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dia de princesa

Onda de solidariedade garante festa de 15 anos para jovem que vendia doces no semáforo

Adolescente vendia doces para pagar festa de aniversário quando foi surpreendida pela solidariedade de quem se admirou com seu esforço

  • Vivian Faria, especial para a Gazeta do Povo
Sem o dinheiro para a festa, adolescente foi para o sinal vender bombons | Reprodução/Arquivo Pessoal
Sem o dinheiro para a festa, adolescente foi para o sinal vender bombons Reprodução/Arquivo Pessoal
 
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A jovem Rayanna Góes é quase só ansiedade na noite desta sexta-feira (11). “Aqui em casa nós já queremos ir dormir agora para ver se o amanhã chega logo”, diz. Isso porque na noite de sábado (12) Rayanne vai realizar um sonho de infância: ter uma festa de 15 anos “de princesa”. “Desde novinha eu queria uma festa assim, de poder usar vestido e tal. Eu já tinha até escolhido a cor da festa”, conta.

Apesar do sonho, até o fim de novembro os planos não eram esses. Depois de ter o carro roubado, a família de Rayanna precisou usar o dinheiro que vinha guardando para a festa para comprar outro veículo. A noite de princesa viraria um churrasco para familiares. Rayanne gostou da ideia, mas não se deu por satisfeita: queria também uma festa para seus amigos, em um espaço alugado e com direito a kit festa e pulseiras neon.

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Para financiar o segundo evento, resolveu agir por conta própria e acabou no lugar certo, na hora certa: o sinaleiro próximo da Fonte de Jerusalém, no Seminário. Foi ali que, vendendo bombons, conheceu a produtora Mel Ferreira, que iniciaria uma mobilização para realizar o sonho da menina.

Os bombons

A jovem conta que resolveu vender bombons para financiar a festa depois de um passeio com o pai. “Um dia estávamos passando na rua e vimos um homem vendendo bala no sinal. Conversamos sobre quanto ele ganharia fazendo aquilo”, diz. Dias depois, conversando sobre o tema com um amigo, decidiu comprar cartolina, canetas e bombons. Com um cartaz que dizia: “Vendo bombons a R$ 2 para ajudar na minha festa de 15 anos” foi para o sinal.

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Após encontrar Rayanne, a promotora de eventos Mel Ferreira mobilizou as redes sociais para garantir a festaReprodução/Arquivo Pessoal

No início, a adolescente não disse nada aos pais. No entanto, antes do fim do dia, a história já havia chegado aos ouvidos deles e eles não gostaram nada, pois não era seguro. Ainda assim, eles não se surpreenderam, pois já estavam acostumados a ver a filha correr atrás daquilo que queria.

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Ao fim do primeiro dia, Rayanne deixou sobre a mesa os R$ 150 que arrecadou em suas vendas e um bilhete escrito “#rayfaz15”. Para lucrar R$ 700 nas quase três semanas que passou vendendo bombons no tempo livre, ela aprendeu que precisava mudar seus pontos de venda. Para se manter o mais segura possível, fez amizade com outros ambulantes que trabalham nos sinaleiros. “Fiz amigos que vendiam frutas. Ficávamos juntos para que nada acontecesse com ninguém”, narra.

A festa

Foi no seu terceiro sinaleiro, em um dia devagar para as vendas, que Rayanna conheceu Mel Ferreira. A produtora de eventos conta que estava passeando com uma amiga justamente para observar as pessoas que distribuem panfletos no sinaleiro. A prática costuma render contratações de pessoas para trabalhar em eventos.

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Reprodução

“Passamos e eu vi uma menina com uma plaquinha que dizia que estava vendendo bombons para ajudar na festa de 15 anos dela. Estava no banco do carona e falei para a minha amiga: ‘Volta que eu quero falar com essa menina’”, diz. De acordo com Rayanna, inicialmente Mel ofereceu apenas seus serviços de cerimonial, o que, para a festa dela, não seria necessário e pediu para tirar uma foto. Foi só dias mais tarde, quando a produtora finalmente conseguiu o contato da jovem e contou que havia publicado a foto nas redes sociais, que a adolescente entendeu que tinha a oportunidade de ter a festa de seus sonhos construída a partir da solidariedade de várias pessoas que decidiram oferecer seus serviços gratuitamente.

Mais uma vez, Rayanna teve que enfrentar os pais, que não acreditavam que alguém ofereceria uma festa daquelas assim. “Eu pirei, pensei que era alguém ruim”, lembra a mãe da menina, Tamires Góes. Porém, algumas conversas mais tarde, Tamires se convenceu das boas intenções de Mel, que não eram por acaso. “Eu também ganhei uma festa de 15 anos da minha tia, porque meus pais não tinham dinheiro para financiá-la, e ganhei um book fotográfico. Eu tive, porque também me deram. Pode ser que eu esteja retribuindo”, lembra a produtora.

Hoje, as três se preparam para o grande evento. Mel guarda em segredo os detalhes da festa, mas aposta que Rayanna vai adorar. A adolescente, por outro lado, é só expectativa. “Eu sou verdadeiramente louca por bolo de morango, então pedi um. Pedi para entrar numa moto, porque tenho paixão por moto. E pedi que a decoração fosse branca e dourada. Espero que tudo isso esteja providenciado”, torce.

Sobre a atitude de Mel, ela define como “incrível”. “A gente vê tanta maldade no mundo e não acredita que tem tanta gente boa por aí. Meu pais sempre ajudaram as pessoas , sabe? Então quando a gente oferece o bem, a gente recebe o bem”, diz.

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