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Deputado estadual Goura (PDT), durante sessão plenária da Assembleia Legislativa
Deputado estadual Goura (PDT), durante sessão plenária da Assembleia Legislativa| Foto: Arquivo Alep

A quase um mês das convenções do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Curitiba, o deputado estadual e ex-vereador de Curitiba Jorge Gomes de Oliveira Brand, o Goura, desistiu da ideia de se lançar candidato à prefeitura da capital paranaense. Dentro do PDT, Goura se colocava como uma alternativa ao nome do deputado federal e ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet para a disputa de novembro. Em entrevista à Gazeta do Povo nesta sexta-feira (14), Goura aponta que Fruet tem “chances reais de ir para o segundo turno” e que sua atuação hoje na Assembleia Legislativa é “mais útil agora” – Goura integra a pequena bancada de oposição ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), ao lado de nomes do PT e do MDB. Goura revela, contudo, que os planos foram apenas adiados – “minha decisão é de adiar esta vontade de um dia ser prefeito de Curitiba para o futuro”. Também garantiu que vai trabalhar ativamente na campanha eleitoral de Gustavo Fruet e de nomes do campo progressista que buscam uma cadeira na Câmara de Curitiba – “a expectativa do PDT é conseguir eleger de 5 a 6 vereadores”. Confira os principais trechos da entrevista logo abaixo:

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O senhor, então, desistiu da pré-candidatura à prefeitura de Curitiba? Por quê?

Quando eu estava como vereador de Curitiba, eu era líder da oposição, do PDT. E dos 18 vereadores que estavam candidatos a deputado estadual, a nossa candidatura foi a única que se elegeu. Então, logo ali, naquela eleição, eu me coloquei como pré-candidato à prefeitura de Curitiba. Justamente porque a gente tem defendido um projeto de cidade, tem defendido propostas para Curitiba que são muito contrárias à maneira como o prefeito Rafael Greca (DEM) tem conduzido a gestão da cidade. Mas, no decorrer do ano passado, o trabalho na Assembleia Legislativa foi exigindo de mim cada vez mais presença, mais estudo, para entender a complexidade do Paraná, das políticas públicas, e eu fui oficialmente para a oposição ao governador Ratinho Junior. E, também na presidência da Comissão do Meio Ambiente, foi ficando cada vez mais nítido para mim que a gente está tendo um papel que quase nenhum outro deputado estadual tem, de defender e aprofundar algumas discussões sobre as políticas ambientais. E eu vejo com muita preocupação o que o governador Ratinho Junior está fazendo no Paraná em relação ao meio ambiente e o que vai continuar fazendo no que lhe resta de governo. E me preocupa deixar este espaço na Assembleia Legislativa. Este é um ponto.

Outro ponto, mais no âmbito partidário, é que o nome do Gustavo Fruet aparece com chances reais de ir para o segundo turno. Então vou adiar esta vontade de um dia ser prefeito de Curitiba para um breve futuro.

No final do ano passado, me pareceu que o PDT trabalhava com duas pré-candidaturas porque o senhor e o Gustavo Fruet tinham teses diferentes sobre o cenário político eleitoral. O Gustavo Fruet defendia a “menor aliança possível” e o senhor, por outro lado, acreditava mais em uma ampla aliança de siglas do campo progressista, para enfrentar com mais condições os pré-candidatos mais fortes que se colocam até aqui, todos do centro, centro-direita ou direita. Venceu a tese do Gustavo Fruet?

Eu fiz várias conversas com partidos de um campo mais de centro-esquerda, que mostraram uma disposição muito grande em fazer uma composição, uma frente ampla, caso eu fosse o candidato do PDT. Em Florianópolis, por exemplo, está tendo a construção de uma frente bem ampla, com PV, Psol, PDT... Mas as circunstâncias de Curitiba são diferentes. O Gustavo tem um capital político consolidado. Ele foi o deputado federal mais votado em Curitiba. E eu entendo que o Gustavo faz uma defesa muito correta e muito coerente da democracia, das políticas sociais. Mas o meu nome seria um nome que agregaria possibilidades com este campo de esquerda de forma mais fácil. Ao mesmo tempo, a gente vê que Curitiba é uma cidade que tem muita resistência a certas siglas. E vejo também que, com a não coligação na eleição proporcional, é natural que os partidos acabem pulverizando candidaturas na majoritária, justamente para potencializar suas chapas de vereadores. Então, existe uma tendência natural dos partidos de terem candidatos a prefeito para defenderem teses, marcarem posições, mas, sendo pragmáticos, também para ajudar a eleger vereadores. Isso está acontecendo.

Mas a questão de alianças ainda está em aberto. É possível que o PDT faça aliança com outros partidos. E tenho certeza que, em um segundo turno, sendo o Gustavo o nosso candidato, todo um campo de defesa dos direitos sociais, direitos urbanos, vai ver no Gustavo, vai ver no PDT, a alternativa mais natural, mais coerente.

Mas o senhor e seu grupo devem participar da campanha do Gustavo Fruet? Que papel o senhor pretende ter neste ano?

Vou ajudar candidaturas do campo progressista, para que a gente possa construir um novo ciclo político no Paraná. A gente tem uma carência enorme de lideranças. Vou estar ativamente participando da candidatura do Gustavo, na defesa de um projeto de cidade, que não este projeto que o Rafael Greca está tocando. Então eu não estou me furtando de influenciar as eleições. Pelo contrário. Como deputado estadual, como líder do PDT na Assembleia Legislativa, como vice-líder da oposição, eu tenho mais possibilidade de ajudar do que sendo candidato agora.

Há uma carência de lideranças no Paraná. Quem vai enfrentar o governador Ratinho Junior em 2022? Quais nomes a gente tem? Mesmo no campo da direita, você tem uma ausência de nomes. Eu entendo que a gente tem que ter uma construção de curto, médio, longo prazo, para que a gente consiga qualificar mais um projeto político que não privilegie as mesmas elites econômicas que governam o Paraná há décadas. E eu vejo o Ratinho Junior completamente comprometido com a perpetuação desta hegemonia. É muita hipocrisia ver o atual governo criticando as políticas do Paraná anteriormente. Sendo que ele foi secretário do Beto Richa. Não existe uma ruptura. Acho que precisamos pensar no horizonte de 2022, 2026, 2030, para aumentar a inserção de novas lideranças na política.

Entre as lideranças políticas históricas do Paraná, o PDT tinha o Osmar Dias, que até 2018 era um nome forte para a disputa ao governo estadual, mas que saiu completamente da vida pública, da vida partidária... Que impacto isso teve no PDT? E, de alguma forma, a saída de nomes mais antigos impulsionou a urgência da renovação que o senhor fala?

Com certeza. Foi um choque a saída do Osmar Dias, na véspera da convenção partidária. Foi um baque muito grande. Era uma candidatura que tinha tudo para seguir para o segundo turno, com muita chance de vencer. A decisão dele criou uma perplexidade muito grande, não só para o PDT, mas para a política paranaense. Eu não conversei com o Osmar Dias depois disso, não sei os motivos que o levaram a isso. Por outro lado, abriu um espaço saudável de reconstrução.

Claro que sofremos baixas. Na janela partidária, tivemos um assédio muito grande do partido do governador, e de outros também, para lideranças saírem do PDT. Caso do prefeito Ulisses Maia, que estava caminhando para ser candidato à reeleição em Maringá pelo PDT, mas que saiu para concorrer pelo PSD. Outras figuras também fizeram. Da minha parte, eu estou comprometido com pautas, ideias, um projeto de longo prazo, e estou encontrando no PDT um ambiente favorável a discussões assim.

Eu acho que o PDT está em um processo de reconstrução a partir de um projeto futuro, que nacionalmente tem sido liderado pelo Ciro Gomes, mas também a partir de um resgate de bandeiras históricas, defesa da educação, dos direitos trabalhistas. Acho que o PDT está se fortalecendo como um partido de centro-esquerda, ativamente se posicionando contra o bolsonarismo. E eu me coloco nesta reconstrução.

Que peso o senhor acha que os temas nacionais, as bandeiras bolsonaristas, terão na campanha eleitoral em Curitiba? O senhor acha que isso vai prevalecer em relação aos temas locais, da cidade? Como o senhor imagina que será a campanha neste ano?

Além da crise política, que o bolsonarismo tem acentuado, de forma muito irresponsável, a gente está convivendo também com a gravíssima crise sanitária, pela pandemia, a crise ambiental, pela falta de água. Acho que vai ser uma eleição muito difícil, no sentido de que vai ter uma mistura de emoções. E a gente ainda convive com este eco muito presente do bolsonarismo aqui em Curitiba e no Paraná. Muita gente não quer enxergar a realidade das ameaças à Constituição Federal que o presidente Bolsonaro representa de fato. Muita gente não está vendo isso com a urgência que isso merece. Ao mesmo tempo, eu entendo que a discussão mais importante que tem que ser feita nas eleições municipais são sobre as políticas públicas da cidade. E aqui em Curitiba eu tenho plena confiança no projeto do PDT, e na figura do Gustavo, da defesa de revoluções urbanísticas necessárias que precisam acontecer.

A gestão Greca deu continuidade a um projeto urbanístico que estava sendo feito desde Cassio Taniguchi, Beto Richa, Luciano Ducci, de privilegiar o automóvel, uma política higienista da cidade, uma política de manutenção de grandes contratos milionários que a gente tem no tratamento de resíduo, transporte coletivo, tecnologia da informação... E o Greca está completamente comprometido com isso. Não está comprometido com inovações de verdade. De trazer as pessoas para o espaço público, fortalecer a participação popular.

Obviamente a eleição vai ter a influência do bolsonarismo, da discussão política macro, mas vai pesar muito também a maneira como a cidade tem sido conduzida e eu espero que os eleitores tenham este discernimento.

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