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Aumento da inflação deve provocar nova alta de juros nesta quarta – e outras na sequência
| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

O aumento da inflação, sua disseminação para um grupo maior de produtos e serviços, a expectativa de novos aumentos de preço por causa da crise hídrica e ainda a atividade econômica surpreendente sinalizam para um novo aumento na taxa básica de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve divulgar a nova taxa Selic – hoje em 3,5% ao ano – até o início da noite desta quarta-feira (16). A maioria dos analistas aposta em um aumento de 0,75 ponto porcentual nesta reunião, para 4,25%, e novos reajustes nas reuniões seguintes.

O superintendente executivo de macroeconomia do Santander, Maurício Oreng, afirma que o Copom deve sinalizar com o fim dos estímulos monetários e abandonar a sinalização de "normalização da política monetária". Isto, segundo ele, implica abandonar a ideia de uma taxa de juro inferior a 6,25% ao ano no médio prazo.

“O comunicado deve antever novas altas nas taxas de juro para os próximos meses”, destaca o executivo. A projeção do banco é que 2021 termine com uma Selic de 6,5% ao ano, sendo elevada para 7% na primeira reunião do Copom no próximo ano.

Apesar da valorização do real frente ao dólar, que atingiu 5,36% nos últimos 30 dias; da situação fiscal um pouco melhor, motivada pelo forte avanço do PIB no primeiro trimestre; e da ampla disponibilidade de recursos no mercado internacional, Oreng avalia que essas variáveis terão peso bem menor na decisão do comitê.

O economista aponta que as projeções para o câmbio em 2022 não se alteraram muito. As previsões de instituições financeiras compiladas pelo Banco Central no relatório Focus indicam um ponto médio (mediana) de R$ 5,35. Há quatro semanas, esse número era de R$ 5,20.

“O grande debate nessa reunião será a discussão sobre manter ou abandonar o compromisso com a prescrição de normalização parcial da política monetária, entendido como levar a taxa Selic para o intervalo entre 5,5% e 6%. Desde a última reunião, os dados de atividade econômica, em especial o PIB do primeiro trimestre, surpreenderam as expectativas. O IPCA de maio também veio acima do esperado e mostrou uma difusão bastante significativa, demonstrando que a alta de preços está se tornando mais disseminada”, diz Nicolas Borsoi, economista da Nova Futura Investimentos.

Crise hídrica deve provocar mais aumento da inflação – e pesar na alta dos juros

Um dos fatores que deve ser considerado nas análises do Copom é o baixo nível dos reservatórios de hidrelétricas no subsistema Sudeste/Centro-oeste, que na segunda-feira (14) estava em 30,63%, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS).

Esse cenário obriga o acionamento das usinas térmicas, que produzem energia mais cara. A maioria delas já está em funcionamento; a questão é que devem continuar assim por mais tempo que o previsto anteriormente.

Com isso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reguladora do setor, deve promover novos aumentos de preço. O órgão acionou no início do mês a "bandeira vermelha 2", adicional tarifário mais alto até então. Mas já avisou que deve criar um patamar novo, pelo menos 20% mais caro.

“Está ficando claro que o preço da energia elétrica vai ser alto por todo 2021, gerando inércia para 2022”, aponta relatório feito pela XP Investimentos.

Para a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), um aumento na Selic terá um impacto muito pequeno nas operações de crédito, devido ao deslocamento muito grande entre essa taxa e os juros cobradas dos consumidores.

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