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Míriam Leitão

Brasil dependente

  • PorCom Leonardo Zanelli
  • 24/09/2008 21:29

A situação política na Bolívia permanece grave, mesmo com a melhora nos ânimos de ontem e a reunião entre governo e oposição de hoje. A eventualidade de uma deterioração do conflito tem que estar nos cenários das autoridades brasileiras. Diante disso, é preciso se preparar para o risco de desabastecimento de gás. Situações explosivas como essa podem ficar incontroláveis.

No episódio curto de redução do abastecimento de gás se viu uma correria das autoridades para preparar um plano de contingência. Foi apenas um susto. Ou um aviso. Diante disso, é melhor avaliar a dimensão da nossa dependência ao gás da Bolívia e o que pode ser alterado de imediato. Hoje, no país, 7 milhões de metros cúbicos de gás (m·), o que equivale a 20% do gás importado, são usados como combustíveis para carros. E o gás veicular ainda é incentivado. Cortar simplesmente seria absurdo, até porque os taxistas foram incentivados por impostos, e palavras, a fazer a conversão. Mas criou-se uma situação absurda, da qual é inevitável procurar uma saída que não dê prejuízo aos taxistas. O ideal seria incentivá-los a trocar de novo para álcool, que é igualmente limpo e produzido em casa.

A demanda de gás natural do Brasil é de 50 a 60 milhões de metros cúbicos por dia. Deste total, metade, 30 milhões, é importada da Bolívia. O restante da demanda nacional é abastecido pela Petrobras. Esses são dados da própria empresa, que não conseguiu, nos últimos anos, aumentar sua oferta do produto, deixando com que o país seguisse dependente do gás boliviano – que abastece 70% de São Paulo e do Sudeste e 100% do Sul.

– Se tiver algum problema no abastecimento de gás da Bolívia, o governo brasileiro vai pagar a conta. Nos últimos cinco anos, a Petrobras não conseguiu aumentar a oferta de gás para fugir da dependência. O primeiro passo do governo, caso tivesse algum problema de fornecimento, deveria ser o de aumentar o preço do gás, para conter a demanda – diz Adriano Pires, do CBIE.

Uma conta feita pelo diretor da consultoria Gás Energy, Marco Tavares, mostra o tamanho da dependência brasileira. Se a interrupção no fornecimento de gás da Bolívia for de até 8 milhões de metros cúbicos, as medidas são mais simples. Como os reservatórios estão cheios, basta substituir a fonte de energia, utilizando também as térmicas movidas a outros combustíveis. Se a queda for entre 8 milhões e 15 milhões de m·, teria de substituir o gás em grande parte das indústrias, usar combustíveis mais caros nas refinarias e estimular a troca do GNV, nos táxis e carros, por álcool, ou, na pior das hipóteses, por gasolina.

O problema está numa interrupção maior.

– Se recebermos menos da metade do gás boliviano, aí não tem mágica: será necessário um racionamento. Vai ter de cortar de todo mundo. Neste caso, teria de ter o famoso comitê para discutir as formas de racionamento, mas ele não existe. É mais um complicador – explica Tavares.

No caso de racionamento, existe ainda o complicador político das medidas impopulares.

– Na Argentina, quando houve o racionamento, não se cortou dos taxistas, porque isso bate diretamente na população. Neste caso, é mais fácil para o governo cortar o gás que vai para empresas do que o GNV – diz Pires. Por mais paradoxal que possa parecer parar a produção industrial de um país.

Até 2012, a Petrobras pretende aumentar a produção de gás do Brasil, que segundo ela ficou em 52 milhões de metros cúbicos por dia em agosto, para 73 milhões. Porém, para atender a demanda que a própria empresa estima para 2012, de 134 milhões de metros cúbicos, ainda seria necessária a importação dos 30 milhões de metros cúbicos de gás da Bolívia e 31,1 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL).

A Petrobras diz que os navios para regaseificação do GNL estarão funcionando em outubro deste ano, no Porto de Pecém, no Ceará, e até o fim do primeiro semestre de 2009 no Rio de Janeiro. O projeto do Ceará deverá ter capacidade para 6 milhões de m·/dia. O do Rio terá capacidade para 14 milhões.

– O GNL reduz a dependência da Bolívia, mas é mais caro e a Petrobras deverá repassar esse custo para a cadeia do gás. Além disso, o terminal do Ceará não resolve o problema do Sudeste, pois o gás só poderia chegar ao norte do Rio de Janeiro. O GNL de Pecém pode gerar energia térmica por lá, e reduzir o consumo de energia elétrica no Sudeste. Só neste ponto ajudaria – conta Marco Tavares.

O Brasil já teve três momentos de tensão em relação ao envio de gás da Bolívia. O primeiro foi em 2004, quando Evo Morales, na oposição, bloqueou estradas e o escoamento da produção de líquidos associados ao gás ficou prejudicado. Outra foi quando o deslizamento de morros mostrou a fragilidade com que eram construídos os dutos. O último foi na crise atual boliviana.

Investimentos em infra-estrutura foram feitos, mas não na velocidade necessária. A Petrobras não aumentou a oferta de gás. Outro problema é o conflito regulatório: o governo faz a política federal de gás, mas a distribuição nos estados é feita pelas empresas estatais.

O gás natural tem a grande vantagem de ser menos poluente. O ideal seria aumentar o consumo no país e aumentar a importação da Bolívia. Mas o ideal choca-se com os fatos, neste momento.

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