Para Luciano Coutinho, política fiscal surte mais efeito em tempos de crise | Marcello Casal
Para Luciano Coutinho, política fiscal surte mais efeito em tempos de crise| Foto: Marcello Casal

Rio de Janeiro - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, está convencido de que as políticas fiscais empreendidas pelo governo podem ser mais relevantes para a retomada dos investimentos do que a redução da taxa de juros. Coutinho foi o anfitrião de um seminário para discutir o papel dos investimentos públicos na promoção do desenvolvimento econômico e social, no Rio de Janeiro.

Segundo Coutinho, a crise financeira acabou transformando as "políticas monetárias transitoriamente ineficientes para a recuperação das economias". É exemplar, segundo ele, o que vem ocorrendo nos Estados Unidos, onde nem mesmo a recuperação das taxas de poupança vêm conseguindo estimular os gastos públicos. "O impacto da política fiscal sobre a demanda é direto e ela é de grande relevância, sobretudo, para a retomada dos investimentos", avalia Coutinho.

O diretor de Investimentos e Empresas da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), James Zhan, também aposta que o investimento público é o melhor caminho para superar crises. "O mais desafiador para os países em desenvolvimento é financiar a infraestrutura e conseguir parcerias para a superação da crise", disse.

Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, também destacou a importância nos investimentos em infraestrutura. Segundo ela, os pacotes de estímulo na região somam volume de US$ 25 bilhões. "O assunto está em voga na América Latina. Porém, a região não vai escapar da recessão, na qual entre 8 e 13 milhões de pessoas voltarão ao grupo de pobreza", afirmou Pamela.

No mesmo evento, o diretor de programa do Ministério do Planejamento, Isaac Averbuch, admitiu que o governo federal praticamente não fez Parcerias Público-Privadas (PPP) porque tem conseguido viabilizar os projetos como regimes de concessão, em que só o setor privado coloca recursos.

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