Marco Aurélio Gamborgi em foto tirada para uma reportagem da Gazeta do Povo sobre o Dia do Médico.
Marco Aurélio Gamborgi em foto tirada para uma reportagem da Gazeta do Povo sobre o Dia do Médico.| Foto: André Rodrigues/Arquivo/Gazeta do Povo

Por onde passou, o médico Marco Aurélio Lopes Gamborgi deixou sorrisos. Sorrisos agradecidos de pais outrora preocupados com o futuro dos filhos e sorrisos recém-conquistados de pequenos pacientes, às vezes bebês há pouco nascidos. Com 57 anos de idade e mais de 30 de dedicação à Medicina, ele era cirurgião plástico especialista em crianças com fissuras labiopalatais. Marco Aurélio faleceu no dia 4 de dezembro e foi o 21º médico paranaense vítima de complicações de Covid-19.

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“A necessidade de cirurgia em uma criança pequena mexe com o emocional da família inteira. Eles já vêm fragilizados, então quando encontram alguém que os trata com empatia, explica tudo direitinho e se põe à disposição deles, é o conforto que eles precisam. E ele [Dr. Marco Aurélio] fazia isso com maestria”, relata o otorrino pediatra e chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Pequeno Príncipe, Lauro João Lobo Alcantara.

A fissura labiopalatal é uma abertura resultante do desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do céu da boca antes do nascimento. A condição pode ser detectada ainda na gestação. Desse modo, há a preparação psicológica dos pais para a cirurgia da criança, que em geral acontece nos primeiros meses de vida. O tratamento envolve uma equipe de saúde multidisciplinar. Além do cirurgião, o paciente é acompanhado por psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais. Marco Aurélio era o maestro dessa equipe e sua sinfonia era o pequeno paciente crescer com plena qualidade de vida.

Nascido em Lages (SC) e graduado em 1989 pela PUC-PR, conheceu em casa o amor pela Medicina, pois o pai, Vilson José de Castro Gamborgi, é médico gineco-obstetra. Desde sua fundação, Marco Aurélio atuava no Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Lábio Palatal, o Caif, órgão da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) que funciona anexo ao Hospital do Trabalhador. O médico, assim como o Caif, se tornou referência nacional no tratamento de fissurados. Estima-se que tenho realizado mais de 8 mil cirurgias na carreira. Em 2015 foi personagem de uma reportagem da Gazeta do Povo sobre o Dia do Médico.

Atuava também no Hospital Pequeno Príncipe, há cerca de 10 anos, onde operava bastante aos sábados, e no Centrinho Prefeito Luiz Gomes, em Joinville (SC). Onde quer que estivesse trabalhando, tratava todos com respeito e simpatia. Além da competência que o fez ser destaque na profissão, demonstrava um amor e uma preocupação tão genuínos com os pacientes que se tornou uma espécie de herói para as pessoas que atendeu.

Em uma especialidade cirúrgica que exige resultados duradouros próximos da perfeição, ele combinava meticulosidade e humanização do atendimento “Era bonito ver ele falando, depois das cirurgias, sobre os ‘pacientinhos’. Não importa quem fosse, ele fazia com amor e dedicação”, lembra Lauro. A vontade de transformar para melhor a vida dos outros era tão grande que atuava como voluntário e presidente do Conselho Multidisciplinar da ONG Operação Sorriso do Brasil. De três a quatro vezes por ano, viajava para o Norte do país para fazer uma maratona de cirurgias em crianças moradoras de regiões sem acesso a esse tipo de serviço de saúde.

Marco Aurélio foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Regional do Paraná, na gestão 2014-2015, e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Deixa esposa e três filhos.

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