Equilibrista 2026: o Oscar paranaense de Finanças
Marcelo Afonso Riedi, da C.Vale, venceu a 41ª edição do prêmio do IBEF-PR, o Oscar paranaense de Finanças, que também reconheceu executivos da Helisul e da Valmet e destacou a inovação na gestão financeira da Frimesa

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Em um cenário de juros elevados, volatilidade econômica e transformação tecnológica, a gestão financeira tornou-se cada vez mais estratégica para a competitividade e a sustentabilidade das empresas. Essa evolução esteve no centro da 41ª edição do Prêmio Equilibrista, promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR), realizada em 15 de outubro, no Castelo do Batel, em Curitiba.
O evento reuniu mais de 400 pessoas, representantes de mais de 160 empresas, para reconhecer profissionais que se destacaram pela contribuição aos resultados e ao desenvolvimento das organizações.
O grande vencedor da noite foi Marcelo Afonso Riedi, diretor administrativo-financeiro da C.Vale Cooperativa Agroindustrial. O executivo foi reconhecido por estruturar o planejamento de liquidez da cooperativa em um período de volatilidade global no agronegócio, fortalecer a governança financeira e ampliar as alternativas de captação de recursos no mercado de capitais.
Entre os resultados de sua atuação estão a obtenção do primeiro rating corporativo formal da história da C.Vale e a ampliação do acesso da cooperativa a novas fontes de financiamento. A conquista também evidencia uma mudança no perfil dos profissionais da área: além de controlar recursos e indicadores, eles participam diretamente das decisões de crescimento, investimento e sustentabilidade dos negócios.
Gestão financeira ganha protagonismo nas decisões empresariais
Para Carlos Peres, presidente do IBEF-PR, o reconhecimento dos executivos ganha ainda mais relevância diante das pressões econômicas e da necessidade de incorporar novas tecnologias às operações. Juros altos, carga tributária elevada e incertezas nos cenários nacional e internacional tornam mais complexa a tomada de decisões, ao mesmo tempo que aumentam a responsabilidade dos profissionais pela eficiência e pela redução de custos.
“Eu diria que nunca foi tão desafiador para os executivos de finanças esse momento que eles estão vivendo.”
Carlos Peres, presidente do IBEF-PR
Para ele, a dedicação dos profissionais diante desse cenário reforça a importância de uma premiação que valoriza a profissão e reconhece os resultados alcançados pelas equipes.
A cerimônia também marcou mais uma edição do chamado “Oscar das Finanças”, formato que, pelo segundo ano consecutivo, apresentou os finalistas e deixou a revelação do vencedor para a noite do evento.
Bruna Hadad, primeira vice-presidente do IBEF-PR, observa que a redução para três finalistas nesta edição contribuiu para evidenciar a qualidade dos projetos apresentados. Segundo ela, os cases demonstram uma valorização crescente do prêmio e a evolução da própria função financeira nas empresas.
“O executivo de finanças deixou de ser aquela pessoa que só entende de pagar, receber e bancos e virou realmente uma coisa muito mais estratégica, muito mais global.”
Bruna Hadad - primeira vice-presidente do IBEF-PR
Na avaliação da dirigente, cabe ao IBEF-PR acompanhar essa transformação por meio de conteúdo, networking e iniciativas que contribuam para o desenvolvimento dos profissionais e o fortalecimento da comunidade de finanças do Paraná.
Comitê de Finanças participa da avaliação dos cases
A seleção dos profissionais reconhecidos envolve uma análise criteriosa dos projetos apresentados. Simone Tramujas Andraus Pereira, coordenadora do Comitê de Finanças do IBEF-PR e CFO da Vapza, explica que o grupo participa da avaliação detalhada dos cases que chegam à premiação, contribuindo para a escolha dos candidatos que seguem para a votação dos associados. Ela integra integra o IBEF-PR a 9 anos e coordena o comitê a 4.
“O papel fundamental do comitê é realmente essa escolha, essa decisão dos candidatos ao Equilibrista.”
Simone Tramujas Andraus Pereira, coordenadora do Comitê de Finanças do IBEF-PR e CFO da Vapza
A executiva também destaca a inteligência artificial como uma das principais forças de transformação da área. Para ela, o profissional de finanças precisa incorporar a tecnologia à rotina e, ao mesmo tempo, ampliar sua capacidade de compreender o negócio como um todo.
“Tem que estar com a tecnologia e usando a IA de forma recorrente no seu dia a dia. Além de estar ligado à estratégia da empresa, precisa pensar no negócio, não somente na parte financeira e no caixa”, avalia.
C.Vale amplia acesso ao mercado de capitais
A conquista de Marcelo Afonso Riedi está associada a uma iniciativa que aproximou uma cooperativa do interior do Paraná de instrumentos tradicionalmente utilizados no mercado de capitais. Em 2025, o agronegócio enfrentou um ambiente complexo, marcado por bons níveis de produtividade, margens pressionadas e necessidade de investimentos tanto nas propriedades rurais quanto na estrutura das cooperativas.
Nesse contexto, a C.Vale avançou no planejamento de liquidez, na governança financeira e na diversificação das fontes de recursos. A obtenção do rating corporativo e a ampliação das possibilidades de captação ajudaram a estruturar alternativas para sustentar os investimentos e as operações da cooperativa.
“O grande desafio foi trazer um pouco do mercado de capitais para o interior, apresentar o cooperativismo aos investidores. O investidor ainda não conhecia bem esse modelo de negócio, e precisávamos equalizar as expectativas de um lado com as necessidades produtivas do outro.”
Marcelo Afonso Riedi - Diretor C.Vale
“O grande desafio foi trazer um pouco do mercado de capitais para o interior, apresentar o cooperativismo aos investidores. O investidor ainda não conhecia bem esse modelo de negócio, e precisávamos equalizar as expectativas de um lado com as necessidades produtivas do outro”, explica Riedi.
Na entrevista concedida após a confirmação do resultado, o executivo dividiu o reconhecimento com as pessoas que participaram da trajetória. Ele destacou o trabalho coletivo, a família e a equipe, além da responsabilidade de conduzir decisões que beneficiem o conjunto da organização.
“É um orgulho imenso e também uma forma de reconhecer todo o trabalho do time. Acho que esse é o mais importante”, afirma o vencedor.
Ao deixar uma mensagem aos profissionais da área, Riedi reforçou a importância da ética e da responsabilidade coletiva: “Trabalhar duro, ser honesto e sempre direcionar o seu trabalho para fazer o bem para o coletivo. Esse é o nosso papel”.
Helisul e Valmet também são reconhecidas
A categoria principal também reconheceu José Roberto Scheller Junior, CFO para a América Latina da Helisul Aviação, e Lucio Pandolfi Junior, diretor financeiro para a América Latina da Valmet, como Destaques em Finanças.
Na Helisul, a expansão internacional e a ampliação da operação exigiram decisões relacionadas à captação de recursos, à governança de capital e à gestão de riscos. Entre as iniciativas de destaque está a aquisição da chilena Ecocopter, movimento que contribuiu para a internacionalização da companhia. Em cinco anos, a receita do grupo triplicou e a frota chegou a 134 aeronaves.
Scheller destaca que a expansão envolveu diferentes frentes estratégicas, incluindo a criação de uma empresa de leasing no exterior e a aquisição de uma companhia de tecnologia voltada à aviação e à segurança. O crescimento também ampliou a responsabilidade sobre a estrutura financeira e a gestão da operação.
“A expansão refletiu no tamanho da Helisul e em sua relevância. Tínhamos uma frota de 40 helicópteros; hoje, são mais de 120 helicópteros em toda a América Latina”, afirma o executivo.
Com o aumento da frota e a ampliação do quadro de profissionais, o desafio passa a ser sustentar o crescimento sem comprometer a solidez da empresa. Para Scheller, a continuidade dessa trajetória depende de manter o equilíbrio entre expansão, gestão de riscos e sustentabilidade do negócio.
Na Valmet, o reconhecimento de Lucio Pandolfi Junior está relacionado à liderança financeira e tributária durante a execução do Projeto Arauco Sucuriú, avaliado em US$ 4,6 bilhões. A iniciativa exigiu rigor no controle financeiro, gestão de riscos cambiais, planejamento orçamentário e integração dos processos de conformidade.
Pandolfi explica que a execução de um projeto dessa magnitude demanda disciplina na gestão de valores, documentos fiscais, margens e fluxo de caixa. A estrutura financeira também precisa oferecer segurança às demais áreas para que as decisões sejam tomadas com transparência e dentro das regras estabelecidas.
“É um projeto que requer muita disciplina financeira, porque são valores bilionários que estamos recebendo, pagando e transacionando milhares de documentos fiscais. O sucesso também passa por um controle e uma gestão financeira que deem segurança às demais áreas”, afirma.
Para o executivo, outro aprendizado importante foi transformar a pressão operacional em oportunidade de desenvolvimento para a equipe. Comunicação, transparência e apoio de profissionais experientes foram fundamentais para enfrentar os desafios do projeto.
Revelação em Finanças destaca inovação na Frimesa
A categoria Revelação em Finanças reconheceu Eliane Márcia Antonio Ferlin, gerente financeira da Frimesa Cooperativa Agroindustrial. A executiva liderou a reestruturação da operação de crédito da cooperativa, com automação de processos, integração de birôs de crédito ao sistema ERP Oracle e desenvolvimento de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) próprio.
Os resultados mostram o impacto da integração entre tecnologia, controle financeiro e estratégia comercial. O número de pedidos retidos caiu de 1.200 para 60 por dia, enquanto a inadimplência foi estabilizada em 0,2%. A estratégia também preservou mais de R$ 200 milhões em relação à média do setor e contribuiu para reduzir o índice de alavancagem para 3,83 vezes o EBITDA.
Na entrevista, Ferlin explica que o projeto vinha sendo desenvolvido havia mais de uma década, mas alcançou em 2025 um momento decisivo de evolução dos processos. A atuação financeira passou a contribuir de maneira mais direta para os resultados comerciais, ao melhorar os controles e oferecer maior segurança à área de vendas.
“Melhoramos os controles e ajudamos a área de vendas a vender mais, com mais segurança e mais estratégia”, afirma.
Para a executiva, o reconhecimento reforça a importância do aprendizado contínuo e da valorização das equipes. Ela destaca que a busca por conhecimento e por melhorias deve caminhar junto com o desenvolvimento das pessoas.
“Precisamos sempre buscar conhecimento, desenvolver novos projetos e melhorar a performance, a equipe e a gestão. Temos que focar nas pessoas, que são o nosso maior patrimônio”, afirma Ferlin.
Reconhecimento fortalece a comunidade de finanças
Em sua 41ª edição, o Prêmio Equilibrista reafirma o papel do IBEF-PR na valorização dos profissionais e no compartilhamento de conhecimento entre executivos de diferentes setores da economia. A instituição promove eventos, projetos e discussões por meio de seus comitês, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento profissional e para a excelência da gestão financeira no Paraná.
A votação e a consolidação dos resultados desta edição foram auditadas de forma independente pela Grant Thornton. O prêmio foi apresentado pelo Banco Safra, com patrocínios de empresas e escritórios que apoiaram a realização do evento.
Mais do que reconhecer resultados individuais, a premiação evidencia a contribuição das áreas financeiras para a continuidade dos negócios, a eficiência operacional, a inovação e o crescimento sustentável das organizações. Em um ambiente de mudanças aceleradas, a atuação dos executivos de finanças se consolida como parte central da estratégia empresarial.
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