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Policiais diante de acidente
Câmeras na rodovia registraram momento em que policiais teriam plantado arma na cena do crime| Foto: Reprodução/RPC

O policial militar acusado por homicídio e fraude processual na morte de um motociclista de 18 anos na BR-277, em São José dos Pinhais, no último mês de abril, foi preso no início da tarde desta segunda-feira (03). Ainda em caráter preventivo, a prisão aconteceu poucos dias após a divulgação de um vídeo que mostrava o momento em que teria plantado uma arma sob o corpo da vítima.

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O mandado foi expedido pela juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais e ele foi preso pela Corregedoria da própria Polícia Militar. Ele vai permanecer detido em um batalhão à disposição da Justiça.

Na última quinta-feira (30), o Ministério Público do Paraná (MPPR) ofereceu denúncia contra os dois policiais militares envolvidos na morte do motociclista no último dia 21 de abril. Os dois foram acusados de fraude processual justamente por terem colocado a arma para forjar uma troca de tiros que não aconteceu e por terem colocados dados falsos no boletim de ocorrência. Na época, eles afirmaram que atiraram contra o rapaz após ele ter atirado primeiro. Contudo, somente o policial preso nesta tarde foi acusado de homicídio simples.

Segundo o MPPR, a versão de que os PMs apenas revidaram os disparos feitos pelo jovem foi derrubada após a análise de imagens feitas pelas câmeras da concessionária que administra a BR-277. Na gravação, é possível ver o momento em que um dos policiais se abaixa próximo ao corpo da vítima, supostamente para plantar a arma na cena do crime. O vídeo foi anexado como prova ao processo.

Ainda de acordo com o Ministério Público, o policial miliar teria agido por motivo torpe ao disparar com a intenção de matar “como reprimenda” pelo fato de a vítima não ter obedecido ordem de parada. O órgão destaca ainda que o jovem não teve chance de defesa, já que foi atingido pelas costas.

Além disso, o PM chegou a tirar as munições do carregador de sua arma para dificultar o trabalho dos peritos na hora de analisar quantos disparos foram efetuados.

Antes da prisão, por meio de nota, a Polícia Militar disse respeitar as conclusões do Ministério Público e que tomaria as medidas necessárias caso as acusações fossem comprovadas. A reportagem procurou ainda os advogados de defesa dos acusados, que não confirmaram a prisão e que ainda estavam se inteirando dos fatos. À RPC, o advogado de defesa Claudio Dalledone diz que é necessário iniciar um processo legal para averiguar se houve crime de homicídio e de fraude processual. O defensor afirmou não ter dúvidas que a Justiça irá reverter a prisão do policial.

Confira a nota completa da PM:

A Polícia Militar lembra que à época dos fatos, tão logo o Comando da unidade (a qual os policiais pertencem) foi informado a respeito, um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado, o qual está em fase de conclusão e será encaminhado à Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual (VAJME) para apreciação.

Institucionalmente, a PM respeita as conclusões as quais chegou o Ministério Público.

A Corporação lembra que para qualquer situação denunciada, busca-se a elucidação de todos os fatos, e, se ficar comprovada responsabilidade para qualquer um dos policiais militares, as medidas são tomadas, conforme a legislação, sendo respeitados os direitos ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.

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