| Felipe Andrews Gonçalves/Arquivo Pessoal
| Foto: Felipe Andrews Gonçalves/Arquivo Pessoal

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou inquérito para investigar as reclamações de descaso com o trapiche da Praia de Brasília, na Ilha do Mel, no Litoral do Paraná. As queixas partiram dos próprios moradores, que ficaram ainda mais assustados depois que no feriado de 12 de Outubro, em comemoração ao dia de Nossa Senhora Aparecida, uma turista caiu no trapiche e teve um ferimento grave na perna, com 29 pontos.

De acordo com a Associação dos Nativos da Ilha do Mel (Animpo), a comunidade pediu ao MP-PR que o trapiche seja interditado e só volte a ser liberado após a conclusão das obras – que começaram há quase dois anos, no final de 2016. O MP-PR afirmou que, caso as irregularidades sejam comprovadas, irá exigir reparos imediatos. O órgão, porém, não se pronunciou sobre pedir a interdição da estrutura.

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O pedido é porque moradores e comerciantes receiam que situações ainda piores possam ocorrer com o trapiche em condições vulneráveis.

Em agosto, reportagem da Gazeta do Povo mostrou que a situação do trapiche, único local para desembarque dos turistas na praia de Brasília, era preocupante. À época, além das correntes arrebentadas e de flutuantes furados, a ponta de um acesso improvisado estava debaixo d’água. Hoje, a Animpo garante que condições não melhoraram em nada. “Está pior. Estamos na primavera e as rajadas de vento ficaram mais fortes. Por isso, o trapiche vai trabalhando mais e vai quebrando ainda mais”, relata o secretário da associação, Felipe Andrews Gonçalves.

Felipe Andrews Gonçalves
Arquivo Pessoal

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A mulher que se feriu ao cair no trapiche semana passada foi atendida no posto de saúde da ilha, mas, por causa da proporção do corte, foi encaminhada ao hospital de Pontal do Sul, onde foi submetida a uma sutura de 29 pontos. “A gente está atrás de alguém que interdite o trapiche para que não tenham uma situação pior que essa. Do jeito que está é bem capaz que de uma pessoa até perder uma perna ou um braço. Por isso, se continuar da forma como está, vamos pedir que os barcos se adaptem e atraquem na praia igual era antigamente, há 20 anos”, afirmou.

Na quarta -feira(17), os moradores decidiram faze uma vaquinha para arrecadar dinheiro para trocar pelo menos as madeiras do receptivo do trapiche, em frente ao posto de informações turísticas. O material estava podre e não suportava mais o peso da passagem das pessoas. O valor da obra comunitária foi de R$ 1,8 mil.

Moradores fazem reforma por conta própria em parte do trapiche Felipe Andrews Gonçalves/Arquivo Pessoal

Reparos demorados

Em outubro de 2016, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) lançou edital para a reforma da estrutura, e a empresa vencedora propôs fazer os trabalhos com prazo de quatro meses, a um custo de R$ 325 mil. Desde então, o contrato já teve dez aditivos de prorrogação e o valor para a execução subiu para R$ 49,2 mil. Como a Ilha do Mel é área de proteção ambiental, o IAP que deve conduzir a obra.

Em nota, o IAP afirmou que a última etapa da obra, a dragagem, está programada para esta semana, mas que dependeria das condições do tempo – assim como em Curitiba, a instabilidade segue no litoral.

Quanto ao atraso, o órgão justificou que os termos aditivos de prorrogação foram necessários para atender a execução integral da obra. “Dentre os motivos existentes para esse fim, podemos citar como exemplo a temporada de verão e o aumento do fluxo de turistas que por questão de segurança paralisou a obra (visto que, ao lado do trapiche em construção, foi colocado um provisório), período de chuvas, dificuldade de deslocamento de materiais/logísticas, readequações para atendimento de termo de referência e de exame e autorização do IAP para retirada de areia sob o trapiche”, diz o documento.

Já sobre o acréscimo no valor inicial previsto para a execução dos reparos, o IAP disse se tratar de um “motivo superveniente ao da contratação”. “Houve a formação de banco de areia justamente na parte flutuante do trapiche, ocasionando seu mau funcionamento, além do que futuramente, poderia ocasionar sua deterioração precoce. Por esse motivo, foi necessário incluir o serviço de retirada de areia”, explicou o órgão.

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