Pandemia fez transporte coletivo de Curitiba perder quase 100 mil passageiros em um ano.
Foto: Luiz Costa /SMCS
Pandemia fez transporte coletivo de Curitiba perder quase 100 mil passageiros em um ano. Foto: Luiz Costa /SMCS| Foto: Luiz Costa/SMCS

Quase 100 mil passageiros deixaram de usar o transporte coletivo em Curitiba no ano passado. Os números foram divulgados nesta terça-feira (26) pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e ilustram os efeitos da pandemia do coronavírus no transporte público. A suspensão das aulas nas escolas, a necessidade de distanciamento social, a implantação do regime de home office e de escalas em muitas empresas fizeram com que houvesse uma queda expressiva no movimento.

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Segundo a Urbs, 107,4 mil passageiros usaram o transporte coletivo da capital em 2020, 47% menos do que em 2019, com 203,9 mil. Esse volume inclui passageiros pagantes e isentos, como idosos, pessoas com deficiência e estudantes. O movimento diário de passageiros pagantes está, em média, 53% menor do que antes da pandemia. Na última semana, foram 350.038 passageiros nos dias úteis, enquanto na primeira semana de março de 2020 a média era de 744.344 passageiros.

O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, observa que, além da redução na receita proveniente de passageiros, o sistema precisa operar com uma frota superior à demanda para obedecer os protocolos sanitários de enfrentamento da Covid-19 e evitar aglomerações. A ocupação máxima prevista nos ônibus é de 70%. De acordo com a Urbs, a frota está em 80% (mil ônibus) e 100% nas linhas de maior demanda, que atendem mais de 60% do movimento.

Para compensar essas perdas, está em vigor desde maio do ano passado o Regime Emergencial de Operação e Custeio do Transporte Coletivo, que visa fazer com que a prefeitura cubra a diferença entre o custo do transporte e o valor arrecadado por empresas de ônibus durante o período da pandemia. Prorrogado até 30 de junho, o regime deve resultar em um aporte adicional de R$ 102 milhões às empresas de ônibus nesse período.

“Mantendo-se a operação normal e reduzindo-se significativamente a quantidade de passageiros, como ocorreu, o sistema fatalmente atingiria uma situação de colapso e isso implicaria um pedido de reequilíbrio econômico-financeiro à Prefeitura em torno de R$ 40,9 milhões mensais, em média”, justifica o presidente da Urbs, acrescentando que o governo municipal suspendeu a negociação sobre o reajuste da tarifa técnica do transporte coletivo, prevista todo ano para fim de fevereiro. Ou seja, enquanto vigorar o regime emergencial, está descartado aumento da tarifa.

Maia Neto diz ainda que o município trabalha para promover a equalização do sistema e para isso vem discutindo tanto internamente com a secretaria de Finanças quanto com o governo do Estado o subsídio ao transporte coletivo. “Temos uma tarifa social e que permite a conexão com a Região Metropolitana de Curitiba. A integração metropolitana tem hoje um peso de 40% a 50% dos nossos custos”, conclui.

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