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Fiz uma endoscopia com biópsia gástrica e apareceu um diagnóstico de tumor neuroendócrino – o que é isto? Preciso me preocupar?

Conheça os diferentes tipos de tumores neuroendócrinos gástricos, quando há risco e por que o diagnóstico precoce faz diferença no tratamento.

A endoscopia com biópsia é fundamental para identificar tumores neuroendócrinos gástricos e definir o tratamento adequado.
A endoscopia com biópsia é fundamental para identificar tumores neuroendócrinos gástricos e definir o tratamento adequado. (Foto: )

Dr Eduardo Bonin CRM/PR 15802 | RQE Endoscopia 15447

10/06/2026 às 12:00

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Esse nome “neuroendócrino” soa estranho. Como pode surgir isto no estômago? Para quem busca esse assunto, várias informações vêm à tona. A primeira dela é sobre ser um tumor, algo que preocupa as pessoas.

Várias perguntas surgem: O que é isso? Como isso apareceu? é benigno ou maligno? Preciso operar? Quem trata isso? Preciso outros tratamentos?

Vamos falar aqui especificamente dos tumores neuroendócrinos gástricos (chamados na literatura especializada de g-NET), que são diagnosticados por ocasião de um exame endoscópico.

Os tumores neuroendócrinos podem surgir no estômago porque existem, na parede gástrica, a nível microscópico, células com características neurais e endócrinas. Eles podem aparecer por mutações genéticas ou, mais frequentemente no estômago, por estimulação crônica pela gastrina, um hormônio produzido pelo estômago.

Destaque à direita - representação simplificada de uma célula neuroendócrina situada na parede gástrica. Destaque à esquerda - tumor neuroendócrino em parede gástrica (g-NET).Destaque à direita - representação simplificada de uma célula neuroendócrina situada na parede gástrica. Destaque à esquerda - tumor neuroendócrino em parede gástrica (g-NET).

Nos tumores neuroendócrinos gástricos (g-NET) existem 4 tipos. O tipo 1 é o mais comum (mais de 2/3 dos casos) e geralmente tem comportamento benigno. Ele ocorre quando há gastrite crônica atrófica autoimune, que destrói células produtoras de ácido, levando o estômago a produzir gastrina em excesso como “compensação”. Essa gastrina alta estimula as células neuroendócrinas a proliferarem e formarem pequenos nódulos que podem evoluir para tumores. Esse quadro pode ser confundido com o gastrinoma (g-NET tipo 2), em que o próprio tumor produz gastrina (associado à síndrome de Zollinger-Ellison), enquanto os tipos 3 e 4 tendem a ser mais agressivos e ligados a mutações.

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A definição de benigno vs. maligno depende principalmente do grau na biópsia (critérios da OMS/WHO, como índice mitótico e Ki-67). No tipo 1, as lesões costumam ser pequenas (geralmente < 1 cm) e, com marcadores favoráveis, podem ser removidas por endoscopia. Quando os marcadores sugerem alto grau, a investigação e o tratamento são mais amplos (podendo incluir cirurgia, quimioterapia e exames complementares como cromogranina A e PET-DOTA).

A gastrite atrófica autoimune, associada ao g-NET tipo 1, pode ser assintomática, ou causar deficiência de ferro e vitamina B12 (anemia e sintomas neurológicos), Existe um risco aumentado de metaplasia e de câncer gástrico (risco baixo, porém maior que o da população geral), exigindo acompanhamento endoscópico periódico. Não há um medicamento específico para “curar” a gastrite autoimune; com seguimento e reposições quando necessário, os pacientes costumam levar vida normal.

Um especialista no assunto é muito importante para construir confiança e fazer as decisões corretas. O g-NET, e o tipo 1 possui caraterística usualmente benigna, um tratamento mais conservador específico (endoscópico), e por ser o mais comum merece ser bem compreendido.

O cotidiano de quem tem tumor neuroendócrino gastrointestinal. Saiba um pouco mais sobre essa condição!

Vamos descrever o cotidiano de quem tem TUMOR NEUROENDÓCRINO GASTROINTESTINAL com dois casos fictícios:

Caso Fictício 1 - A Sra RS tem 35 anos, sem doença prévia e foi fazer um exame endoscópico de rotina porque sentia estufamento. No exame encontraram um pequeno pólipo no estômago, menor que 1cm. Foram feitas biópsias e estas mostrar tumor neuroendócrino. Um outro exame foi realizado no material de biópsia (imunohistoquímica) e nela foi visto um Ki67 de 1%. Foi indicada uma nova endoscopia para revisão deste pólipo. Este pólipo não foi mais encontrado, porém foram vistos outros pequenos pólipos (2) parecidos, além de estomago com aspecto de atrofia. Foram feitas novas biópsias. Estas biópsias mostraram mais lesões neuroendócrinas e atrofia gástrica sem metaplasia.

Foi suspeitado de gastrite atrófica autoimune. Foram pedidos anticorpos anti-fator intrínseco e anti-células parietais, que vieram positivos. Havia também uma redução da vitamina B12 sérica. Esta paciente foi diagnosticada com g-NET tipo 1 baixo grau associada a gastrite atrófica autoimune. Ela fará seguimento por endoscopia e reposição com monitoramento da vitamina B12.

Caso Fictício 2 – O Sr RF tem 63 anos, faz tratamento para diabetes tipo 2 com medicação, doença controlada. Ele foi fazer um exame endoscópico porque começou a apresentar anemia. No exame encontraram uma lesão elevada única de 4cm de no estômago, com uma área ulcerada. Foram feitas biópsias e estas mostraram tumor neuroendócrino. Um exame de imunohistoquímica foi realizado no material de biópsia e nele foi visto um Ki67 de 25%. Foram realizados exames de cromogranina A no sangue que estava elevado e imagem PET-DOTA mostrando linfonodos (gânglios) perto do estômago.

Neste caso, trata-se de um G-NET tipo III, de alto grau cujo tratamento é cirurgia e quimioterapia (cujo momento será definido com a equipe multidisciplinar).

Para mais conteúdos informativos sobre saúde digestiva, prevenção e explicações sobre exames como endoscopia com biópsia gástrica, acesse o Instagram do médico: @dreduardobonin.

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