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Comércio internacional

Três fatores para tirar do banho-maria o acordo entre Mercosul e União Europeia

  • PorAndrea Torrente, especial para a Gazeta do Povo
  • 16/07/2020 10:10
Bolsonaro e Angela Merkel são essenciais para tirar o acordo UE-Mercosul do papel
Jair Bolsonaro e Angela Merkel durante o G20 em Osaka, Japão, em 2019: os dois são essenciais para tirar o acordo UE-Mercosul do papel.| Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Um ano após a assinatura, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) continua em banho-maria. Não só porque falta acertar os últimos detalhes técnicos e jurídicos entre os dois blocos, mas também porque as peças estão se movendo devagar no tabuleiro internacional.

Os fatores principais nessa fase são três: Jair Bolsonaro, a chanceler alemã Angela Merkel e a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. Cada um tem um papel decisivo para impulsionar a implementação do tratado comercial entre os dois blocos.

1. O papel de Bolsonaro no acordo UE-Mercosul

Não é mistério que a política ambiental do governo Bolsonaro, marcada pelo aumento das queimadas e o avanço do desmatamento na Amazônia, desagrada os europeus e prejudica a imagem brasileira no mundo.

“É pouco provável que, com ele [Bolsonaro] na Presidência, todos os parlamentos europeus aprovem o acordo. A não ser que ele mude completamente a postura”, avalia Miriam Gomes Saraiva, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Parlamentares da Holanda e da Áustria já rejeitaram a proposta e o tratado encontra resistências também na França, Irlanda e Bélgica. A decisão do parlamento austríaco vincula o governo do país a essa posição. O da Holanda não, mas não deixa de ser um claro sinal de descontentamento com os termos negociados.

O efeito não é apenas simbólico, mas também prático, já que o tratado deverá ser submetido novamente ao escrutínio dos parlamentares.

O acordo UE-Mercosul tem que passar ainda pelos legislativos da maioria dos 27 países membros da União Europeia, pelo Conselho da Europa, pela Comissão Europeia e, finalmente, pelo parlamento do bloco. Um caminho tortuoso.

Fora do Brasil, a atitude negacionista de Jair Bolsonaro no enfrentamento da Covid-19 colabora para torná-lo um "vilão" internacional. E a condução da política exterior pelo chanceler Ernesto Araújo, vista fora do país como "ideológica", tem feito o Itamaraty perder prestígio.

O acordo não é apenas comercial, mas envolve outras questões, como a produção segura dos alimentos, a proteção dos direitos trabalhistas e a aplicação do acordo de Paris sobre mudanças climáticas, que Bolsonaro já ameaçou abandonar.

“A partir do momento em que o presidente adote um tom conciliador, como fez na política interna recentemente, esse acordo tem chance de sair do papel”, avalia João Alfredo Lopes Nyegray, professor de relações internacionais da Universidade Positivo.

A onda verde cresce na Europa e é nesse contexto que se encaixa o interesse pela salvaguarda da Amazônia. As eleições locais francesas, no fim de junho, registraram o triunfo do Partido Verde em várias prefeituras importantes.

E, desde antes da pandemia, a Comissão Europeia vem discutindo o chamado Green Deal, um pacto ecológico para tornar o continente climaticamente neutro até 2050. O plano prevê investimentos estimados em 1 trilhão de euros somente nos próximos dez anos.

Na última Cúpula do Mercosul, no dia 2 de julho, Bolsonaro deu sinais de abertura sobre a questão ambiental. "Nosso governo dará prosseguimento ao diálogo com diferentes interlocutores para desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil e expor a preservação e as ações que temos tomado em favor da proteção da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas", afirmou.

A pressão tem se intensificado nos últimos dias também entre empresários brasileiros e investidores estrangeiros que enviaram duas cartas ao governo para alertar sobre os prejuízos econômicos que a política ambiental está acarretando.

O vice-presidente Hamilton Mourão tentou apagar o incêndio. Eles se encontrou com os empresários e admitiu que o governo demorou no combate ao desmatamento da Amazônia.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que em abril havia sugerido de aproveitar a pandemia para "passar a boiada", também recuou e admitiu que a percepção dos investidores estrangeiros sobre a Amazônia é "justa".

2. O fator Angela Merkel

Se o Brasil fizer a lição de casa, a Alemanha pode ser um aliado essencial para tirar o acordo UE-Mercosul do papel. No dia 1.º de julho, o país assumiu a presidência rotativa da União Europeia, o que coloca Angela Merkel, uma das principais defensoras do acordo, na posição de liderar a agenda econômica europeia nos próximos seis meses.

Quando Bolsonaro e o presidente francês Emmanuel Macron trocaram farpas no ano passado, a Alemanha interveio para apaziguar os ânimos. “A não conclusão do acordo com o Mercosul não vai ajudar a reduzir a destruição da floresta no Brasil”, afirmou um porta-voz de Berlim na época.

A indústria alemã pode se beneficiar enormemente do comércio entre os blocos e Merkel não sofre tanto a pressão dos agricultores como, por exemplo, ocorre na França, onde os produtores rurais temem a invasão de commodities a baixo custo, como soja e carne bovina do Brasil e da Argentina.

3. O papel da pandemia para destravar o acordo UE-Mercosul

Com o mundo à beira de uma das maiores recessões da história – o Banco Mundial estima uma contração de 5,5% do PIB global em 2020, sendo de -4,7% na Europa e -7,2% na América Latina –, o acordo UE-Mercosul pode amenizar os efeitos da crise.

“Não dá para pensar em crescimento econômico sem pensar em negócios internacionais”, resume Nyegray. Os dois blocos, que somam 780 milhões de pessoas, geram um comércio anual de R$ 530 bilhões em mercadorias e R$ 204 bilhões em serviços.

Em entrevista à Gazeta do Povo no fim de maio, o embaixador da UE no Brasil, Ignacio Ybáñez, garantiu que a ratificação deve ocorrer até o fim do ano e frisou que o acordo “é um dos elementos que pode ser muito importante na saída da crise".

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acredita que o tratado pode ajudar o setor. "[O acordo] pode ter efeito positivo na retomada econômica no pós-pandemia, pois no curto prazo a abertura ocorre antes na Europa do que no Brasil. Além disso, seria um sinal positivo para o ambiente de negócios", informou em nota.

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Comentários [ 16 ]

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    André Borges Uliano

    ± 0 minutos

    Ernesto Araújo é excelente. Itamaraty nunca teve tanto prestígio, a não ser com os esquerdistas derrotados no Brasil e no exterior. O Brasil tem de ser o Brasil, com suas escolhas e valores, e não ficar a reboque de outros países, sendo guiado pela síndrome de vira-lata.

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    Cris Bispo

    ± 6 horas

    Eles querem manter o Brasil como colônia européia. A política ambiental do governo Bolsonaro é excelente, mas leva o Brasil à prosperidade e há quem queira manter nosso país no cabresto. Bolsonaro precisa apenas esclarecer o que está sendo feito apesar da enxurrada de fake news, e não mudar as ações.

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    Antônio Carlos Portela Leôncio

    ± 23 horas

    Vocês continuam botando tudo na conta do Presidente ,e os textos são sempre os mesmo , segundo Miriam ou fulano de tal ,esse acordo não aconteceu pelo fato de Bolsonaro ser assim só assado, ora Gazeta ,acorda todos nós sabemos que esse acordo ficou parado por conta da Pandemia, assim como é bom para Brasil e Mercosul , é bem melhor para União Europeia.

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    AMAURI

    ± 1 dias

    "Obrigado" Bozo. Você, era tudo que o Brasil não precisava.

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    ANDERSON MANN

    ± 1 dias

    O seguinte trecho retirado do item 2, comprova que tudo dito no item 1 é mentira. ""A indústria alemã pode se beneficiar enormemente do comércio entre os blocos e Merkel não sofre tanto a pressão dos agricultores como, por exemplo, ocorre na França, onde os produtores rurais temem a invasão de commodities a baixo custo, como soja e carne bovina do Brasil e da Argentina."

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    Carlos Henrique Silva de Souza

    ± 1 dias

    O mesmo lenga lenga ******, de culpar o presidente e a política do meio ambiente, isso e apenas uma desculpa esfarrapada, para nós parte de nossa soberania, e essa matéria colabora com isso, tomem vergonha na cara.

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    Antônio Carlos

    ± 1 dias

    Nós somos um pais pobre que integra um bloco comercial de países pobres. Nossa atual política de desafiar as convicções / crenças / normas do mundo desenvolvido será um desastre para nós, não para eles!!!!! Nossa política ambiental é muito ruim e nos levará a uma enorme quantidade de problemas.

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    • J

      J.A.O

      ± 1 dias

      Síndrome do cachorro vira-latas. O Brasil está começando a colocar valor nas riquezas que possui. Isso tem irritado os aproveitadores que ao longo de 500 anos as levaram como se fizessem favor a nós. Isso acabou, acostumem seus aproveitadores.

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    Nico Gavelick

    ± 1 dias

    "O acordo não é apenas comercial, mas envolve outras questões, como a produção segura dos alimentos, a proteção dos direitos trabalhistas e a aplicação do acordo de Paris sobre mudanças climáticas": Ou seja, não se trata de livre comércio, e sim de ditar regras para os outros países. Livre comércio é quando eu não taxo os seus produtos, você não taxa os meus, e ponto. Esse "acordo" é um embuste.

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  • S

    SantoHomem!

    ± 1 dias

    Esqueçam acordo com a União Européia, esqueçam. Tá completamente fora do radar! Devastação do meio ambiente e desapego aos valores democráticos e republicanos não são tolerados pelo bloco europeu. Esqueçam. Este tipo de manchete é mais uma bolsonarice deste jornal. Esqueçam! Nenhuma empresa, muito menos país europeu decente, vai se ligar ao Brasil enquanto tivermos com este governo. Esqueçam!

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    • J

      J.A.O

      ± 1 dias

      Essa é a famosa externação do sentimento reprimido de um esquerdista derrotado. Se comporta como aqueles garotinhos de colégio me filme adolescente, que por sábio ou capaz que seja o aluno, se não for submisso as vontades dos valentões e/ou brucutus do pedaço, sempre levara a pior. Detalhe é que assim como nasses filmes, nós temos o que nenhum deles tem, espaço de sobra p plantar, recursos hídricos inimagináveis a muitos deles, florestas e mais florestas. Falta-nos alguém de coragem para confronta-los e defender nossa capacidade e valor no cenário mundial. Fora isso é só inveja de esquerdistas vitimistas.

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  • R

    Rubens Farias

    ± 1 dias

    Votei no Bolsonaro não por convicção mas por oposição ao PT. O que o Bolsonaro não entendeu ainda é que ele não é o Trump e que o Brasil não é os estados unidos, não pode ficar comprando briga com o mundo todo pois nem o Brasil e muito menos ele têm cacife para isso.

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    • J

      J.A.O

      ± 1 dias

      SantoHomem!: O defensor de ladroes. Toma vergonha na sua cara, isso é se tiver uma né?

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    • S

      SantoHomem!

      ± 1 dias

      Zyss: Com o Bolsonaro? Dá licença homem! O homem não tem condições de presidir uma reunião e sair dela com alguma solução. Se pedir para o Bozo fazer uma redação sobre um tema, não consegue estruturar começo, meio e fim. O Brasil não era capacho de ninguém, aliás, com os políticos que temos, com o povo que temos e, em especial com a elite podre que temos, não espere nada de bom para o Brasil. Somos uma república mesquinha, que desde 2019 é governado por uma direita torta e tosca.

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    • S

      SantoHomem!

      ± 1 dias

      Você é mais um dos milhares que dizem "por oposição ao PT" e eu complemento "por falta de opção". Tinha opção no 1o turno e no 2o turno; a questão foi o ruído que vc decidiu ouvir. No 1o turma havia 5 professores, 2 engenheiros e 1 médico. No 2o turno o povo optou por um político que não apresentou nada de bom à República e, pior, nem sequer presidiu uma sessão ordinária. Imagine agora, presidir uma reunião. Sinto em lhe informar, mas o Sr. votou errado. Da próxima vez, lave a cara e acerte o botão da urna. Um milico terrorista, preso e quase expulso. Um político que pisoteou os valores democráticos e republicanos desde o 1o dia de mandato. Falta a este povo vergonha na cara.

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    • Z

      Zyss

      ± 1 dias

      Vc que não entendeu nada mesmo. A briga é justamente pra deixar de ser capacho de certos países e reassumir uma posição forte nas negociações.

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