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O brasileiro é tão bonzinho...

  • PorFranco Iacomini
  • 24/06/2015 03:00

OBrasil pode ser um país muito estranho, às vezes. Um lugar onde há muitas discussões de mentirinha – no Congresso, por exemplo – e onde algumas conversas importantes passam batido. Veja o caso da mudança nas regras para a aposentadoria, e compare com alterações semelhantes ocorridas em outros países.

Na Grécia, a mudança na aposentadoria é coisa recente. Há coisa de cinco anos, o governo havia limitado a idade mínima para aposentadoria a 65 anos. Na semana passada, vetou todo tipo de aposentadoria antecipada e anunciou um plano para cortar o valor dos vencimentos. Na Itália, foram necessários dois anos de discussão e, depois de aprovada, a medida levou mais dois anos e meio para entrar em vigor. Quando Nicholas Sarkozy propôs elevar a idade mínima das aposentadorias da França para 60 anos, houve 14 dias de greve geral.

No Brasil, uma reforma foi aprovada pelo Congresso, após uma discussão razoavelmente superficial. Foi vetada pelo governo, que emitiu uma Medida Provisória, e esta entrou em vigor imediatamente. A regra do fator previdenciário (que cobrava uma espécie de “pedágio” na aposentadoria das pessoas mais jovens, que ficavam com um benefício menor) foi substituída pela 85/95. Pelo novo sistema, os homens podem se aposentar quando a soma da idade com o tempo de contribuição atingir 95; para as mulheres, o número “mágico” é 85. Esses números vão subir progressivamente até chegar a 100 e 90, em 2022.

Muita gente sequer entendeu o que está acontecendo. E é bem possível que, quando entender, não goste. A nova conta não diminui o vencimento de quem se aposenta mais jovem, mas tenta obrigar a população a trabalhar um pouco mais. Eu, por exemplo, fiz minhas contas: pelo sistema antigo, poderia me aposentar aos 57 anos; pelo novo, terei de ir até os 61.

Há muita polêmica a respeito das contas da Previdência. Há quem diga que as novas regras não são suficientes para levar o sistema a um equilíbrio de longo prazo. Portanto, o que deve ficar claro para todo cidadão é que, nos próximos anos, é preciso que haja um debate permanente sobre a questão da Previdência. Não importa sua idade, leitor: você precisa ficar por dentro disso.

A questão central é que o sistema brasileiro – como ocorria com outros países – era baseado nos novos entrantes. Basicamente, os trabalhadores ativos recolhem contribuições que servem para pagar aposentados e pensionistas. Mas a estrutura demográfica vem mudando. As famílias têm menos filhos, o que resulta em menos gente entrando no sistema de trabalho formal. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida cresce, o que significa que o número de pessoas recebendo benefício tende a aumentar. Isso desequilibra de vez um sistema que nunca funcionou lá muito bem. Em outros países, tem havido corte em aposentadorias e pensões. Aqui, eles não são tão perceptíveis, mas existem. Todo aposentado já comparou o valor de seu benefício presente com o salário mínimo, e percebeu que recebia mais “salários” anos atrás do que recebe hoje. É que o salário mínimo recebeu aumentos reais, acima da inflação, nos últimos anos. Já a aposentadoria recebeu, quando tanto, a reposição da do índice. Para o governo, isso alivia o caixa da Previdência. Para o cidadão, comprime o poder de compra do aposentado. É um mal disfarçado ataque ao bolso dos vovôs e vovós do país.

A preocupação com a aposentadoria não costuma tocar as pessoas mais jovens. Normalmente começa a pensar nisso quem passa dos 40 anos de idade. Não deveria ser assim – começar a planejar cedo leva a uma tranquilidade maior. Poupar para a aposentadoria é sempre uma boa ideia, mesmo para quem acabou de entrar no mercado de trabalho. E não precisa ser em um fundo específico: embora os fundos de previdência complementar (que recebem esse nome porque podem dar ao futuro aposentado um rendimento adicional àquele que a previdência estatal paga) sejam uma boa alternativa de poupança, há quem prefira outros caminhos. Montar uma carteira de imóveis para, depois, receber aluguéis é uma. Comprar ações de empresas que pagam bons dividendos para, no futuro, ter receita a partir dos lucros dessas companhias é outro. Também é possível receber os juros de aplicações de longo prazo, como os títulos do Tesouro Direto.

Você escolhe. Só não queira depender demais da aposentadoria do governo. Há um sério risco de ela acabar decepcionando.

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