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Público jovem e de classes econômicas mais elevadas estão entre os que mais aderem às fintechs.
Público jovem e de classes econômicas mais elevadas estão entre os que mais aderem às fintechs.| Foto: BigStock

Os bancos totalmente digitais e as fintechs já amealharam mais de 20% do mercado de cartões de crédito no Brasil. A velocidade com que as startups do setor financeiro crescem leva à previsão de que elas não precisarão de muito tempo para assumir a liderança do ramo, desde sempre ocupada pelos grandes bancos.

Levantamento da aceleradora Finnovista, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), revela que os bancos digitais tiveram um crescimento anual de 147% no mercado brasileiro, no primeiro semestre de 2018. Outra pesquisa, deste ano, da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), mostra que para mais da metade (53,7%) brasileiros, a economia com taxas e manutenção de contas é o principal atrativo desses serviços digitais.

De acordo com o estudo, 21,5% dos cartões de crédito do Brasil são de fintechs ou bancos 100% digitais, contra 75,8% de instituições bancárias tradicionais. Por conta da complexidade da tecnologia, a adesão aos novos modelos de pagamento é maior por jovens de 18 a 35 anos (32,4%), das classes A e B (85,2%).

Confira os detalhes no gráfico ao final desta matéria.

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Para equilibrar a isenção de taxas e o cashback sem ficar no vermelho, as fintechs investem em eficiência operacional baseada em tecnologia de última geração — um grande diferencial competitivo em relação aos bancos tradicionais. Vale dizer que as startups também recebem parcela correspondente a cerca de 5% do valor de cada compra paga pelo lojista (percentual dividido com a bandeira do cartão e com a empresa de maquininha) e juros cobrados por atraso no pagamento das faturas.

Líder no setor, o Nubank criou toda a tecnologia de sua operação dentro de casa. E por não ter vínculo com terceiros, a fintech afirma ter autonomia para atualizar suas soluções sempre que julgar necessário.

Com o investimento em inovação, a empresa também mantém sua eficiência operacional, garante Vitor Olivier, vice-presidente de consumo do Nubank. Até o momento, a startup já captou US$ 420 milhões em sete rodadas de investimento. “O caminho mais rápido para lançar um produto é terceirizar o seu desenvolvimento, mas para adaptá-lo de acordo com o que o cliente quer fica muito mais difícil”, explica.

Com 10 milhões de clientes, a fintech passou a testar na semana passada a conta para pessoas jurídicas, com foco em pequenos empreendedores, também sem cobrança de anuidade e tarifas de manutenção de conta. “[O modelo do Nubank] É uma transformação cultural que vem do Vale do Silício, com um pensamento a longo prazo. Os bancos durante muito tempo usaram as agências físicas. Hoje, temos as agências de bolso”, compara o executivo.

A Neon também lançou recentemente uma conta para pessoa jurídica e deve anunciar a opção de folha de pagamento para os empreendedores e crédito pessoal para pessoa física (que acumula 2 milhões de usuários) nos próximos meses.

De acordo com Guilherme Lorensini, diretor de negócios da Neon, a rentabilidade do negócio vem das taxas cobradas por transação, dos juros por atraso no pagamento das faturas e por desenvolver a própria tecnologia. “A maior parte de nossa infraestrutura é desenvolvida internamente e, por isso, um dos maiores times da Neon é o de TI, composto principalmente por desenvolvedores”, destaca Lorensini.

O Digio também aposta em inovação para se diferenciar de bancos tradicionais e ter menos custos operacionais. Entre as tecnologias utilizadas pelo banco digital estão machine learning, análise avançada de dados e robôs para oferecer um aplicativo mais funcional e interativo aos clientes.

“A tecnologia é uma maneira para garantir a melhor experiência para o nosso cliente. A gente tem acompanhado de perto a mudança no perfil dos novos consumidores, que buscam uma experiência cada vez mais simples, ágil e segura”, afirma Ana Bellino, diretora de produtos do Banco CBSS, controlador do Digio. O CBSS é uma joint-venture do Bradesco e do Banco do Brasil criada para dar reagir ao crescimento das fintechs.

Ana Bellino afirma que, além do investimento em novas soluções tecnológicas, o banco digital também garante sua rentabilidade na venda cruzada de produtos e serviços ofertados na plataforma, como empréstimo, seguros e produtos, como jogos de videogame, softwares para computador e aplicativos no Google Play.

Dinheiro de volta

Ao contrário das principais fintechs de cartão de crédito, a Trigg cobra R$ 9,90 por mês de anuidade. A diferença é que a startup possui um programa de fidelidade em que os clientes recebem de volta parte do valor gasto no cartão. A porcentagem do cashback varia entre 0,5% e 1,30%, dependendo do valor das compras a cada mês.

De acordo com Marcela Miranda, diretora e fundadora da fintech, a anuidade (de R$ 118,80)  pode ser quase abatida se o gasto mensal do usuário for de R$ 1.400. “Nesse caso, o valor restituído seria de R$ 117,60 no ano. Hoje, temos clientes que recebem mais de R$ 800 por ano de cashback”, calcula a fundadora da startup, que recebeu 2 milhões de pedidos de cartões até o momento.

Além da cobrança mensal, a Trigg se mantém financeiramente por meio de parcerias com lojas on-line e com seu diferencial tecnológico — criado internamente e por parceiros. “Respiramos tecnologia e pesquisa. Temos muito desenvolvimento realizado pelo time de TI, mas também plugamos fornecedores [como Amazon e Google] que possuem conexão com o nosso propósito e se adequam a todas as normas de segurança que seguimos. Todos esses mecanismos fazem com que a operação ganhe robustez e qualidade de entrega ao cliente”, detalha Marcela.

Atenção ao endividamento 

Vantagens à parte, antes de emitir um cartão de crédito é importante avaliar a sua real necessidade e atentar-se ao vencimento da fatura para não se comprometer financeiramente, alerta José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil.

“Não é porque o cartão é simples que é mais barato. Às vezes, vale a pena negociar com o banco tradicional. O bom de haver mais participantes no mercado de cartão de crédito é que o consumidor tem mais poder de barganha”, reforça.

O educador destaca também que, apesar de grande parte das fintechs oferecer cartões sem taxas e anuidade, ter vários deles nem sempre é um bom negócio. “Para emergência, o bom é ter pelo menos dois. O excesso [de cartões] dificulta o controle de gastos e aumenta o risco de endividamento.”

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