade de formar uma equipe competitiva e com escassos sem recursos.

PARANÁ

Andrey fez o gol da vitória do Paraná contra o América-MG. Foto: MARCELO ALVARENGA/ESTADÃO CONTEÚDO

Na campanha do acesso para a primeira divisão, no Brasileiro da Série B em 2017, o Paraná empatou duas vezes com o América por 1 a 1. Em 2018, rebaixado antecipadamente com a pior campanha disparada, o time curitibano conseguiu duas vitórias por 1 a 0 sobre o campeão da segundona do ano passado. Possivelmente os paranistas deixarão a Série com uma travessura: puxar de volta consigo para a Série B os americanos de Minas, único time a perder duas vezes para o lanterna.

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BRASILEIRÃO

O Palmeiras, líder, é o time que mais dá rebatidas, chutões, no campeonato brasileiro: 33 por jogo. É seguido de perto pelo Vitória, que luta desesperadamente contra o rebaixamento, com média perto de 32; e São Paulo, que liderou por várias rodadas, e fica pouco acima de 31. Depois aparece o Vasco, ameaçado de queda, ainda mais depois da derrota para o Grêmio, com 30, mesmo número do Paraná, que caiu antecipadamente. Times dos extremos da tabela de classificação da Série A têm em comum a dependência do chutão para afastar o perigo. O que faz a diferença é a qualidade técnica de quem, lá na frente, transforma, ou não, a bola que chega torta, maltratada, em algo perigoso para o adversário. E até em gol. O futebol jogado no Brasil é, na maioria das vezes, sofrível.

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