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CURITIBA

Acusados pela morte de curitibano que investigava fraude nos combustíveis vão a júri popular

O fiscal Fabrizzio Machado da Silva auxiliava na Operação Pane Seca, que apurava denúncias de postos vendendo combustíveis adulterados em Curitiba; ele foi morto em uma emboscada no bairro Capão da Imbuia

  • Da Redação
 | Michael Martins/Colaboração
Michael Martins/Colaboração
 
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A 1.ª Vara Privativa do Tribunal do Júri de Curitiba decidiu que o empresário Onildo Chaves de Córdova II, acusado de ser o mandante do crime, e outros três suspeitos pela morte do fiscal de combustíveis Fabrizzio Machado da Silva devem ir a júri popular. O curitibano de 34 anos foi morto em uma emboscada no dia 23 de março de 2017, no momento em que chegava em casa no bairro Capão da Imbuia. A decisão foi expedida nesta terça-feira (16) pela juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler.

Na decisão, a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público (MP-PR) e acusou o empresário por homicídio duplamente qualificado, por considerar que o motivo era fútil – seria vingança – e não houve chance de defesa para a vítima.

Segundo o promotor Lucas Cavini Leonardi, Córdova II teria planejado a morte de Silva durante a Operação Pane Seca, uma força-tarefa conduzida pelo Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diepp) que levou ao fechamento de nove postos de Curitiba e região após denúncias a respeito da comercialização de combustíveis adulterados e manipulação nas bombas, que entregariam ao cliente quantidade menor do que a apresentada no marcador.

Silva era presidente da Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis (ABCFC) e atuava como especialista técnico em ações realizadas pelos órgãos de fiscalização e Ministério Público. Como os postos de Córdova II eram suspeitos da fraude, o empresário teria planejado a morte do fiscal. Segundo o promotor, o dono dos postos teria contratado um atirador, e esse chamou um ajudante. A quarta pessoa que será julgada é acusada de apresentar os executores do crime ao mandante.

Os acusados de serem mandante e o intermediador do assassinato aguardam o julgamento em liberdade, já os executores estão presos e aguardam em regime fechado até a data do júri devido à gravidade. Há indícios de que a dupla também possui envolvimento em outros crimes.

Tanto a defesa quanto a acusação podem recorrer da decisão desta terça-feira, e somente após essa fase e intimação dos envolvidos é que o julgamento será marcado.

Defesa do empresário contesta júri

Para o advogado do empresário, Rafael Guedes de Castro, “a decisão é injusta e não encontrou amparo nos autos”, pois “a instrução processual demonstrou a absoluta inocência do acusado [Córdova II]”. Diante disso, ele afirma que a defesa vai interpor todos os recursos cabíveis e acredita que o julgamento pelo tribunal do júri não acontecerá.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos outros três acusados.

Acusação está convicta

Já o Ministério Público afirmou que esperava essa decisão, pois todas as provas periciais, como imagens das câmeras de segurança e laudo de aparelho telefônico indicavam o envolvimento do empresário no crime. “Um dos réus também esclareceu a situação ao dizer que realmente foi procurado para matar a vítima”, relatou o promotor Lucas Cavini Leonardi. Ele acredita que o júri acontecerá até o fim deste ano.

Assim como ele, o advogado Luiz Roberto Zagonel, que representa a família de Fabrízzio Machado da Silva e atua no processo como assistente da acusação, também está confiante na realização do júri em breve. “A acusação está bem robusta e o trabalho da polícia foi incansável. Não há dúvidas do que aconteceu”, afirmou.

Em nota, o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis) também se manifestou a respeito da decisão. “Esperamos que Justiça prevaleça, atuando com agilidade e rigor exemplares, trazendo um alento para a família, o segmento e toda a comunidade”

O caso

Fabrízzio Machado da Silva foi morto na noite de 23 de março quando chegava em casa no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba. O assassino bateu na traseira do carro do fiscal, que foi baleado na cabeça no momento em que desceu o veículo para saber o que tinha acontecido. Uma ambulância do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) chegou a ser acionada, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. Toda ação foi registrada por câmeras de segurança, que mostram a emboscada.

Horas antes do assassinato, o fiscal havia se encontrado com uma equipe do programa Fantástico, que produzia uma reportagem investigativa sobre fraudes em combustíveis. Segundo a reportagem, um sistema era instalado nas bombas, alterando a quantidade de combustível colocada no tanque dos veículos durante o abastecimento.

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