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Pinguim, boto-cinza e tartaruga-verde encontrados mortos no litoral do Paraná em 2018. | Centro de Estudos do Mar/UFPR
Pinguim, boto-cinza e tartaruga-verde encontrados mortos no litoral do Paraná em 2018.| Foto: Centro de Estudos do Mar/UFPR

A quantidade de animais marinhos encontrados mortos nas praias do Paraná atingiu um número exorbitante em 2018: foram cerca de 4,6 mil até a primeira quinzena de dezembro. O número é mais que o dobro das cerca de 2 mil carcaças encontradas no Litoral em 2017 — e o ano ainda nem acabou. O número, além de alto, chama a atenção pela variedade de espécies encontradas: 60% são pinguins, além de espécies ameaçadas de extinção, como o boto-cinza, a toninha e a tartaruga-verde. Os dados são do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP), que faz o registro da vida marinha no estado, em Santa Catarina e em São Paulo.

Entre os casos de encalhe, a questão dos pinguins está entre as mais preocupantes. O aumento tem uma influência da sazonalidade, de acordo com dados do projeto, por causa do avanço contínuo de sistemas de baixa pressão, ou seja, chuvas e ventos — que tiveram pico no mês de outubro. Mesmo assim, apenas as condições do tempo não justificam, já que desde que o acompanhamento de encalhes começou a ser feito no Paraná, em 2007, o número nunca foi tão alto. Em seguida, em outra situação extrema: ao longo de 20 dias de novembro, foram encontradas nas praias carcaças de nove tartarugas gigantes — a espécie mais ameaçada de extinção do mundo.

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A culpa é dos humanos

A causa de tantos encalhes é derivada de um conjunto de fatores envolvendo a ação humana. Entre eles, a pesca predatória, o despejo de óleo nos oceanos e, principalmente, o acúmulo de lixo no mar. “As mortes são resultado do efeito cumulativo do impacto no oceano. Os animais estão tentando resistir ao estresse causado, mas nem sempre conseguem”, explica Camila Domit, bióloga do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Para facilitar a compreensão, a especialista faz uma analogia com pessoas que trabalham em um ambiente muito estressante: “quando alguém tem um emprego muito estressante, a pessoa pode até aguentar por um tempo, mas depois começa a ter gripes e amigdalites, que muitas vezes evoluem para algo mais grave, como uma pneumonia, e podem chegar a doenças terminais, como infarto e AVC”, compara.

Isso significa que todo o ecossistema marítimo está desequilibrado, e não é possível prever com precisão as próximas consequências. Os animais estão chegando ao seu limite. Para alguns deles, aliás, esse limite já passou. “É o caso dos botos-cinza, que estão sendo encontrados sempre com pneumonia, doenças de pele, doenças virais e com a imunidade muito baixa”, lamenta a bióloga.

Além dos animais que encalharam mortos, outros 1500 foram encontrados vivos desde 2015. Porém, mesmo estes costumam estar debilitados, e grande parte apresenta plástico no sistema digestivo. Entre as espécies, o caso mais preocupante é o das tartarugas-verdes, que se alimentam de algas — plantas que geralmente ficam repletas de lixo: o Projeto de Monitoramento de Praias no Paraná estima que 80% desses animais tenha elementos plásticos no sistema.

Persistência para resolver

De acordo com Camila Domit, enquanto a gravidade da degradação avança rapidamente, a solução definitiva ainda está longe de ser atingida. Justamente por isso, precisa ser buscada diariamente por toda a população. “Precisamos de uma mudança de postura da sociedade como um todo, que ainda se sensibiliza muito pouco com essa questão”, explica. Isso que Mas o mais efetivo, avalia a bióloga, seria a elaboração de um plano de manejo integral, feito pelo Ministério do Meio Ambiente em acordo com todas as comunidades que exploram o mar, estudiosos e biólogos, pensando a questão ambiental de uma maneira abrangente.

Orientação

Mesmo assim, para ajudar a diminuir essas estatísticas, o Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar orienta que a população faça sua parte com uma série de ações:

- Reduzir o consumo de plástico

- Se informar sobre a destinação do lixo

- Ligar os imóveis à rede de esgoto ou fazer a melhor destinação de efluentes

- Dar preferência para consumo de alimentos originados de plantios que não fazem uso de agrotóxico e têm a agricultura familiar como base

- Reduzir consumo de recursos pesqueiros

- Buscar comprar de pescadores que aderem a medidas de pesca com menor impacto em fauna

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