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Manifestantes queimaram placas e cartazes na região do Santa Cândida | Reprodução/
Manifestantes queimaram placas e cartazes na região do Santa Cândida| Foto: Reprodução/

Um protesto de moradores contra o acampamento pró-Lula terminou em confusão no bairro Santa Cândida, em Curitiba, na madrugada desta quinta-feira (14). Eles queimaram placas e cartazes de apoio ao ex-presidente que estavam nas ruas próximas à Superintendência da Polícia Federal, onde o petista está preso desde abril. Os ânimos ficaram alterados, com manifestantes de ambos os lados batendo boca e a polícia precisou ser acionada para evitar um conflito maior. E tudo começou por causa da morte de um gato.

De acordo com uma moradora que prefere não se identificar, o ato começou após moradores pedirem à organização da Vigília Lula Livre que balões fossem retirados, pois estavam assustando os animais de estimação da vizinhança. “O gato da minha sogra morreu por causa do estresse causado pelos foguetes e gritos. Agora, a cachorra está com o mesmo problema porque tem medo de sair”, diz. “Então fomos pedir pacificamente para eles tirarem, mas não aceitaram”.

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Segundo ela, os manifestantes pró-Lula teriam ainda provocado os moradores, fazendo pouco caso da história dos animais. “A gente não tem sangue de barata. Estamos aguentando isso há dois meses e uma hora o sangue ferve”, desabafa. Diante disso, os vizinhos se organizaram e fizeram um ato contra a ocupação do Santa Cândida. “A gente sabe que tem a liminar para fazer a desocupação, mas não está sendo cumprida. O direito da democracia vale para eles, mas também para a gente”, reclama.

O protesto começou por volta das 19h30, pouco depois do ato “Boa Noite, Lula” organizado pelos apoiadores do ex-presidente. Como conta a moradora, os ânimos começaram a se alterar quando os vizinhos pediram a retirada dos cartazes e placas. Em seguida, os moradores atearam fogo em todo esse material.

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A jornalista aposentada Silvana Speinbock, de 55 anos, participou do protesto e diz que a confusão teve início por volta das 22h. “Éramos em cerca de 40 moradores pedindo o fim da invasão das nossas vidas. Mas foram só gritos e bate-boca. Não teve nada de agressão”, diz. Entre os manifestantes que estavam no protesto dos moradores do Santa Cândida estava o delegado da PF Gastão Schefer, que já havia se envolvido em confusão com o acampamento pró-Lula no início do mês passado.

Com as provocações aumentando e o clima ficando mais hostil, policiais militares que faziam a segurança da região foram destacados para separar os dois grupos. Um caminhão do Corpo de Bombeiros deslocado para apagar as chamas.

Outro lado

A organização da Vigília Lula Livre descreve o protesto como uma “ação de indivíduos de extrema-direita” que teriam atacado e ofendido os integrantes da Vigília. “Sem respeitar o interdito proibitório, esses indivíduos se colocam de forma agressiva na mesma região onde está concentrada a Vigília, sendo que os protestos contrários devem ocorrer no lado aposto do prédio da Polícia Federal, conforme decisão judicial”, afirma o grupo em nota.

Segundo os apoiadores do ex-presidente, os atos estão sendo feitos entre as 9h e 19h30, conforme havia sido acordado inicialmente e que o próprio protesto feito pelo grupo gerou confusão que barulho até de madrugada, atrapalhando os vizinhos. “Prezamos pela tolerância, pelo respeito e pelo nosso direito de nos manifestar, em uma via que é pública, em defesa do ex-presidente Lula contra uma prisão política e arbitrária. Seguiremos aqui, porque nos é assegurado pela Constituição e pelas autoridades”, conclui.

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